terça-feira, 29 de novembro de 2011

EndriDentes



jura secreta 14

eu te desejo flores
lírios brancos margaridas
girassóis
rosas vermelhas
e tudo quanto pétala
asas estrelas borboletas
alecrim bem-me-quer e alfazema


eu te desejo emblema
deste poema desvairado
com teu cheiro
teu perfume
teu sabor, teu suor
tua doçura

e na mais santa loucura
declarar-te amor até os ossos

eu te desejo e posso
palavrarte até a morte
enquanto a vida nos procura


EntriDentes

queimando em mar de fogo me registro
bem no centro do teu íntimo
lá no branco do meu nervo brota
uma onde que é de sal e líquido
procurando a porta do teu cais

teu nome já estava cravado nos meus dentes
desde quando sísifo olhava no espelho
primeiro como mar de fogo
registro vivo das primeiras eras
segundo como flor de lótus
cravado na pele da flor primavera
logo depois gravidez e parto
permitindo o Logus quando o mar quisera


EntriDentes 5


o grito
desestrutura o silêncio
atrás da porta
a lâmina acesa
sangra
sob a luz do abajour lilás
a faca escreve
a palavra morta
dois gumes
na noite que estremece
a voz que cala
e o assassino
limpa a lâmina
como quem come
sua última refeição


artur gomes

o mundo ronca


entre o que fala
e cala
a cara
abre-se
dentro da
madrugada
desperta
aperta o nó
e segue
alerta
contra o som
do que não veio
o silêncio
grita entre
a janela e a porta
e no quintal dos fundos
o mundo ronca
sobre tudo
aquilo
que não tenho

arturgomes

rima cabrunco

sábado, 26 de novembro de 2011

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

poema da madrugada

a cara fala
         e cala
entre o que
não         há
e    o     que
não   existe
sem  haver
      - ser -
não       ter
      - só –


may pasquetti

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

lua luanda vem não vá embora

Video com poema de Atur Gomes musicado e cantado por Paulo Ciranda

Lavra/palavra

a lavra da palavra quero
quando for pluma
mesmo sendo espora
felicidade uma palavra
quando a lavra explora

se é saudade dói
mas não demora
e sendo fauna
linda como a flora
lua luanda
vem não vá embora

se for poema
fogo do desejo
quando for beijo
que seja como agora

Artur Gomes

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

a lavra da palavra quero

a lavra da palavra quero
video com poesia de Artur Gomes e trilha sonora de Adriana Calcanhoto. Filmado em Cabo Frio e Rio de Janeiro – janeiro de 2010

to te esperando
vídeo com trilha sonora de Cassia Eller com roteiro de direção de Artur Gomes

sábado, 19 de novembro de 2011

conexões urbanas cine vídeo poesia

conexões urbanas
Vídeo produzido no conexões urbanas com imagens captadas no entorno do ciep Wilson Batista – parque Guarus – Campos dos Goytacazes – trilha sonora Luiz Ribeiro/Avyadores do Brazyl

reserva de alegria
Video produzido no conexões urbanas com imagens captadas no ciep Clóvis Tavares – Parque Leopoldina - Campos dos Goytacazes – trilha sonora Edvaldo Santana

teatro do absurdo
Video produzido no projeto MultiArte Teatro do Absurdo na Oficina realizada em Cardoso Moreira – setembro 20o9

Conexões Urbanas




Hoje mais uma edição do projeto Conexões Urbanas no Colégio Estadual Paulo Barroso, uma realização do Sesc Ri0 com execução do Sesc  Campos, com Oficinas de Skate, Graffiti, Street Dance, Street Ball e Cine Vídeo. Conexões Urbanas tem coordenação de Heloisa Landin e produção de Nelson Martins.

Com os professores: Jorginho(basquete), Luciano Paes(skate), Tim Carvalho(dança), Jhony Nunes(graffiti) e Artur Gomes(cine vídeo). 

