domingo, 14 de abril de 2013

poéticas fulinaímicas





Poética 58

palavras trepam
quando ousamos colocá-las
no ápice do desejo
eu quero beijo
na palavra louca
até que escorra em tua boca
mel sal saliva
e a palavra viva
sendo escriDura
desça embaixo o ventre
e abaixo do umbigo entre




Poética 56

mar quando me toma a praia
de espuma e sal
meu corpo é temporal
sem medir tamanho
da paixão que entranha
abissal a dentro
como quando em tua boca
canto toco e entro




poética 53

haveria outra forma de amar-te
arte e paixão tamanha
que entra nas entranhas
quando roça a carne
na pele dessa tela
e vem como quem se deita
e dorme com um poema ereto
entre o vão das coxas





veraCidade

por quê trancar as portas 
tentar proibir as entradas
se eu já habito os teus cinco sentidos

e as janelas estão escancaradas?


um beija flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável

eu tenho fome de terra
e este asfalto sob a sola dos meus pés:
agulha nos meus dedos
quando piso na Augusta

o poema dá um tapa na cara da Paulista
flutuar na zona do perigo
entre o real e o imaginário:
João Guimarães Rosa Martins Fontes Caio Prado
um bacanal de ruas tortas


eu não sou flor que se cheire
nem mofo de língua morta
o correto deixei na cacomanga

matagal onde nasci


com os seus dentes de concreto

São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada 
na carne da rua Aurora


artur gomes

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