segunda-feira, 28 de março de 2011

até quando?

a fome é uma cachorra latindo
na porta dos miseráveis
neste brasil do faz de conta
país de empresas e banqueiros
que comandam a coisa toda
e o povo brasileiro que se foda
nas usinas de rondônia
nos mictórios da rhodia
nessa coisa nua e crua
chamada realidade
na gana pelo poder
neste brasil de fato
qual verdeiro o retrato
poema simbolista
abstrato concreto
verbo curto grosso e reto
ou sempre assim surrealista?

artur gomes http://goytacity.blogspot.com

domingo, 27 de março de 2011

blacck billy



ela tinha um jeito gal
fatal – vapor barato
toda vez que me trepava as unhas
como um gato
cantar era seu dom
chegava a dominar a voz
feito cigarra cigana ébria
vomitando doses dos eu cnto
uma vez só subiu ao palco
estrela no hotel das prateleiras
companheira de ratos
na pele de insetos
praticando a luz incerta
no auge do apogeu
a morte não é muito mais
que um plug elétrico
um grito de guitarra uma centelha
logo assim que ela começa
algo se espelha
na carne inicial de quem morreu

artur gomes
http://goytacity.blogspot.com/

que loucura


Fui internado ontem
Na cabine cento e três
Do hospício do Engenho de Dentro
Só comigo tinham dez
Estou doente do peito
Eu tô doente do coração
A minha cama já virou leito
Disseram que eu perdi a razão
Tô maluco da idéia
Guiando carro na contramão
Saí do palco e fui pra platéia
Saí da sala e fui pro porão

sérgio sampaio

terça-feira, 22 de março de 2011

poema bíblico



fosse pimenta
fruta farta
felicidade
tua voz seria
sereia mar
marina maresia
fogueira acesa
no teu corpo santo
como farol
de lua
pra espantar
quebranto

leia também:
http://goytacity.blogspot.com/2011/03/o-ego-e-ganancia-de-maria-bethania-no.html



AS EDITORAS NÃO QUEREM PUBLICAR AUTORES INDEPENDENTES

“O problema da burocracia e dos burocratas do meio editorial, qualquer imbecil sabe, é a falta de argumentos sustentáveis, aliada à repetição papagaiada de respostas ocas, desprovidas de sentido e escoradas em regras e critérios que ninguém entende ou explica.”

Por Elenilson Nascimento no blog Literatura Clandestina

Uma matéria assinada pelo jornalista Durval Feitosa, sobre a importância do livro e a difícil relação das editoras com “novos autores”, publicada no “Caderno 2”, do jornal “Estado de Minas”, neste último sábado, 19/03, que também usou na ilustração a capa do meu livro de crônicas “Olhos Vermelhos” (2006), descreveu a via crusis de vários autores brasileiros “sem mídia”, no qual fui elegantemente citado. A reportagem citou também a discussão referente à “aventura cultural da mestiçagem na literatura”, que confirma o discurso do secretário Auto Filho e o descaso do Ministério da Cultura.

Na matéria, aproveitei para colocar em público, mais uma vez, o preconceito existente contra os autores independentes: “Boa parte da imprensa e das editoras não estão empenhados em, de alguma forma, por exemplo, fazer uma ‘bienal de livros com autores desconhecidos’ para mostrar que no Brasil existe muito mais do que a lista de autores que as revistas semanais mostram. Não se trata evidentemente disso. Nós não podemos, em circunstância alguma, ser penalizados pelo fato de sermos autores ainda desconhecidos do grande público, cada vez mais conduzidos a consumir literatura da moda. Somos também excelências com os nossos textos, mas infelizmente, totalmente rechaçados em detrimento de autores da moda, assuntos comum de todos e vampiros e lobos bonzinhos”.

Contudo, segundo um dos “empresários” do ramo, que nem vale à pena citar o nome aqui, de uma das maiores editoras do país, não existe boicote nenhum “contra os autores independentes em relação aos grandes nomes de mercado”: “Quando calhou desses nomes atenderem a isso (o projeto da Bienal), eles foram convidados. Por exemplo, se pensarmos na representação de Angola, vamos ter um nome bem conhecido - que é o Agualusa, que é dono de uma editora (a Língua Geral). Ele não está aqui por ser um nome conhecido, mas pelo que desempenha dentro deste processo conceitual”, disse o mercenário, digo, empresário das letras.

