sábado, 12 de março de 2011

entredentes 3



te procurei na ipiranga
não te encontrei na tiradentes
nas tuas tralhas tuas trilhas
nos trilhos tortosdo braz
fotografei os destroços
na íris do satanaz

a cara triste da mooca
a vaca morta no trem
beleza no caos urbano
beleza é isso também

meu bem ainda mora distante
deste bordel carnavalho
a erva a droga o bagulho
tietê um tonto espantalho

artur gomes
http://carnavalhagumes.blogpsot.com




angye gaona

ANGYE GAONA - LIBERTAD YA!

Angye Gaona, poetisa, jornalista e organizadora do conhecido Festival de Poesia de Medellín e centenas e mais centenas de outras pessoas que se encontram presas em uma atitude típica de censura dos regimes totalitários, mesmo quando mascarados sob o manto de uma falsa democracia...

Segue aqui o texto original e o link para o abaixo-assinado de protesto e pedido de liberação imediata desta ativista e poeta.

Angye Gaona Poetisa y comunicadora periodista alternativa, arrestada por el estado colombiano, enero 2011, Urge solidaridad

Apresada la poetisa y periodista Angye Gaona: el Estado colombiano quiere callarla para mantener la oscuridad genocida.

Angye Gaona Poetisa y comunicadora, apresada por pensar, en Colombia, país en el que el estado ha convertido el hecho de pensar en un crimen.

Angye Gaona es una mujer creativa y comprometida socialmente, siempre activa en el desarrollo de la cultura; parte del comité organizador del conocido Festival Internacional de Poesía de Medellín, cuya calidad testimonia de trabajo y sueños tejidos entre los pueblos.

Urge la movilización internacional por su liberación y por denunciar que el estado colombiano mantiene encarceladas a más de 7.500 personas por el "delito de opinión": estamos ante una verdadera dictadura camuflada.

He aquí un fragmento de un poema de Angye Gaona, para que conozcan su alma sincera y tierna, solidaria y creativa:

"Tejido blando"

Respira y prepárate, pecho blando.
No quieras contener todo el aire de los abismos,
toma sólo el de tu pequeña inspiración,
acarícialo por instantes,
susúrrale como si al último aliento
y déjalo libre ir allí,
a donde tú también quisieras:
vasto, inmenso, indistinto.
Sopla fuerte lo que guardas.
No recojas más lágrimas, pecho blando.
Y si un niño preso llora, dirás,
y si un hombre es torturado, dirás.
Que no es tiempo de guardar la ira, te digo.
Es momento de fraguar y hacer lucir
el filo.

Es una situación insoportable: cada día detienen, asesinan o desaparecen a un opositor político, estudiante, sindicalista, sociólogo, campesino... La represión ejercida por el Estado colombiano contra el pueblo colombiano para acallar sus reivindicaciones sociales es brutal. ¡Urge que el mundo se mueva en solidaridad! Que se dé a conocer esta realidad y sus dimensiones que rebasan todo en el Orbe.

http://artistassolidarios.blogspot.com/



horizonte em chamas

fim de tarde magnífico
o horizonte arde
e o sol se apaga no pacífico


onde menos é mais

amar pode ser algema
chicote pode ser fetiche
escravos sempre somos
libertos não contentamos


cine cinério

cenas no fim
da estrofe
penas
findadas em verso
poemas
guardados no cofre
no alvo
debaixo às costelas
no peito
daquele que sofre
demasiadas
mazelas



noite adentro

sob teto céu forrado
vagam lumes
insetos estrelados



entre o beco e o baco

dos lábios vinha
sabor de uva
lembrança minha
meus olhos de chuva



vice versa

versar teus verdes
viçar teus versos
versejar verdejar
teus verdes diversos
0 comentários
à falta que me sobra

quando bate
a saudade me apanha
em toda parte
essa cidade me acompanha



lobo em pele de lua

pastor de estrelas
nos campos da lira
o poeta se espanta
e se inspira

desgarradas cadentes
são sempre bem vindas
poemas são mesmo
estrelas caídas


cantando de galo

que pensa que letra
que leia que linha
que linha que veia
que sangue de vinha
palavra que lava
que lavra sozinha
pulsando na lira
que mira que tinha
que rima que canta
que tanta que minha
palavra que alvo
que salvo da rinha



