terça-feira, 20 de setembro de 2011

paulo ciranda no velho armazem


Paulo Ciranda
Neste sábado, 24 de setembro – 21:00hs
Com participação do percussionista Marcos Niedo
Local: Velho Armazém
Praia de São Francisco, 6 – Niterói-RJ

poema de Artur Gomes musicado e cantado por Paulo Ciranda


a lavra da palavra quero
quando for pluma mesmo sendo espora
felicidade uma palavra
onde a lavra explora
se é saudade dói mas não demora
e sendo fauna linda como a flora
lua luanda vem não vá embora
se for poema fogo do desejo
quando for beijo
que seja como agora

arturgomes

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O Delírio é a Lira do Poeta



 Desde a primeira vez que pisaram juntos o palco, em 2006 para homenagear Mário Quintana, que Artur Gomes e May Pasqueti vem afinando a química que os envolve num diálogo refinado que vai do delírio do lírico ao delicado do Erótico. Eles já foram atração na Fenavinho, em 2007, com Celebração do amor em Estado de Vinho e Uva, e no Congresso Brasileiro de Poesia em Bento Gonçalves.

Em Bento Gonçalves voltaram a estar juntos em, 2009  e 2010, bem como no Parque das Ruínas em Santa Teresa – Rio de Janeiro no evento Pop Rock Poesia, onde foi filmado o vídeo abaixo. Este ano com um repertório que vai da poesia de Artur Gomes a Sérgio Sampaio, passando por Torquato Neto, Paulo Leminski, Adélia Prado e Affonso Romano de Sant´anna eles apresentam o espetáculo poético O Delírio é A Lira do Poeta se o Poeta Não Delira sua Lira não Profeta.

Delírio 1

de Dante a Chico Buarque 
todos os poetas 
já cantaram suas musas 

Beatriz são muitas 
Beatriz são quantas 
Beatriz são todas 
Beatriz são tantas 

algumas delas na certa 
também já foram cantadas 
por este poeta insano e torto 
pra lhes trazer o desconforto 
do amor quando bandido 

Beatriz são nomes 
mas este de quem vos falo 
não revelo o sobrenome 

está no filme sagrado 
na pele do acetato 
na memória do retrato 
Beatriz no último ato 
da Divina Comédia Humana 
quando deita em minha cama 
e come do fruto proibido 

Delírio 2

te procurei na Ipiranga 
não te encontrei na Tiradentes 
nas tuas tralhas tuas trilhas 
nos trilhos tortos do Braz 
fotografei os destroços 
na íris do satanás 

a cara triste da Mooca 
a vaca morta no trem 
beleza no caos: urbana 
beleza é isso também 

meu bem ainda mora distante 
deste bordel carnavalho 
a droga a erva o bagulho 
Tietê um tonto espantalho 

Delírio 3

nossas palavras escorrem
pelo escorrer dos anos
estradas virtuais fossem algaravias
nosso desejo que não se concreta

e
eu tenho a fome entre os dedos
a sede entre os dentes
e a língua sobre a escrita
que ainda não fizemos

e o que brota desse amor latente
se o desejo é tua boca
no lençol dos dias?

Delírio 4

não sou iluminista nem pretender 
eu quero o cravo e a rosa 
cumer o verso e a prosa 
devorar a lírica a métrica 
a carne da musa 
seja branca negra amarela 
vermelha verde ou cafuza 

eu sou do mato 
curupira carrapato 
sou da febre sou dos ossos 
sou da Lira do Delírio 
São Virgílio é o meu sócio 

Pernambuco Amaralina 
vida breve ou sempre vida/severina 
sendo mulher ou só menina 
que sendo santa prostituta 
ou cafetina devorar é minha sina 
e profanar é o meu negócio 

Delírio 5

- essa estrada que vai dar
no mar dos teus mistérios
ou
essa estrada que vai dar
no mar dos teus silêncios
ou
apenas o caminho para o mar
na coluna vertebral
dos teus suplícios
ou
o poema puro ofício
de te oferecer amor, meu vício
e te querer estrada. sim

