sexta-feira, 29 de agosto de 2014

oficina cine teatro


Oficina Cine Teatro 
Dia 30 de agosto - 9h às 12h - 14h às 17h
Local: SINASEFE - Rua Álvaro Tâmega, 132
Projeto Ocupação Arte Cultura - Cia Desafio de Teatro

Fulinaíma Produções 
Artur Gomes - Diretor de Produção e Arte 

Rachel Louback - Assistente de Produção 
portalfulinaima@gmail.com (22)99815-1266

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Desejos Fulinaímicos

foto: Artur Gomes

Desejos Fulinaímicos

arde em tua boca 
abaixo do umbigo 
todo fogo de gozar  comigo
abre-se a fenda a porta dos mistérios
penetro pela frente 
penetro hemisférios
rasgando o teu  vestido
e o tecido em  tuas costas
na geografia do  teu corpo
grafito com esperma quente
as unhas em tuas veias
até que entre os dentes
clama por meu  nome
ao comer da minha carne
nua e crua na fogueira
e sem perder a fome
te penetro pela boca
te inventro por inteira

Artur Gomes

15 poemas de Paulo Leminski


Pedimos a 15 convidados — escritores, críticos, jornalistas — que escolhessem os poemas mais significativos de Paulo Leminski. Cada participante poderia indicar entre um e 15 poemas. Escritor, crítico literário e tradutor, Paulo Leminski foi um dos mais expressivos poetas de sua geração. Influenciado pelos dos irmãos Augusto e Haroldo de Campos deixou uma obra vasta que, passados 25 anos de sua morte, continua exercendo forte influência nas novas gerações de poetas brasileiros. Seu livro “Metamorfose” foi o ganhador do Prêmio Jabuti de Poesia, em 1995. Entre suas traduções estão obras de James Joyce, John Fante, Samuel Beckett e Yukio Mishima. Na música teve poemas gravados por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Guilherme Arantes; e parcerias com Itamar Assumpção, José Miguel Wisnik e Wally Salomão.
Paulo Leminski morreu no dia 7 de junho de 1989, em consequência de uma cirrose hepática que o acompanhou por vários anos. Os poemas citados pelos participantes convidados fazem parte do livro “Melhores Poemas de Paulo Leminski”, organização de Fred Góes, editora Global. Abaixo, a lista baseada no número de citações obtidas.

Bem no fundo

No fundo, no fundo,
bem lá no fundo,
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela — silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja quem olhar pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos
saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

Dor elegante

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra

Invernáculo

Esta língua não é minha,
qualquer um percebe.
Quem sabe maldigo mentiras,
vai ver que só minto verdades.
Assim me falo, eu, mínima,
quem sabe, eu sinto, mal sabe.
Esta não é minha língua.
A língua que eu falo trava
uma canção longínqua,
a voz, além, nem palavra.
O dialeto que se usa
à margem esquerda da frase,
eis a fala que me lusa,
eu, meio, eu dentro, eu, quase.

O que quer dizer

O que quer dizer diz.
Não fica fazendo
o que, um dia, eu sempre fiz.
Não fica só querendo, querendo,
coisa que eu nunca quis.
O que quer dizer, diz.
Só se dizendo num outro
o que, um dia, se disse,
um dia, vai ser feliz.

M. de memória

Os livros sabem de cor
milhares de poemas.
Que memória!
Lembrar, assim, vale a pena.
Vale a pena o desperdício,
Ulisses voltou de Tróia,
assim como Dante disse,
o céu não vale uma história.
um dia, o diabo veio
seduzir um doutor Fausto.
Byron era verdadeiro.
Fernando, pessoa, era falso.
Mallarmé era tão pálido,
mais parecia uma página.
Rimbaud se mandou pra África,
Hemingway de miragens.
Os livros sabem de tudo.
Já sabem deste dilema.
Só não sabem que, no fundo,
ler não passa de uma lenda.

Parada cardíaca

Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.
Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.

