segunda-feira, 31 de outubro de 2011

heloisa curzio - ensaio



os lápis traçam suas trilhas
trançam telas
seduções para os olhos
de quem chega
transitam
entre a pulsação das cores
e o traçado
que o seu corpo agita
para que o olhar
não saia
das suas mãos de tintas

arturgomes

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Leveza



o poema as vezes é sabre
lâmina fina como o vento
ou folhas suspensas
sobre um verde
quase água
quase pluma
levita sobrevoa se espraia
na voragem do dia
como os dedos da moça
ao atiçar o clic
no instante exato da fotografia

arturgomes

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

hoje no sesc campos - ReVirando a Tropicália

Sesc Rio apresenta:
70 Anos que Não se Foram
Artur Gomes e Dizzy Ragga
participação especial do tecladista Júnior Brasil
ReVirando a Tropicália
Espaço Plural – 19:00h
Entrada Franca


foto: helo landin


 me encanta mais teus olhos
que o plano piloto de brasília
o palácio do planalto o alvorada
me encanta mais as mãos da namorada
que a bandeira do brasil
o céu de anil a tropicalha

quero muito mais a carNAvalha
que a palavra açucarada
procuro  a palavra sal
do suor da carne bruta
a flor de lótus do cio da fruta
mesmo quando for somente espinhos
me encanta muito mais
os pés que a lata chuta
por entender que a vida é luta
e abrir novos caminhos

me encanta mais na lama o lírio
a flor do láscio
os olhos da minha filha
que o ouro dessas quadrilhas
que habitam esses palácios

arturgomes

terça-feira, 18 de outubro de 2011

o amor é cruel


O amor é cruel

Poesia no cone manifesto

tô na rua na cidade en a periferia

o risco


atravessar as portas
ultrapassar janelas
paredes muros cidades
o risco
de te matar
saudade
dentro da boca que quero
de penetrar garganta
laringe esôfago estômago
enquanto
dançamos bolero
sendo um tango
enquanto fado
arrisco
o beijo guardado
num copo de vinho
ou de menta
sabor de pimenta
e alho

e o doce mel da pimenta
enquanto a palavra
entra
pelos teus olhos e abras
teu cais do porto
fechado

arrisco
meus dedos e dados
nos lances mais atrevidos
dos nossos sextos sentidos
por tudo que foi esperado

artur gomes

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Celso Borges e Lirinha




estudantes do liceu de humanidade em protesto ao som de celso borges e lirinha

se for poema fogo do desejo

vídeo com artur gomes e may pasquetti
no parque das ruínas santa teresa, rio de janeiro,
filmados por jiddu saldanha

conexões urbanas cine vídeo poesia


vídeo com Artur Gomes falando o seu poema Jazz Free Som
Balaio - conexões urbanas - trilha sonora: Madan - imagens 
captadas no ciep wilson batista - campos dos goytacazes

conexões urbanas 1



vídeo com imagens do entorno do ciep wilson batista em campos
dos goytacazes - trilha sonora luizz ribeiro - avyadores do brazyl

dani rauen - qualquer lá


saiba mais aqui www.danirauen.com.br

dani rauen - após o bip


saiba mais aqui www.danirauen.com.br

Lua Luanda vem não vá embora

Video com poema de Atur Gomes musicado e cantado por Paulo Ciranda

Lavra/palavra

a lavra da palavra quero
quando for pluma
mesmo sendo espora
felicidade uma palavra
quando a lavra explora

se é saudade dói
mas não demora
e sendo fauna
linda como a flora
lua luanda
vem não vá embora

se for poema
fogo do desejo
quando for beijo
que seja como agora

Artur Gomes
http://artur-gomes.blogspot.com

Isadora musa da minha cannon


Video com poema de Artur Gomes, musicado e cantado
por Naiman,  faixa do CD Fulinaíma Sax Blues Poesia

 

baby é cadelinha


devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob o esterco de Vênus
onde me perco mais
me encontro menos
visto uma vaca triste
como a tua cara
estrela cão gatilho morro:
a poesia é o salto de um vara

disse-me uma vez só quem não me disse
ferve o olho do tigre quando plasma
letal a veia no líquido do além
cavalo máquina
meu coração quando engatilho

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os demônios de Eros
onde minto mais
porque não veros
fisto uma festa mais que tua Vera:
a poesia é o auto de uma fera

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os panos
quem incesta?
perfume o odor final do melodrama
misto uma merda amais que tua garra:
a poesia é o fausto de uma farra


arturgomes

Dani Rauen - Qualquer Lá



 Dani Rauen,  lançou no dia 1 de outubro com um magnífico show no Teatro Renascença em Porto Alegre, o seu mais novo CD Qualquer Lá. Vocalista há uma década da banda de rock Suco Elétrico, em Qualquer Lá, Dani se re-Inventa com um repertório primoroso, onde pode explorar intensamente a sua bela voz nas 12 faixas que compõem o disco.

Dani Rauen, descobriu que sabia cantar no choveiro e revelou sua voz num show de calouros na escola em 1982, quando cantou “A Guerra dos Meninos” de Roberto Carlos quando tinha 8 anos. Estudou piano dos 8 aos 22. Com a banda Suco Elétrico percorreu estradas, muito rock, festivais, abriu shows dos Mutantes, MTV, um disco oficial, disco novo em produção. E agora em Qualquer Lá se aventura numacarreira solo.