Federico Budelaire – viagens insanas


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

trem da consciência


Trem da Consciência

Não espere que eu fale só de estrelas
Ou do vinho feliz
Que eu não tomei
Porque
Fora de mim
Não levo além da sombra
Uma camisa velha
E dentro do peito
Um balde de canções
Uma gota de amor
No útero de uma abelha
Não repare se eu não frequento o clube
Dos que sugam o sangue das ovelhas
Ou amargam o mel
Dessa colméia
É que eu já vivo
Tão pimenta
Tão petróleo
Que se você acende os olhos
Me incendeia
Hoje em dia
Pra gente amar de vera
É preciso ser quase
Um alquimista
Ou talvez o maquinista
Do trem da consciência
Pra te amar com tanta calma
E com tanta violência
Que a tua alma fique
Toda ensanguentada
De vivência

Poema de Salgado Maranhão musicado por Vital Lima e cantado por Zeca Baleiro, no vídeo Érica Ferri filmado por Artur Gomes em Bento Gonçalves.

Artur Gomes
poeta.ator.vídeo.maker
Fulinaíma Produções
 (22)9815-1266


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

jazz free som balaio



ouvidos negros Miles
trumpete nos tímpanos
era uma criança forte
como uma bola de gude
era uma criança mole
como uma gosma de grude
tanto faz quem tanto não me fez
era uma ant/versão de blues
nalguma nigth noite uma só vez
ouvidos brack rumo premeditando o breque
Sampa midinigth ou aversão de Brooklin
não pense aliterações em doses múltiplas
pense sinfonia em rimas raras
assim quando despertas do massificado
ouvidos vais ficando dançarina cara
ao ter-te arte nobre minha musa Odara
ao toque dos tambores ecos sub/urbanos
elétricos negróides urbanóides gente 
galáxias relances luzes sumos pratos
delícias de iguarias que algum deus consente
aos gênios dos infernos que ardem arte
misturas de comboios das tribos mais distantes
de múltiplas metades juntas numa parte


Artur Gomes
poeta.ator.vídeo.maker
Fulinaíma Produções
 (22)9815-1266

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

boca do inferno



injúria secreta


suassuna no teu corpo
couro de cor compadecida
ariano sábio e louco
inaugura em mim a vida

pedra de reino no riacho
gumes de atalhos na pedreira
menina dos brincos de pérola
palavra acesa na fogueira

pós os ismos tudo é pós
na pele ou nas aranhas
na carne ou nos lençóis
no palco ou no cinema
o que procuro nas palavras
é clara quando não é gema

até furar os meus olhos
com alguma cascata de luz
devassa em mim quando transcende
lamparina que acende
e transforma em mel o que antes era pus


arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com

obs.: do livro inédito Juras Secretas, este poema será lançado na Antologia Poetas do Brasil – volume 13 na semana de 3 a 8 de outubro d 2011 na programação do XIX Congresso Brasileiro de Poesia, em Bento Gonçalves-RS

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Cine-debate itinerante em Campos dos Goytacazes

CINE-DEBATE ITINERANTE:  A Subsede do Norte e Noroeste Fluminense do CRP /
RJ apresenta:

"Medicalização da vida escolar"

Curta-metragem que aborda o processo de medicalização da vida. Ele
apresenta, de forma ficcional, como esse processo se concretiza no espaço
escolar e fora dele e torna visível um certo olhar do educador sobre os
educandos, a produção de estigmas e o modo medicalizante como a existência
vem sendo concebida nos dias atuais.

Realização: Helena Rego Monteiro (CRP 05/24180). 2006.

