segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Índios do Rio Grande do Sul e Greenpeace se destacam em premiação do 13º Fica

Por Anna Beatriz Lisbôa, enviada especial

Bicicletas de Nhanderu é o segundo documentário de Ariel Ortega (Foto: Aline Arruda/divulgação)


O média-metragem pernambucano Bicicletas de Nhanderu foi o grande vencedor da 13ª edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, na Cidade de Goiás. A produção dirigida por Ariel Ortega e Patrícia Ferreira levou o troféu Cora Coralina como melhor obra da competição e um prêmio no valor de R$ 50 mil. Os vencedores foram anunciados em cerimônia na tarde de hoje.

O filme nos leva até a aldeia Koenju, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, onde conhecemos mais sobre o cotidiano e a espiritualidade dos índios Mbya-Guarani. O média-metragem, produzido pela ONG Vídeo nas Aldeias, registra a interação de membros da tribo com a população local, além das transformações em sua cultura decorrente da aproximação com o homem branco. Um momento emblemático é o registro de dois garotinhos da tribo reproduzindo passos de Michael Jackson e cantarolando Thriller, grande sucesso do Rei do Pop. Quando o diretor pergunta quem eles estão imitando, um deles responde, em seu idioma: “Michael, é claro”.

Média-metragem registra costumes de tribo

O registro da luta de pequenas aldeias em todo o mundo para manter suas tradições diante da degradação dos locais em que vivem foi um tema recorrente em outras produções exibidas na mostra competitiva, como o média-metragem chinês - premiado na categoria - O Desejo da Vila de Changhu e A Terra da Lua Partida, dos cariocas Marcos Negrão e André Rangel, eleito pela imprensa.

Bicicletas de Nhanderu é o segundo documentário de Ariel Ortega, 25 anos. Para ele, o cinema transformou-se em uma das principais ferramentas para difundir a cultura indígena. “Antigamente, os indígenas mantinham sua cultura por meio da oralidade. Hoje, é importante ter a câmera para manter a cultura e levá-la para fora das aldeias”, acredita.

O prêmio de melhor longa-metragem foi para o documentário holandês Os Guerreiros do Arco-íris da Ilha de Waiheke, de Suzanne Raes.  O filme revisita as lembranças de um grupo de pioneiros do Greenpeace, que, a bordo do barco Rainbow Warrior (“Guerreiro do Arco-íris”), lutavam contra testes nucleares. Entretanto, sua missão foi interrompida quando a embarcação foi bombardeada em 1985. Hoje, os ativistas vivem em Waiheke, uma ilha na Nova Zelândia.

Susi Newborn, uma das ativistas do Rainbow Warrior, representou o longa no festival. “Muitos filmes já foram feitos sobre o Rainbow Warrior, inclusive por atores de Hollywood – todos muito ruins. Quando recebi o e-mail de Suzanne não respondi, mas ela continuou insistindo, como bons diretores fazem”, relembra Susi. “Em uma viagem de reconhecimento, ela nos mostrou o seu trabalho, e foi a qualidade de seus filmes que nos convenceu a deixá-la entrar em nossas vidas.”

Susi acredita que a história pode servir de exemplo às novas gerações. “Espero que o filme inspire gerações futuras. Nós não tínhamos dinheiro, mas tínhamos vontade e não aceitávamos ‘não’ como resposta.”

O longa Lixo Extraordiánio, coprodução entre Brasil e Inglaterra indicado ao Oscar de melhor documentário este ano, levou o prêmio de júri popular. Lucy Walker assina a direção do filme, com codireção de João Jardim e Karen Harley. “Fico feliz de ver como o filme vem cumprindo a função de valorizar o catador pelo trabalho importante que ele faz para nós, que produzimos lixo”, disse João Jardim.

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