Mas poder-se-ia pensar, ainda, em outra dificuldade: o que tais autores independentes, como seus livros de tiragem pequena, podem oferecer ao grande público? Boa parte deles é ainda inédita no Brasil e carece de distribuição, mas eu mesmo, apesar de já ter alguns livros editados, não consigo expor meu trabalho numa grande livraria. E se formos continuar mantendo este raciocínio, muitos autores independentes bons, como Elenilson Nascimento, Albarus Andreos, Giovani Iemini, Ana Lúcia Merege, Flávio O. Ferreira, M. M. Soriano, Artur Gomes, Jéssica Balbino, Alexandre de Castro Gomes, Daniel Matos, Andréa C Migliacci, Marcelo Nocelli, Eliane Silvestre e muitos outros, jamais seriam publicados em lugar algum. Estamos conscientes do risco, mas procuramos minimizá-lo publicando em blogs, em pequenas tiragens e divulgando por conta própria pela internet e em feiras de literatura.

As editoras, antes de somente divulgar o mais do mesmo, deveriam revelar as diversas culturas dentro dos vários Brasis, reconhecendo os seus hábitos, costumes e a sua própria cultura e comprometer-se com a democratização e mobilização do acesso universal ao livro, à leitura e à produção literária. Mas, não é isso o que acontece. Cadê vez mais somos bombardeados com livros de autores da escola BBB e cia. E numa entrevista recente a um jornal cearense, um curador de uma dessas bienais da vida declarou ter escolhido os autores - brasileiros e estrangeiros - para o encontro no ano passado, levando em conta a "qualidade da obra" e a "diversidade estética e geracional". Mas quais foram os escolhidos? Resposta: Fiuk, Bruna Surfistinha, Ana Maria Braga e etc. E a estranheza que se possa ter em relação à maior parte dos nomes não é demérito da parte deles e sim reflexo de nosso descompasso cultural.

O problema da burocracia e dos burocratas do meio editorial, qualquer imbecil sabe, é a falta de argumentos sustentáveis, aliada à repetição papagaiada de respostas ocas, desprovidas de sentido e escoradas em regras e critérios que ninguém entende ou explica. Porque não investir em novos autores? Porque é muito difícil fazer com que o leitor abra a cabeça para outras letras e esse é o tipo de argumento equivalente ao cachorro que corre atrás do próprio rabo e não sai do lugar. Portanto, desacomodem-se, descruzem os braço, gritem e erguei-vos todos os bons autores!

Até o bruxo-mago-autor-imortal Paulo Coelho mandou um sinal de fumaça nos dando uma força. Mas porque as editoras não querem publicar autores (ainda) fora da mídia?

segunda-feira, 21 de março de 2011

formigas no formigueiro


hoje na candelária a caminho da cinelândia alguma coisa acompanha o inconsciente coletivo não sei se mar de espanha areia aranha a cois que extrapola as páginas de algum livro o sangue do carrapato as solas do meu sapato pedra n0 meu caminho não sei se urubus ou passarinho são mesmo o que me provocam o coração em desmantê-lo o verde amarelo rubro ou 31 de outubro as duas horas da tarde lendo garcia lorca na aldeia de arcozelo sabendo no alvorada o palácio de brazilha algo fora da trilha deixa o povo em alvoroço como formigas no formigueiro



O antes, o durante e e o depois: Barack Obama e o Brasil

A breve passagem do presidente Barack Obama pelo Brasil foi antecedida por imensa expectativa em alguns círculos, que avaliaram a viagem como um exemplo prático da mudança significativa que a política externa estaria sofrendo no início da administração de Dilma Rousseff em comparação a de seu antecessor Lula. Com base nesta avaliação equivocada, inúmeras imagens foram construídas a respeito do que Obama faria ou diria em solo nacional. Tendenciosas, estas avaliações revelavam uma preocupação extensiva em desqualificar os esforços diplomáticos anteriores. Cristina Soreanu

Cristina Soreanu Pecequilo no sitio CartaMaior

A breve passagem do Presidente Barack Obama no Brasil nos dias 19 e 20 de março de 2011, em Brasília e Rio de Janeiro, foi antecedida por imensa expectativa em alguns círculos, que avaliaram a viagem como um exemplo prático da mudança significativa que a política externa estaria sofrendo no início da administração de Dilma Rousseff em comparação a de seu antecessor Lula (2003/2010). Com base nesta avaliação equivocada, inúmeras imagens foram construídas a respeito do que Obama faria ou diria em solo nacional.