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

oficina experimental Cine Teatro

oficina experimental 9

Oficina experimental cena 4

Oficina experiemtnalc ena 5

Oficina experimental marco zero

Oficina experiental cena 8

Oficina experimental cena 6

Oficina experimental cena 3

Oficina experimental cena 7

Oficina experimental cena 1

Oficina experimental cena 2

Videos produzidos na Oficina experimental Cine Teatro realizada no Núcleo de Produção Áudio Visual de Taubaté em março de 2010, tendo em cena os atores Marcio Vaccarri, Júnior Vaccari, Andréa Moreira Lima, Reubes Pess e Ana Tavares, com Direção de Artur Gomes

a coreografia dos pés a vídeo.grafia das mãos


Oficina Cine Vídeo IFF Campus Campos – Centro – A Coreografia dos Pés a Vídeo.Grafia das Mãos com trilha sonora da banda de Rock Carioca: Riverdies, que tem entre os seus integrantes o guitarrista Filipe Barbosa Buchaul Gomes (Fil Buc), filho do poeta Artur Gomes professor da Oficina Cine Vídeo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

oficina cine vídeo urbanidades

 Trilhos urbanos

Sabor de fruta mordida

Tô te esperando

Vídeos realizados com imagens captadas na Oficina Cine vídeo Urbanidades, realizada em 2009 no Sesc Campos, tendo como pano de fundo a prática de skate, e a inserção de imagens captadas na cidade e sua periferia

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

janela indiscreta


 estamos desenvolvendo com os alunos da Oficina Cine Vídeo no IFF Campus Campos – Centro, um exercício com o OLHAR sobre as janelas, os corredores e o entorno do próprio ambiente onde eles permanecem durante o seu período escolar. Começamos também a exercitar o OLHAR sobre a própria Arte, e o conceito e a importância que cada um a percebe em sua vida.

Nestes vídeos acima, os alunos entrevistam o Professor  Diomarcelo Pessanha sobre o seu conceito de fotografia, e através de uma Janela Indiscreta captam imagens da vida cotidiana do IFF ao som do cantor e gaitista Brasiliense Engels Espíritos. No momento todos os alunos que freqüentam a Oficina Cine Vídeo são também alunos da Oficina de Fotografia. 

no meio do caminho tinha uma pedra



"No meio do caminho" é o que se pode chamar de poema-escândalo. Publicado pela primeira vez na modernista Revista de Antropofagia, em 1928, deflagrou uma saraivada de críticas na imprensa. 

Violentos, irônicos, corrosivos, os críticos simplesmente desancavam o autor dos versos e diziam, em suma, que aquilo não era poesia.

Reacionários e gramatiqueiros, eles se sentiam provocados pelas repetições do poema e pelo "tinha uma pedra" em lugar de "havia uma pedra". 

Em 1967, para marcar os 40 anos do poema, Drummond reuniu o extenso material publicado sobre ele no volume Uma Pedra no Meio do Caminho -- Biografia de um Poema (Editora do Autor).  

Vale aqui fazer apenas uma pergunta. Havia milhares de poemas modernistas que a crítica conservadora achava ruim ou desqualificava como literatura.

Por que, então, detonaram todas as suas baterias contra a pedra no caminho?

Seria talvez pelo fato de que Drummond — o mais completo modernista — pôs realmente o dedo na ferida e incomodava mais?


no meio do caminho


No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.