Razão de ser

Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

Aviso aos náufragos

Esta página, por exemplo,
não nasceu para ser lida.
Nasceu para ser pálida,
um mero plágio da Ilíada,
alguma coisa que cala,
folha que volta pro galho,
muito depois de caída.

Nasceu para ser praia,
quem sabe Andrômeda, Antártida
Himalaia, sílaba sentida,
nasceu para ser última
a que não nasceu ainda.

Palavras trazidas de longe
pelas águas do Nilo,
um dia, esta pagina, papiro,
vai ter que ser traduzida,
para o símbolo, para o sânscrito,
para todos os dialetos da Índia,
vai ter que dizer bom-dia
ao que só se diz ao pé do ouvido,
vai ter que ser a brusca pedra
onde alguém deixou cair o vidro.
Não e assim que é a vida?

Amar você é
coisa de minutos…

Amar você é coisa de minutos
A morte é menos que teu beijo
Tão bom ser teu que sou
Eu a teus pés derramado
Pouco resta do que fui
De ti depende ser bom ou ruim
Serei o que achares conveniente
Serei para ti mais que um cão
Uma sombra que te aquece
Um deus que não esquece
Um servo que não diz não
Morto teu pai serei teu irmão
Direi os versos que quiseres
Esquecerei todas as mulheres
Serei tanto e tudo e todos
Vais ter nojo de eu ser isso
E estarei a teu serviço
Enquanto durar meu corpo
Enquanto me correr nas veias
O rio vermelho que se inflama
Ao ver teu rosto feito tocha
Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha
Sim, eu estarei aqui

Poesia:

“words set to music” (Dante
via Pound), “uma viagem ao
desconhecido” (Maiakóvski), “cernes
e medulas” (Ezra Pound), “a fala do
infalável” (Goethe), “linguagem
voltada para a sua própria
materialidade” (Jakobson),
“permanente hesitação entre som e
sentido” (Paul Valery), “fundação do
ser mediante a palavra” (Heidegger),
“a religião original da humanidade”
(Novalis), “as melhores palavras na
melhor ordem” (Coleridge), “emoção
relembrada na tranquilidade”
(Wordsworth), “ciência e paixão”
(Alfred de Vigny), “se faz com
palavras, não com ideias” (Mallarmé),
“música que se faz com ideias”
(Ricardo Reis/Fernando Pessoa), “um
fingimento deveras” (Fernando
Pessoa), “criticismo of life” (Mathew
Arnold), “palavra-coisa” (Sartre),
“linguagem em estado de pureza
selvagem” (Octavio Paz), “poetry is to
inspire” (Bob Dylan), “design de
linguagem” (Décio Pignatari), “lo
impossible hecho possible” (Garcia
Lorca), “aquilo que se perde na
tradução (Robert Frost), “a liberdade
da minha linguagem” (Paulo Leminski)…

Adminimistério

Quando o mistério chegar,
já vai me encontrar dormindo,
metade dando pro sábado,
outra metade, domingo.
Não haja som nem silêncio,
quando o mistério aumentar.
Silêncio é coisa sem senso,
não cesso de observar.
Mistério, algo que, penso,
mais tempo, menos lugar.
Quando o mistério voltar,
meu sono esteja tão solto,
nem haja susto no mundo
que possa me sustentar.

Meia-noite, livro aberto.
Mariposas e mosquitos
pousam no texto incerto.
Seria o branco da folha,
luz que parece objeto?
Quem sabe o cheiro do preto,
que cai ali como um resto?
Ou seria que os insetos
descobriram parentesco
com as letras do alfabeto?

Sintonia para pressa e presságio

Escrevia no espaço.
Hoje, grafo no tempo,
na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.
Soo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo que cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.

Eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala.

Não discuto

não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino

A lua no cinema

A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.

Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

A lua ficou tão triste
com aquela história de amor
que até hoje a lua insiste:
— Amanheça, por favor!

