terça-feira, 30 de agosto de 2011

dani rauen após o bip


 show de lançamento do CD dia 1 de outubro no Renascença em Porto Alegre

esfinge


Poema de Artur Gomes musicado por Rodrigo Bittencourt que será lançado em CD por Daniela Rauen, com show no Renascença em Porto Alegre dia 1 de outubro

o amor
não e apenas um nome
que anda por sobre a pele

um dia falo letra por letra
no outro calo fome por fome
é que a flor da minha pele
consome a pele do meu nome

cravado espinho na chaga
como marca cicatriz
eu sou ator ela esfinge
ana alice/beatriz

assim vivemos cantando
fingindo que somos decentes
para esconder o sagrado
em nosso profanos segredos

se um dia falta coragem
a noite sobra do medo

na sombra da tatuagem
sinal enfim permanente
ficou pregando uma peça
em nosso passado presente

o nome tem seus mistérios
que se escondem sob panos

o sol e claro quando não chove
o sal e bom quando de leve
para adoçar desenganos
na língua na boca na neve

o mar que vai e vem
não tem volta

o amor é a coisa mais torta
que mora lá dentro de mim
teu céu da boca e a porta
onde o poema não tem fim

artur gomes
http://juras-secretas.blogspot.com/

Fulinaíma Produções
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sábado, 27 de agosto de 2011

monólogo de um pé-vermelho

foto: solange cremasco


amanheci o céu na grama amarelecida
só para comê-lo com pão e margarida

já bem tarde, cansado de ser caçado por uma sombra,
rejeitei as sobras de ser ninguém para ser sol na face de alguém

meio urbano meio caipira tangi vinte liras
fora de moda, pois a moda não é violeta, é de viola

fiz-me assim para ser celestino longe do nepal
caçar rimas e colher sons é uma preferência nacional

nesta noite, quando muitos brigam por sobremesa,
fico de tocaia no prazer de virar a mesa

esfomeado, aguardo a saci astronauta
para complementá-la na perna que lhe falta

saciado, adormeço no seio de um riacho
para acordar numa cama de capim

e assim tudo será como sempre foi:
olhar de índio velho, sorriso de curumim

marco cremasco

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

mar à vista


 essa morte cercada
intra muros
é o que não quero
quero o mar revolto
o furacão
a tempestade
o caldeirão fervendo
em teus olhos de espanto
o óleo não bento
te molhando a boca
e esta flor de cactos
te lambendo as coxas

arturgomes
http://mania-de-saude.blogspot.com

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

como se fosse o trigo


eu quero cada fio
de cabelo do teu corpo
enrolado entre meus dedos
e tua língua brincando de medusa
quando vem e me lambuza
na saliva do teu céu da boca
eu não te quero santa
eu te quero insaciável louca
de amor de fome e sede
e que coma do meu corpo
como se comesse poesia
assim como se fosse o trigo
do teu pão de cada dia

arturgomes

sábado, 20 de agosto de 2011

Black Billy




ela tinha um jeito gal
fatal – vapor barato
toda vez que me trepava as unhas
como um gato
cantar era seu dom
chegava a dominar a voz
feito cigarra cigana ébria
vomitando doses dos eu cnto
uma vez só subiu ao palco
estrela no hotel das prateleiras
companheira de ratos
na pele de insetos
praticando a luz incerta
no auge do apogeu
a morte não é muito mais
que um plug elétrico
um grito de guitarra uma centelha
logo assim que ela começa
algo se espelha
na carne inicial de quem morreu



Jazz Free Som Balaio
Para Moacy Cirne
gravada no CD fulinaíma sax blues poesia

ouvidos negros Miles trumpete nos tímpanos
era uma criança forte como uma bola de gude
era uma criança mole como uma gosma de grude
tanto faz quem tanto não me fez
era uma ant/Versão de blues
nalguma nigth noite uma só vez

ouvidos black rumo premeditando o breque
sampa midnigth ou aversão de Brooklin
não pense aliterações em doses múltiplas
pense sinfonia em rimas raras
assim quando desperta do massificado
ouvidos vais ficando dançarina cara
ao Ter-te Arte nobre  minha musa Odara

ao toque dos tambores ecos sub/urbanos
elétricos negróides urbanóides gente
galáxias relances luzes sumos prato
delícias de iguarias que algum Deus consente
aos gênios dos infernos
que ardem gemem Arte
misturas de comboios das tribos mais distantes
de múltiplas metades juntas numa parte

