sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

A Tração das Metáforas




com os dentes cravados na memória
BraZilírica Pereira: A Traição das Metáforas

outubro 2002 já era setembro inda me lembro depois do jantar na associação de artes plásticas em cantorias caminhamos em direção ao hotel VinoCap quando nos despedimos subi para ao apartamento e a metáfora com as entre/minhas  subiu a escadaria para a cidade alta

no quarto enquanto bebia um conhac pensava em nossas cartas incandescentes o telefone tocou: - vai dormir? - ouvi do outro lado da linha a metáfora me convidando para uma embriaguez a dois

bolero blue

beber desse conhac
em tua boca
para matar a febre nas entranhas
entre dentes - indecente
é a forma que te como
bebo ou calo
e se não falo quando quero
na balada ou no bolero
não é por falta de desejo
é que a fome desse beijo
furta qualquer outra palavra presa
como caça indefesa
dentro da carne que não sai

a carne de maçã: teu corpo devorei a cada dentada metáfora  à flor da pele toda nua me recebeu na cama que era o chão da sala há 6 anos desejava teu corpo como quem deseja um prato de comida quando a fome é tonta  nossa meta é física e o amor é quântico sem lucidez alguma até que passe a fome e o amor acabe

Artur Gomes








terça-feira, 21 de novembro de 2017

poemax


poemax

o espanto
não tem dono
me pega no sono
quando acordo
e traça
um som incrível
como o sol
do fim do dia
quando amanheço
sou apenas
esse relâmpago insaciável
sem palavras
para aplacar o que não sei

Artur Gomes 

sábado, 18 de novembro de 2017

tropicalirismo



Tropicalirismo

Girassóis pousando
nu teu corpo: festa
beija-flor seresta
poesia fosse
esse sol que emana
do teu fogo farto
lambuzando a uva de saliva doce

Artur Gomes
in Couro Cru & Carne Viva


Algaravia

eu  sou o vento
que remove teus cabelos
e repousa em sua face
a outra face do que sente
mas não vê
a palavra que um dia
escreverá - algaravia
nas películas da memória
da ficção que entender

come poesia menina
come poesia
pois não há mais metafísica no mundo
do que comer poesia


Federico Baudelaire


voragem

não sou casta
e sei o quanto custa
me jogar as quantas
quando vejo tantas
que não tem coragem
presa a covardia

eu sou voragem
dentro da noite veloz
na vertigem do dia

Federika Lispector

entre o sonho e o sossego
 :
o pesadelo

Federico Baudelaire

domingo, 12 de novembro de 2017

unplugged

unplugged

quero botar no seu Orkut
um negócio sem vergonha
um poema descarado
tá chegando fevereiro
e meu rio de janeiro
fica lindo e mascarado

quero botar no seu e-mail
um negócio por inteiro
eu não sou Zeca Baleiro
pra ficar cantando a Mama
que ainda tem medo do Papa

meu negócio é só com a mina
que me trampa quando trapa
meu negócio é só com a mina
que me canta ouvindo Rappa


Artur Gomes

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

goytacá boy

goytacá boy
no CD fulinaíma sax blues poesia (2002)

ando por são Paulo meio Araraquara
a pele índia do meu corpo
concha de sangue em tua veia
sangrada ao sol na carne clara

juntei meu goytacá teu guarani
tupy or not tupy
não foi a língua que ouvi
em tua boca caiçara

para falar para lamber para lembrar
da sua língua arco íris litoral
como colar de uiara
é que eu choro como a chuva curuminha
mineral da mais profunda
lágrima que mãe chorara

para roçar para provar para tocar
na sua pele urucun de carne e osso
a minha língua tara
sonha cumer do teu almoço
e ainda como um doido curuminha
a lamber o chão que restou da Guanabara


 Artur Gomes

juras secretas



Jura secreta 104
para Celso Borges e Lilia Diniz

faz escuro mas eu canto
Thiago de Mello

eu sou quem morre e não deita
Salgado Maranhão

pros meus afins está difícil
por isso esse novo canto
se o  dia  não amanhecer

Querubins e Serafins
o que será de Parintins
Bumba-Meu-Boi
o que será ?

Maranhão meu São Luiz
o que será de Imperatriz
do povo/boi o que será
do povo/boi o que vai ser?




Jura secreta 75

é abissal
o cheiro de esperma e susto
não fosse o ópio
nem cem anos de solidão
provocaria tal efeito
o peito estraçalhado
por dentes enigmáticos

Monalisa
sangra na Elegia do agora
cada deusa tem seu templo
cada mulher tem sua hora

Artur Gomes

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

jura secreta 6


Jura secreta 6 

o que passou não ficará já foi 
a menina dos meus olhos 
roubou a tua menina 
e levou para festa do boi 

fosse um Salgado Maranhão 
nosso batismo de fogo 
25 de março 
e o morro querosene  em chamas 
no canto pro tempo nascer 

e o amor que a gente faria 
o sol acabou de fazer 

Artur Gomes 




Profanalha Nu Rio



Profanalha NU Rio
poema antológico e polêmico de Artur Gomes  escrito no início da década, publicado na Antologia: Transgressões Literárias e no seu livro: SagaraNAgens Fulinaímicas.