lume na lâmina

rima por vez
vez por verso
pele por tez
e o corte se fez

teatro de letras
álgidas quis
flor por lótus
lótus por lis

palavra por arte
atroz por atriz
vez por outra
razão por raiz

contra por invés
trás por um tris
escrava palavra
por vez cicatriz

banquete de algas

ser
de areia
de sal
de mar
de peixe

feixe
de ex
camas
de lume
e limo

rimo +
é com
sereia
mas se
sabe

cabe
menos
nessa
ceia

blackout

feito fenda que se rasga
nos tecidos da tua fala
o que foi dito não escrito
no poema que se cala
feito vida que se apaga
feito luz de sol na sala
o que omito e acredito
já não vale nem a chaga

rodrigo mebs

foto: jatobá madeira/AÊÊ

OS FANTASMAS DA CASA DE MEU PAI

Jotabê Mederios no seu blog







Tem uma mulher de olhar severo, que nunca fala, só encara.
Tem duas crianças que fazem o velho sorrir como uma delas.
Eles todos parecem vir de um dos três quartos da casa que o velho não permite que seja usado, fica de mau humor.

No começo, só o velho os via, mas aí num feriado minha irmã dormia num colchão no chão da sala e passou a testemunhar abertamente: sim, a mulher estava lá, de pé na cozinha, parada, olhando para ela com o olhar severo.
Pouco a pouco, a história foi assustando todos os filhos do meu pai, que começaram a se recusar às visitas de dormir.

No início, não dei muita bola. Não porque seja particularmente corajoso, sou um dos mais cagões. Mas é que eu ainda não tinha voltado lá. Até este Carnaval.

O derrame de 2006 deixou meu pai sem memória e com a língua enrolada. Não se sabe o que ele diz e o que deixa de dizer menos ainda. Mas, de madrugada, contam os que ouviram, ele agora diz frases inteligíveis normalmente – mas só no papo com seus fantasmas de estimação.

Os fatos:

1. Que o velho chorou feito bebê no dia em que (ele descreveu isso) a mulher entrou no seu quarto, pegou as duas crianças com as quais ele brincava e sumiu com elas;

2. Que eu dormi na sala durante três noites com um olho aberto e os pés bem cobertos, e que nesse período eu não vi fantasma algum nem escutei nada que não fossem os cachorros hiperativos da vizinhança engalfinhando-se por algum osso roído;

3. Que é mais fácil dormir lá depois de uma caixa inteira de cervejas (a madeira da casa range, depois de um dia ao sol);

4. Que eu fui ao banheiro às 4h da madrugada e meu pai estava sentado na beirada da cama e ele me chamou com um sorriso, me abraçou e quis conversar sobre minha partida, mas eu só entendi o que ele falava quando ele abaixou a cabeça, triste;

5. Que eu, ateu materialista dialético zombeteiro desrespeitoso afilhado de Padim Ciço por determinação de minha mãe, eu dormi todas as noites com a medalhinha de São Bento no pescoço, por precaução (que eu não creio, mas não sou trouxa);


O Pinduca me contou hoje uma história de fantasmas relacionada ao texto A Terceira Margem do Rio, de Guimarães Rosa. Todos concordamos que, se existem espectros sobrenaturais, Ouro Preto é sua maior metrópole.

Meu pai, que é de 1917, viu quase um século inteiro produzindo seus fantasmas. Entretanto, tal como o conheci, nunca tinha perdido tempo com eles. Até agora.

É consenso entre meus amigos caça-fantasmas amadores que meu pai somente poderia ver esses espectros porque talvez já esteja no limiar da vida, os portões estão se abrindo. Ele desce o rio devagar em sua canoa.

Fico pensando em como serão os meus fantasmas quando eu estiver nessa região fronteiriça. Usarão mullets como alguma pessoa que eu tenha molestado nos anos 80? Usarão camisa xadrez como o grunge que eu esmurrei em 1994? Surgirão em feixes de luz, como no filme do Clint Eastwood? Discutirão comigo se terão prevalecido, como saldo de minha vida, minhas boas intenções esquerdistas ou minhas explosões reacionárias de fúria em peladas de futebol?

Por via das dúvidas, estarei com minha medalhinha de São Bento no bolso...

Nenhum comentário:

Postar um comentário