Debatedora convidada: Helena Rego Monteiro (CRP 05/24180)

Mediação: Comissão Gestora do Norte e Noroeste Fluminense - CRP / RJ

Data: 13 de setembro de 2011 Horário: 18 as 20 h
Local: Auditório "Honor Sobral" - *Hospital Álvaro Alvim

A CAIXA Cultural apresenta mostra do cineasta Wim Wenders

CAIXA Cultural apresenta
Wim Wenders - Imagens que Obedecem
Rio de Janeiro - 6 a 18 de setembro
São Paulo - 13 a 25 de setembro
Curitiba - 14 a 21 de setembro


Wim Wenders – Imagens que Obedecem homenageia um dos mais importantes
nomes do cinema mundial, com obras primas como Paris Texas e Asas do
Desejo, reunindo 15 longa metragens dirigidos por Wim Wenders, além de
um documentário sobre sua vida e obra, Os Primeiros Anos de Wim
Wenders. A mostra é produzida pela 3 Moinhos Produções.


A programação completa da mostra pode ser consultada no site
www.mostrawimwenders.com.br


RIO DE JANEIRO
06/09 | terça
19h: Os Primeiros Anos de Wim Wenders


07/09 | quarta
14h30: O Céu de Lisboa
16h30: Asas do Desejo
19h: Paris, Texas


08/09 | quinta
14h30: No Decurso do Tempo
18h: Movimento em Falso
20h: DEBATE: As Imagens de Wim Wenders


09/09 | sexta
14h30: O Estado das Coisas
17h: Tão Longe, Tão Perto
19h30: O Amigo Americano


10/09 | sábado
14h: Medo e Obsessão
16h30: Palermo Shooting
18h30: Até o Fim do Mundo


11/09 | domingo
14h: A Alma de um Homem
16h: Alice nas Cidades
18h30: O Fim da Violência


13/09 | terça
15h: Medo e Obsessão
17h30: O Céu de Lisboa
19h30: Além das Nuvens


14/09 | quarta
15h30: Até o Fim do Mundo
19h: Asas do Desejo


15/09 | quinta
15h: O Fim da Violência
18h: Além das Nuvens
20h: Alice nas Cidades


16/09 | sexta
15h30: No Decurso do Tempo
19h: Tão Longe, Tão Perto


17/09 | sábado
14h: Paris, Texas
17h: Movimento em Falso
19h: O Estado das Coisas


18/09 | domingo
14h30: O Amigo Americano
17h: A Alma de um Homem
19h: Palermo Shooting


Endereços:
Caixa Cultural do Rio de Janeiro
Av. Almirante Barroso, 25, Centro, Rio de Janeiro - RJ | 21 2262-5483
Ingressos: R$ 2 – Inteira / R$1 – meia


Caixa Cultural São Paulo
Praça da Sé, 111 – 8º andar, Centro - São Paulo, S
Ingressos : R$1

Mañana Jueves en el IAGO La ópera "El Conejo y el Coyote" Con Víctor Rasgado

El Instituto de Artes Gráficas de Oaxaca y el Centro de las Artes de San Agustín  los invita al ciclo compositores

La ópera 
"El Conejo y el Coyote"

Con Víctor Rasgado

Ópera  de Francisco Toledo y realizada por Victor Rasgado basándose en las Ilustraciones que el Mtro. Francisco Toledo realizó para un  cuento zapoteca.

Orientada al público infantil.
Jueves 8 de Septiembre
20:00 h
M. Alcalá 507



Durante la plática, el compositor Víctor Rasgado dará una breve lectura introductoria y describirá el material musical empleado en la Ópera "El Conejo y el Coyote". Sucesivamente se mostrará la ópera completa y culminará con una sesión de preguntas.


Víctor Rasgado es un músico de Oaxaca nacido en la tradición de una familia musical donde sobresale la figura de Chuy Rasgado, y de su padre Rodrigo Rasgado que fue violinista en la orquesta Sinfónica de Oaxaca.

Estudió en México, Londres e Italia y sus maestros más importantes fueron Maria Antonieta  Lozano y Franco Donatoni.  Ganó en Europa algunos de los premios más importantes de composición y estrenó con mucho éxito en Spoleto Italia, su ópera ¨Anacleto Morones¨ basada en el cuento homónimo de Juan Rulfo.  El afirma que el destino lo ha llevado a escribir óperas, y la más conocida ha sido Ël Conejo y el Coyote¨que se ha traducido al inglés para ser presentada en Washington, y al Ruso, porque fue estrenada en Uzbekistán.    