Sem título

Eu tão isósceles
Você ângulo
Hipóteses
Sobre o meu tesão

Teses sínteses
Antíteses
Vê bem onde pises
Pode ser meu coração

Paulo Leminski

fonte: http://www.revistabula.com/385-15-melhores-poemas-de-paulo-leminski/

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

poéticas fulinaímicas


Poética Fulinaímica

essa vertigem quando penso
teu corpo suspenso 
no espaço e eu aqui
de boca aberta contraceno
com essa língua de agosto
onde sal pimenta e alho
só cabe no tempero posto
quando te inventro na cozinha
sem timidez alguma
minha arara pluma
quando meu corpo luna
em tua pele clara

Artur Gomes
www.pelegrafia.blogspot.com 



Carne Proibida
exibição hoje 20h na Casa Scliar em Cabo Frio

o preço atual proíbes que me coma
ma spr tri estou de graça
prati não tenho preço
sou eu quem me ofereço
a ti: músculo e osso
leva-me à boca 
e completa o teu almoço

Artur Gomes
Poesia Proibida - Direção: Jiddu Saldanha


fotos: Artur Gomes - Fulinaíma

Poética Fulinaímca 2

a língua lambe tua carne pêra
os dentes mordem a maçã de maio
o vinho desce entre  tuas praias
sem nenhum gemido
quanto entro com palavra toda
pelas fendas do teu cais
quem dera fosse esse pulsar pra sempre
essa ternura quântica
pele a pele e nervos
na tecitura dos teus músculos
e esse A maiúsculo entre o vão das coxas
em que o prazer as tantas 
pede orgasmo e gozo 
por todo  mar da praia
com tudo meu em tua boca 

Artur Gomes 
www.juras-secretas.blogspot.com 


pele grafia

meus lábios em teus ouvidos
flechas netuno cupido
a faca na língua a língua na faca
a febre em patas de vaca
as unhas sujas de Lorca
cebola pré sal com pimenta
tempero sabre de fogo
na tua língua com coentro
qualquer paixão re/invento
o corpo/mar quando agita
na preamar arrebenta
espuma esperma semeia
sementes letra por letra
na bruma branca da areia
sem pensar qualquer sentido
grafito em teu corpo despido
poemas na lua cheia

Artur Gomes
Brisa - Direção: Jiddu Saldanha



FULINAÍMA PRODUÇÕES
potalfulinaima@gmail.com


terça-feira, 19 de agosto de 2014

arara rara



“é que me encontro tão pimenta tão petróleo que se você acende os olhos me incendeia” (Salgado Maranhão) jaciara essa arara minha minha arara rara voa e ainda não repara
o que tenho dentro dela os olhos na entrada da janela a porta de dentro no infinito no outro lado de fora sol se espalha a clara luz dourada em teus cabelos entrelaçados entre a pele dos meus pelos assim na bruma nuvem/pluma espuma na areia que se espraia meu sangue pulsando em tua veia tua veia teu sentido em meu olfato teu sangue ao encontro do meu tato pimenta iguarias no meu prato e eu que só conheço teu retrato o fato é que teus olhos me incendeia.



Artur Gomes

Travessia



Travessia


de Almada
vou atravessar o Tejo
barco a vela
Portugal afora
em Lisboa
vou compor um fado
e cantar no Porto
feito blues rasgado
de amor pela senhora
que me espera em paz

e todo vinho
que eu beber agora
será como beijo
que guardei inteiro
como um marinheiro
que retorna ao cais.


artur gomes

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Oficinas Teatrais



Oficinas  Teatrais
Início 14 de agosto - 15 às 18h
montagem do espetáculo: Uma Noite de Natal
até 19 de dezembro todas as quintas neste mesmo horário.
Local: SESC Campos - Direção: Artur Gomes
Oficinas modulares, com diferentes técnicas relativas a montagens de espetáculo, logística de produção e todos as demais expressões utilizadas no palco - dança, música, expressão corporal, sombras, manipulação de objetos, iluminação, coreografia  cenografia na perspectiva experimental.

Dias 29, 30 e 31/8 O Teatro Documentário e as Práticas do Real na Cena Contemporânea, com João Júnior.
13h às 17h – faixa etária 16 anos

Realização: SESC 



Festival Nacional de Cinema de Macaé

Já estão abertas as inscrições para o 4º Macaé Cine! O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no nosso site http://www.macaecine.com.br/regulamento.html
Não esqueça de curtir nossa página no Facebook para ficar por dentro das novidades! https://www.facebook.com/festivalmacaecine?fref=ts

Estamos a disposição.