Carlos Drummond de Andrade



In Alguma Poesia
Ed. Pindorama, 1930
© Graña Drummond



Fonte: http://www.algumapoesia.com.br/drummond/drummond04.htm

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

fulinaimicamente


fulinaimicamente
do som dessa palavra
nasce uma outra palavra
fulinaimicamente
no improviso do repente
do som dessa palavra
nasce uma outra palavra
fulinaimicamente
brasileiro sou bicho do mato
brasileiro sou pele de gato
brasileiro mesmo de fato
yauaretê curumim carrapato
em rio que tem piranha
jacaré sarta de banda
criolo tô na umbanda
índio fui dentro da oca
meu destino agora traço
dentro da aldeia carioca
Jackson do Pandeiro
Federico Baudelaire
nas flores do mal me quer
Artur Rimbaud na festa
de janeiro a fevereiro
itamar da assunção
olha aí Zeca Baleiro
no olho do mundo
no olho do mundo cão
arturgomes

fulinaimicamente


este vídeo com poema de Artur Gomes, musicado e cantado por Naiman, realizado na cidade gaúcha de Bento Gonçalves durante a programação do Congresso Brasileiro de Poesia, será exibido na Mostra de Curtas Urbanos, dia 4 de dezembro das 13 às 114hs no Sesc Campos, dentro da programação do projeto Radicais Livres fazendo o encerramento do projeto Conexões Urbanas, que durante o ano percorreu 8 Cieps na periferia da cidade de Campos dos Goytacazes.

do som dessa palavra
nasce uma outra palavra
fulinaimicamente
no improviso do repente
do som dessa palavra
nasce uma outra palavra
fulinaimicamente
brasileiro sou bicho do mato
brasileiro sou pele de gato
brasileiro mesmo de fato
yauaretê curumim carrapato
em rio que tem piranha
jacaré sarta de banda
criolo tô na umbanda
índio fui dentro da oca
meu destino agora traço
dentro da aldeia carioca
Jackson do Pandeiro
Federico Baudelaire
nas flores do mal me quer
Artur Rimbaud na festa
de janeiro a fevereiro
itamar da assunção
olha aí Zeca Baleiro
no olho do mundo
no olho do mundo cão

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

paisagem



esta paisagem sinistra
me instiga ao tapa no poema
não conheço o dia de ontem
desejo filmes que nunca vi
universos que ainda não toquei
a menina na outra janela
da casa de hilda hilst
ana beatriz não mora mais aqui
a cidade cicatriza suas feridas
com a saliva dos mortos
eu quero a língua dos vivos
arrisco a palavra risco
como se fosse meus olhos
entre seus dedos de tintas
e aquela paisagem de cima
fosse apenas bem-te-vi


arturgomes

entredentes 3


entredentes 3

olhei a cara do tempo
ela estava fechada
não me dizia nada
pensei as sagaranagens
que o tempo fazia comigo
peguei do tempo o umbigo
cortei na ponta da faca
e a tua cara de vaca
sangrei sem nenhum remorso
porque isso o tempo n]ao tem
agora o tempo sorri
me mostra os dentes de boca
e tua cara de louca
é a minha cara também

arturgomes

terça-feira, 1 de novembro de 2011

VeraCidade




veraCidade

porque trancar as portas 
tentar proibir as entradas
se eu já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas?
um beija flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável
eu tenho fome de terra
e este asfalto sob a sola dos meus pés:
agulha nos meus dedos

quando piso na Augusta
o poema dá um tapa na cara da Paulista
flutuar na zona do perigo
entre o real e o imaginário:
João Guimarães Rosa Martins Fontes Caio Prado
um bacanal de ruas tortas
eu não sou flor que se cheire
nem mofo de língua morta
o correto deixei na cacomanga
matagal onde nasci
com os seus dentes de concreto
São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada  
na carne da rua aurora



Jura Secreta 18

te beijo vestida de nua
somente a lua te espelha
nesta lagoa vermelha
porto alegre caís do porto
barcos navios no teu corpo
peixes brincam no teu cio
nus teus seios minhas mãos

e as rendas íntimas que vestias
sobre os teus pêlos ficção
todos os laços dos tecidos
e aquela cor do teu vestido
a pura pele agora é roupa
e o baton da tua boca
e o sabor da tua língua
tudo antes só promessa
agora hóstia entre os meus dentes
para espanto dos decentes
te levo ao ato consagrado

se te despir for só pecado
é só pecar que me interessa

arturgomes