 Actualmente trabaja en una nueva ópera para Banda que trata el tema de la migración y que se estrenará en OAxaca proximamente, y  tiene preparada otra nueva ópera que también trabajó con Toledo y su hija Natalia, llamada ¨La Muerte Pies Ligeros¨ y que esperamos ver nacer muy pronto.  En Oaxaca el Mtro. Rasgado da clases todos los meses en el Centro de las Artes de San Agustin Elta, desarrollando desde hace ocho años el Taller de Creación Musical junto con Maria Cristina Gálvez. 


e por falar em trabalho escravo



Tecidos sobre a pele

Terra,
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua
da minha boca
não cubra mais tua ferida

entre/aberto
em teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
e minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha

amada de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio
o que me dói é ter-te
devorada por estranhos olhos
e deter impulsos por fidelidade

ó terra incestuosa
de prazer e gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro à fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante

minha terra
é de senzalas tantas
enterra em ti
milhões de outras esperanças
soterra em teus grilhões
a voz que tenta – avança
plantada em ti
como canavial que a foice corta
mas cravado em ti
me ponho a luta
mesmo sabendo  - o vão
estreito em cada porta

usina
mói a cana
o caldo e o bagaço
usina
mói o braço
a carne o osso
usina
mói o sangue
a fruta e o caroço
tritura suga      torce
dos pés até o pescoço

e do alto da casa grande
os donos do engenho controlam
: o saldo e o lucro

arturgomes

obs.: publicado originalmente em 1985 no livro Suor & Cio este poema será lançado na Antologia Poetas do Brasil – volume 13 na semana de 3 a 8 de outubro dentro da programação do XIX Congresso Brasileiro de Poesia

terça-feira, 6 de setembro de 2011

BESTIARIO DEL DIOSCÓRIDES


El Instituto de Artes Gráficas de Oaxaca los invita a la Inauguración  
 Luis Moro
Bestiario del Dioscórides

Viernes 9 de septiembre de 2011
19:00 hrs.
Macedonio Alcalá 507


 BESTIARIO DEL DIOSCÓRIDES


A Luis Moro su particular Bestiario le persigue. Por fortuna, fecundamente, porque parece inagotable. La abstracción de su pintura siempre estuvo poblada de animales terrestres, volátiles, acuáticos; mitad seres reales, mitad ensoñaciones. En cualquier caso, seres siempre fantásticos.

Durante años, y van más de treinta de trabajo, el pintor segoviano ha indagado en un universo lleno de vida irracional. Animales en ocasiones más fieros que bestias, en otras mansos y amables.

Ese bestiario íntimo de Moro ha dado al artista magníficos resultados y en el "Año del doctor Andrés Laguna", su bestiario particular ha dejado de ser menos particular y más ilustrativo.
         
El bestiario de Moro encaja a la perfección con aquel otro Bestiario que el médico y humanista del siglo XVI dejo impreso en el Dioscórides Anazarbeo.
     
Luis Moro presentó  en la Galería "La Casa del siglo XV" y en la Feria Estampa de Madrid una versión moderna del Bestiario. El medio centenar de páginas que en su traducción del Dioscórides dedica Andrés Laguna al Bestiario, ha recibido nuestras ilustraciones -cerca de sesenta- ideadas por Moro, cuatro siglos después del original.     

Los grabados y los dibujos que dieron pie a esas ilustraciones del moderno Bestiario son los que recoge la exposición con arañas, salamandras, caballitos de mar, ranas, gallos y otros seres medicinales o no, pero siempre en evocación abstracta.