Artur Gomes



Fulinaíma Produções
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

muito prazer meu nome é poesia

                                                     arturgomes-fotografia.blogspot.com

 agora que as palavras escorrem entre meus dedos e provocam ainda mais teus medos foto grafo folhas semi-mortas e essa coisa torta que me corta feito faca deixo ferir deixo sangrar deixo matar o amor que por acaso me cortou sem saber o bem que me fez e quis fosse ao menos pelo prazer deste poema que agora fiz

arturgomes

terça-feira, 16 de agosto de 2011

teu corpo como cais



como amá-la tanto
seria pelo pranto
que em vão já derramei
ou
pela espera
que sei demora o quanto
o amor
é corpo e alma
e as vezes perco acalma
querendo ir pra bento
e tê-la no vale dos vinhedos
beber teus lábios de vinho
e vê-la entre meus dedos
e o pólen da flor dos parreirais
nesse mar dos olhos dela
tendo seu corpo como cais
até a luz do sol entrar pela janela

artur gomes

ana de amsterdã




leminsk um dia me disse
carteira de indentidade
ser uma coisa freudiana
sonho de burguês da grã bretanha
querendo o sonho dominar
para que o sexo na alemanha
tenha em hitler o exemplar
ana de amsterdã
me pediu que freud explique
se o tal do sexo
é sonho
ou é questão de identifique
porque nas noites de insônia
me vem uma coisa estranha
meu amado vem e me pega
me joga num mar de espanha
eu quero que freud ponha
cada coisa em seu lugar
eu fico meio sem jeito
mas nunca posso negar
que quero essa coisa estranha
até o momento de gozar

arturgomes

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

cidade nua





andar
na periferia do teu corpo
cidade nua
trafegar por tuas ruas
caminhar tuas estradas
me enfiar em tuas curvas
se as flores do mal-me-quer
enfrentar a tua reta
re-inventar a pessoa
comer a tua carne
lamber a tua língua
beber o leite dos teus seios
lambuzar teu sexo
quando estiver no cio
soltar pipas ao vento
e tudo mais que re-invento
e quero mais a carnavalha
muito mais a coisa toda
e a moral tropinicalha
eu quero mais é que se foda

arturgomes

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

inteira e nua



na areia da praia
onde a espuma branca
esperma desse mar
que tenho imenso
nesse vai e vem das ondas
e das horas que espero
o instante do mergulho
exato
como as marés
e as correntes
do marítimo desejo
dos mariscos das arraias
das estrelas
do homem que te quer
inteira e nua
toda noite todo dia
no raio de sol
beijo de lua
e a semente do amor
em sendo tua
 toda alga
no teu corpo semear

arturgomes

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

rio em pele feminina



o rio com seus mistérios
 molha meu cio em silêncio 
desejo o que nos separa 
a boca em quantos minutos 
as flores soltas na fala
 o pó dos ossos dos anos  

você me diz não ter pressa 
seus olhos fogo na sala 
 o beijo um lance de dados 
cuidado cuidado cuidado 
que sou um anjo de fadas 
não beije assim meus segredos 

meus olhos faróis nos riachos 
meus braços dois afluentes  
pedaços do corpo do rio 
meus seios ilhas caladas 
das chamas não conhece o pavio 

se você me traz para o cio 
assim que o sexo aflora
 esta palavra apavora 
o beijo dado mais cedo 
quebra meu ser no espelho 
meu cerne é carne de vidro 
na profissão dos enredos 
quanto mais água me sinto
presa ao lençol dos seus dedos 

o rio retrata meu centro
 na solidão de mim mesma
  segundo a segundo nas águas
lá onde o sol é vazante
 lá onde a lua é enchente 
lá onde o rio é estrada  
onde coloca seus versos
  me encontro peixe e mais nada 

arturgomes