Para saber mais sobre e ouvir o CD entre no site www.danirauen.com.br

ReVirando a Topicália

Luiz Otávio Oliani e Artur Gomes - no Hotel VinoCap em Bento Gonçalves - durante o XIX Congresso Brasileiro de Poesia

  Sesc Rio apresenta:
Artur Gomes: ReVirando a Tropicália
Participação especial do rapper Dizzy Ragga
Dias 26 e 27 outubr0 – 19:00h
Espaço Plural – Sesc Campos


Viajei De Trem


Fugi pela porta do apartamento
Nas ruas, estátuas e monumentos
O sol clareava num céu de cimento
As ruas, marchando, invadiam meu tempo
Viajei de trem
Viajei de trem
Viajei de trem
Viajei de trem, eu vi...
O ar poluído polui ao lado
A cama, a dispensa e o corredor
Sentados e sérios em volta da mesa
A grande família e o dia que passou
Viajei de trem, eu viajei de trem
Eu viajei de trem, mas eu queria
Eu viajei de trem, eu não queria...
Eu vi...
Um aeroplano pousou em Marte
Mas eu só queria é ficar à parte
Sorrindo, distante, de fora, no escuro
Minha lucidez nem me trouxe o futuro
Viajei de trem
Viajei de trem
Viajei de trem
Viajei de trem, eu vi...
Queria estar perto do que não devo
E ver meu retrato em alto relevo
Exposto, sem rosto, em grandes galerias
Cortado em pedaços, servido em fatias
Viajei de trem
Eu viajei de trem
Mas eu queria
É viajar de trem
Eu vi...
Seus olhos grandes sobre mim
Seus olhos grandes sobre mim

Sérgio Sampaio


Desde que saí de casa
trouxe a viagem da volta
gravada na minha mão
e enterrada no umbigo 
dentro e fora assim comigo
minha própria condução

Todo dia é o dia dela
pode não ser pode ser
abro a porta e a janela 
todo dia é dia D

Há urubus no telhado
e a carne seca é servida
um escorpião encravado
na sua própria ferida
não escapa só escapo
pela porta da saída

Todo dia é mesmo dia
de amar-te e a morte morrer;
todo dia é mais dia, menos dia
é dia D.

Torquato Neto

VeraCidade

por quê trancar as portas 
tentar proibir as entradas 
se já habito os teus cinco sentidos 
e as janelas estão escancaradas ? 

um beija flor risca no espaço 
algumas letras de um alfabeto grego 
signo de comunicação indecifrável 
eu tenho fome de terra 
e esse asfalto sob a sola dos meus pés 
agulha nos meus dedos 

quando piso na Augusta 
o poema dá um tapa na cara da Paulista 
flutuar na zona do perigo 
entre o real e o imaginário 
João Guimarães Rosa Caio Prado Martins Fontes 
um bacanal de ruas tortas 

eu não sou flor que se cheire 
nem mofo de língua morta 
o correto deixei na cacomanga 
matagal onde nasci 

com os seus dentes de concreto 
São Paulo é quem me devora 
e selvagem devolvo a dentada 
na carne da rua Aurora 

Artur Gomes

terça-feira, 11 de outubro de 2011

terra de santa cruz







ao batizarem-te
 deram-te o nome: puta
posto que a tua profissão
é abrir-te em camas
dar-te em
ferro
ouro
prata
rios
peixes
minas
mata
deixar que os abutres
devorem-te na carne
o derradeiro verme

salve-lindo pendão que balança
entre as pernas abertas da paz
tua nobre sifilítica herança dos rendevouz
de impérios atrás

meu coração é tão hipócrita
que não janta
e mais imbecil que ainda canta:
ou
viram no Ipiranga
 às margens plácidas
uma bandeira arriada
num país que não levanta.

fosse o brazil mulher das amazonas
caminhasse passo a passo
disputasse mano a mano
guardasse a fauna e a flora
da fome dos tropicanos
ouvisse o lamentos dos peixes
jandaias araras e tucanos
não estaríamos assim
condicionados
aos restos do sub-humano

desfraldando a bandeira tropicalha
é que a gente avacalha com as chaves dos mistérios
desta terra tão servil:
 tirania sacanagem safadeza
tudo rima uma beleza
com a pátria mãe que nos pariu

bem no centro do universo
 te mando um beijo ó amada
enquanto arranco uma espada
do meu peito varonil
espanto todas as estrelas
dos berços do eternamente
pra que acorde toda esta gente
deste vasto céu de anil
pois enquanto dorme o gigante
esplêndido sono profundo
não vê que do outro mundo
robôs te enrrabam ó mãe gentil!

telefonaram-me
avisando-me que vinhas
na noite uma estrela
ainda brigava contra
a escuridão
na rua sob patas
tombavam homens indefesos
esperei-te 20 anos
até hoje não vieste à minha porta
- foi u m puta golpe

o poeta estraçalha a bandeira
raia o sol marginal Quinta feira
na geléia geral brazileira
o céu de abril não é de anil
nem general é my brazil

minha verde/amarela esperança
portugal já vendeu para a frança
é o coração latino balança
entre o mar de dólar do norte
e o chão dos cruzeiros do sul

o poeta esfrangalha a bandeira
raia o sol marginal Sexta feira
nesta porra estrangeira e azul
que a muito índio dizia:

meu coração marçal tupã
sangra tupi & rock in roll
meu sangue tupiniquim
em corpo tupinambá
samba jongo maculelê
maracatu boi bumbá
a veia de curumim
é coca cola e guaraná

o sonho rola no parque
o sangue ralo no tanque
nada a ver com tipo dark
muito menos com punk
meu vício letal é baiafro
com ódio mortal de yank

ó baby a coisa por aqui não mudou nada
embora sejam outras siglas no emblema
espada continua a ser espada
poema continua a ser poema

In Couro Cru & Carne Viva