Teresa Sanz Tejero

sábado, 3 de setembro de 2011

tropicalha



jura secreta 89

a face oculta da maçã
duas partes
que se abremn pêssegos
campos de girassóis
teus pêlos alvoroçados
sob o sol de masterdã
enquanto isso em teus mamilos
penso
o que ainda não comi desta maçã



tropicalha

vendo
a lua leviana
no império das bananas
papagaios piriquitos graviola

a fruta eu chupo morena
semente eu planto cigana
na selva pernambucana
nossa língua deita e rola


arturgomes

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

POESIA ESSENCIAL


                                   


Caros amigos

Não comentarei aqui o triste acidente ocorrido em Santa Teresa. (Alguém tem dúvida de que essa é uma maneira de acabar com os bondes?) nem a declaração de um chefe de polícia de que "A Milícia mata mais que o tráfico"; a morte por atropelamento causada pelo ex-responsável pelo projeto da Lei Seca ou a cassação da carteira da Diretora do Detran. O que hoje é notícia, amanhã é estatística, principalmente em relação às mortes. Foram-se as pessoas. O governo lamenta, mas dá três dias de luto pela morte de um funcionário da Rede Globo.

Eu não sei bem o que isso significa, e talvez não alcance jamais. 



É que sozinha, no meu retiro, às vezes quero comentar os acontecimentos. Mania de ser gregário que ainda subsiste. Mas os acontecimentos de agora são também os não acontecimentos, tipo: "A notícia de última hora é para informar que o terceiro filho do ditador NÃO foi preso". Ou "A vitória ainda NÃO foi alcançada. Coisas assim, do avesso. 
Melhor é manter distância e partir para o que é alto, para o que nos estimula e encanta. Falo aqui do volume da Série Essencial editada pela Academia Brasileira de Letras sobre o poeta Raimundo Correia, de autoria do poeta e ensaísta Augusto Sérgio Bastos.

A melancolia, que acompanhou Raimundo Correia durante toda a vida, mais a doença e o desgosto causado pelos invejosos ante às suas qualidades de versejador se dissipam durante a leitura do texto que lhe dedicou Augusto Sérgio Bastos, também um poeta essencial. A voz que ouvimos é a de quem compreende, de quem fala com tanta naturalidade e conhecimento sobre a vida, profissão e poesia de RC que bem poderia ter sido um contemporâneo, um amigo, uma testemunha daqueles tempos.


Raimundo Correia todo o mundo conhece, ou quase todo o mundo que gosta de poesia, mas Augusto Sérgio Bastos não é devidamente conhecido e eu, que gosto de homenagear os vivos, quero informar também que ele é um grande contador de histórias. E estará no próximo dia 5 de setembro falando sobre Raimundo Correia, não só sobre o que está no livro, mas também contando casos interessantes da vida do poeta. No Pen Club, às 18 horas, na Praia do Flamengo 172- 11º andar. É para não perder. Como disse o próprio Augusto em seu poema


Cotidiano 


Há que se vender jornais: 
isso o jornaleiro faz.
Há que se controlar o trânsito:
isso o guarda na esquina faz.
Há que se varrer as ruas:
isso o gari agora faz.


Há que se tirar o pó das palavras:
isso só o poeta faz.

Deixo-lhes, portanto, um dos mais famosos poemas de Raimundo Correia e, naturalmente, um do poeta Augusto Sérgio Bastos.




Mal Secreto 
Raimundo Correia

Se a cólera que espuma, a dor que mora 
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;


Se se pudesse o espírito que chora
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!


Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga cancerosa!


Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja a ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!



Cruzes 
Augusto Sérgio Bastos



Cruzes são braços magros
Braços que nunca se fecham
Braços que nunca se tocam


Vigiam do alto do morro
Acolhem na torre da igreja
Espantam no milharal


Alguns carregam às costas
A outros servem de culto
Que a elas pedem socorro


Com esses vão para o túmulo.

Obs: Não resisto dizer que reparei, na capa, tratar-se de uma edição impressa pela imprensa oficial. Pensei logo que a imprensa oficial seria a do Estado do Rio de Janeiro. Não mesmo. É a do governo de São Paulo que faz imprimir a coleção. Alguma surpresa nisso? ...


Helena Ortiz em integrada e marginal