Att, Paula Portes e João Rocha



Aloha
curta dirigido por Nildo Ferreira e produzido pela Querô Filmes, (Santos),  vencedor do I Festival Nacional de Cinema do IFF que idealizei e coordenei em 2012 continua arrebatando Prêmios pelo Brasil afora.



Artur Gomes
FULINAÍMA PRODUÇÕES
portalfulinaima@gmail.com



terça-feira, 12 de agosto de 2014

Oficinas Teatrais



Oficinas  Teatrais
Início 14 de agosto - 15 às 18h
montagem do espetáculo: Uma Noite de Natal
até 19 de dezembro todas as quintas neste mesmo horário.
Local: SESC Campos - Direção: Artur Gomes
Oficinas modulares, com diferentes técnicas relativas a montagens de espetáculo, logística de produção e todos as demais expressões utilizadas no palco - dança, música, expressão corporal, sombras, manipulação de objetos, iluminação, coreografia  cenografia na perspectiva experimental.

Dias 29, 30 e 31/8 O Teatro Documentário e as Práticas do Real na Cena Contemporânea, com João Júnior.
13h às 17h – faixa etária 16 anos

Realização: SESC 



Festival Nacional de Cinema de Macaé

Já estão abertas as inscrições para o 4º Macaé Cine! O regulamento e a ficha de inscrição estão disponíveis no nosso site http://www.macaecine.com.br/regulamento.html
Não esqueça de curtir nossa página no Facebook para ficar por dentro das novidades! https://www.facebook.com/festivalmacaecine?fref=ts

Estamos a disposição.

Att, Paula Portes e João Rocha



Aloha
curta dirigido por Nildo Ferreira e produzido pela Querô Filmes, (Santos),  vencedor do I Festival Nacional de Cinema do IFF que idealizei e coordenei em 2012 continua arrebatando Prêmios pelo Brasil afora.



Artur Gomes
FULINAÍMA PRODUÇÕES
portalfulinaima@gmail.com



Oficina de Poesia Falada



Oficina de Poesia Falada
De 15 agosto a 6 de setembro 
todas sextas feiras - das 19 às 22h 
Local: Biblioteca Municipal de São Fidélis
Direção: Artur Gomes


seleção de intérpretes para o VI Festival Aberto 
de Poesia Falada de São Fidélis - o Festival acontece

 nos dias 12 e 13 de setembro e oferece uma premiação de R$20.000,00 aos vencedores. A premiação para o melhor intérprete é de R$5.000,00 - Realização: Secretaria de Cultura e Turismo de São Fidélis -

relação dos 35 poemas selecionados aqui:http://www.goytacity.blogspot.com.br/2014/08/vi-festival-aberto-de-poesia-falada-de_1.html



Artur Gomes




FULINAÍMA PRODUÇÕES
(22)99815-1266 - 
portalfulinaima@gmail.com

terça-feira, 5 de agosto de 2014

nu vem mal aimé


Nu Vem Mal Aimé
para Joaquim Branco

comme si
os DADOS
do mal
armados
como numa constelação
comme si
de um golpe
SOL
dados
do bem
caindo
pela
rampa
do
azar
comme si
lançado
de um LANCE
em circunstâncias eternas
comme si
pluma
solitária
perdida
comme si
do fundo
de um naufrágio
nuvem-nuvem névoa branco sopro
por trás
do SONO
comme si
um SOCO
dentro da manhã
comme si de um LANCE
se desmonte o POEMA
se extirpem
os diademas
comme si de um reLANCE
se desmanchem os dramas
e salvas se dissolvam
as tramas
do ACASO
comme ça

Ronaldo Werneck

XXII Congresso Brasileiro de Poesia
XIX Mostra Internacional de Poesia
II Mostra Cine Vídeo Poesia
Bento Gonçalves-RS – 6 a 11 de outubro 2014