Profanalha NU Rio

a flecha de São Sebastião
como Ogum de pênis/faca
perfura o corpo da Glória
das entranhas ao coração

do Catete ao Largo do Machado
onde aqui afora me ardo
como bardo do caos urbano
na velha aldeia CariOca
sem nenhuma palavra bíblica
ou muito menos avária
:
orgasmo é falo no centro
lá dentro da Candelária

Artur Gomes
na foto: Tanussi Cardoso, que escreveu um belíssimo prefácio sobre o livro SagaraNAgens Fulinaímicas

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

jura secreta 103


Jura secreta 103

dois mil e dois
em Porto Alegre era dezembro
num quarto de hotel
entre lençóis de branco linho
teus pelos girassóis em desalinho

a pele rosada como pêssego
a língua eu bebia como vinho

o leite que suguei de teus mamilos
o gosto agora sangue em minha boca
e
o incêndio que apaguei em tuas coxas
agora queima em minha mãos no pergaminho

Artur Gomes

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

jura secreta 99



Jura Secreta 99

dentro do quarto
o poema tenso
não entra nem sai
o estômago ronca
as tripas gritam de fome
e o poema preso
tenta dar um salto
pular pelas janelas
o impulso é fraco
o país é pobre
enquanto o povo dorme
a rosa se esfacela
e os restos na bandeja
são vendidos por migalhas

Artur Gomes


terça-feira, 15 de agosto de 2017

projeto ocupação arte e cultura


Projeto OcupAção Arte e Cultura
Sinasefe Iff Fluminense
Varal de Poesia - Clube de Leitura


Você que é poeta ou amante da poesia está sendo convidado a participar do Projeto OcupAção Arte e Cultura, através do Varal de Poesia, e criação do Clube de Leitura dentro da programação do Sarau Baião de Dois, nos dias 30 de setembro e 25 de novembro.


Sendo poeta, selecione uma poesia de sua autoria, imprima em papel A/4 e envie para o endereço abaixo.


Projeto OcupAção Arte e Cultura -
Varal de Poesia
SINASEFE-Seção Sindical de Campos
Rua Álvaro Tâmega 132
28035-030
Campos dos Goytacazes - Centro
Rj


Se não é poeta, pode selecionar uma poesia de um poeta que admira, imprimir em papel A/4 e enviar para este mesmo endereço.


Ao final do Sarau sua poesia será lida, e presenteada para uma pessoa da platéia. Se é poeta, tem livro publicado e deseja ampliar o seu público leitor, remeta também o seu livro que ele será exposto durante o evento, e passará a fazer parte do acervo do Projeto.


Chamada Provisória
Clube da Audição - Lançamento Experimental
Panorama 77 no 132
1 de Setembro 19h -
Sinasefe Iff Fluminense
aos cuidados de Gustavo Landim Soffiati

obs: das 18 às 21h espaço também para ensaios voltados para produção de intervenções para o Projeto - Ocupação Arte e Cultura

Sinasefe - Rua Álvaro Tâmega, 132 - Campos dos Goytacazes-RJ

Artur Gomes
FULINAÍMA MultiPtojetos

portalfulinaima@gmail.com
(22)99815-1266 - Whatasapp



terça-feira, 1 de agosto de 2017

tempo tempo tempo


tempo tempo tempo

o tempo não tem pressa
são dois ponteiros de um relógio
que morde nervos e músculos
diante dos olhos Dela
:
Ela o tempo que não passa

obs.: na foto: Marcela Sanse - feliz por re-encontrá-la uns 10 anos depois que a conheci ainda criança em Bento Gonçalves-RS




quero voar
Ícaro sem planos de vôo
e nada de panos




seguindo os passos de Anchieta
:
Guarapari Antropofágica

come. come meus pés descalços
e os vestígios de Anchieta
por onde estiver ainda

come. come todos os passos
e vomita os restos na Ampulheta
porque o tempo tarda mas não finda

Artur Gomes
foto.poesia




sábado, 22 de abril de 2017

aline


aline

ainda que o tempo
não me traga o trago
daquele sacramento
em que estivemos juntos
quase dentro da fotografia
entrando no  meu olho
o movimento dos teus músculos
meus músculos nos teus lábios
algaravia exposta em nossa carne
como se uma faca já sangrasse o tempo
num futuro incerto para nunca mais

Artur Gomes
foto.poesia







quarta-feira, 29 de março de 2017

jura secreta 29



jura secreta 29

a luz branca de outono
deságua em mim
como mar de outrora
águas de outras eras
em ondas de sal
pra me benzer  aurora boreal
nos olhos de quem me vê

Artur Gomes




segunda-feira, 6 de março de 2017

remix fulinaímico


Remix Fulinaímico
Diador-in passeia em mim
com suas lâminas acesas
flechas de fogo em estado líquido 
entre a pele e a flor no asco
com meia sola no sapato
meu vapor mais que barato
debaixo da sacada a escada torta
pássaro sem teto acima do delírio
coração de porco crava no oco da noite
a faca cega punhal de cinco estrelas
na constelação do Cão Maior
por onde Úrsula nua passeia
Dédala de Dandi Deusa de Dali lua de Dadá
o poema pode ser um beijo em tua boca
carne de maçã em maio
um beijo oculto no teu corpo aberto
moro no teu mato dentro
não gosto de estar por fora
tudo que me pintar eu invento
como o cio no teu corpo agora
devemos não ter pressa
se te despir for só pecado
é só pecar que me interessa
o sabor da tua língua
o batom da tua boca
por quê trancar as portas
tentar proibiras entradas
se um beija flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável
eu tenho fome de terra
e o teu corpo sob a pele dos meus dedos
agulha em meus instintos
flor de lótus flor de lírios ou mesmo sexo
sendo flor ou faca fosse
entre o mar das tuas coxas
com espada em riste galopamos pradarias
em quantas camas quando então se me amasse
na carne dos lençóis estando assim
nas entre/minhas
com quantos poemas se define uma branquinha?
delírios em mil e uma noites iluminadas
por 20 mil luas de neon
te beijo vestida de nua
com teu corpo lambuzado
:
com chantilly e champignon

Artur Gomes 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017