Iniciando com a abolição dos vistos, passando pela conclusão de um acordo comercial bilateral ao estabelecimento de uma ampla parceria energética no campo do petróleo e biocombustíveis até a declaração formal de apoio ao pleito brasileiro de tornar-se membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSONU), a agenda destes grupos era extremamente abrangente. Tendenciosas, estas avaliações revelavam uma preocupação extensiva em desqualificar os esforços diplomáticos anteriores. A utilização repetida do termo “normalização”, associado na década de 1990 a uma perspectiva periférica e acrítica, passava a idéia de uma relação sustentada somente em conflitos e que estaria sendo substituída pela reintegração ao núcleo de poder norte-americano. Mais ainda, revelava o permanente desconhecimento sobre as motivações estratégicas dos EUA.

Se em 2011 o Brasil recebeu Barack Obama como uma potência global, isto se deve aos esforços internos e externos do país que o qualificaram a este status de forma autônoma. Esta situação não emerge de um relacionamento de mão única com aquele que tradicionalmente foi o maior parceiro político-econômico brasileiro no século passado, mas da busca de alternativas que permitiram solidificar uma ação internacional consistente e coerente com as necessidades do país. Com isso, as motivações estratégicas norte-americanas não derivam destes cálculos simplistas que permearam o debate sobre a política externa brasileira, mas da percepção de que o Brasil e a América do Sul são mais dois espaços nos quais os EUA perderam posições.

Assim, era preciso para os norte-americanos sinalizar que desejam preservar o Brasil em sua esfera de influência diante deste vácuo, como já o haviam feito diante da China, da Índia e da Rússia em ofensivas diplomáticas similares em contatos bilaterais prévios. E, no caso, no Brasil e na região, os EUA não perderam somente posições para a China, hoje o maior parceiro comercial brasileiro e aliado no grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), ou para a Índia, também no BRIC e no IBAS (Fórum de Diálogo Índia, Brasil, África do Sul), ou para a África do Sul, ou para a Rússia, ou para a cooperação Sul-Sul em geral, mas para o próprio Brasil nas Américas e no mundo.

Positivamente, em meio a estes ruídos prévios e construções ideológicas de determinados grupos que ignoravam estas questões, os sinais de Brasília mantiveram a percepção de que a visita de Barack Obama representava o reconhecimento deste processo de consolidação político-econômica-estratégica. Tais sinais já se encontravam presentes nos encontros preparatórios entre os dois países antes da chegada de Obama, e demonstravam clareza quanto o que significava esta viagem: uma oportunidade de aprofundar e promover maior adensamento estratégico das relações bilaterais, a partir do reconhecimento norte-americano do status global de poder do Brasil.

Tendo esta realidade como ponto de partida, de que se tratava de uma viagem de reconhecimento e não de concessões norte-americanas ou subserviência brasileira, deixou-se claro que esta dinâmica bilateral não afeta as prioridades externas do Estado brasileiro em termos de agenda Sul-Sul ou Norte-Sul, demandas e projeção. Parte da iniciativa de ser lider é criar fatos novos, dimensões positivas de interdependência, ação que os emergentes e o Brasil tem feito cada vez de forma mais constante. Neste campo, assumem responsabilidades por seus próprios destinos, e de nações similares ou de menor poder relativo, em suas escalas regionais e em nível global estatal e multilateral.

À medida que na última década o Brasil não manteve sua política ou agenda econômica, atrelada aos EUA, sua importância diante deste país aumentou, da mesma forma que sua vulnerabilidade diminuiu diante das constantes oscilações da política da potência hegemônica. Em seu discurso no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 20 de Março, Barack Obama mencionou iniciativas brasileiras como a UNASUL (União Sul-Americana de Nações) e projetos sociais direcionados às nações do sul no combate à fome e programas de saúde. Ou seja, o Brasil não era mais só o país do futuro, mas que o futuro teria chegado ao Brasil, como afirmou o Presidente dos EUA.

Fortemente, o país demonstrou não ter ilusões de que este reconhecimento traduzir-se-ia, de imediato, em uma mudança concreta da posição norte-americana em determinados temas. Nestes temas, principalmente no comércio bilateral, arena na qual o Brasil demanda maior igualdade e reciprocidade, e na reforma das organizações internacionais governamentais, principalmente no caso das Nações Unidas e seu CS, a posição brasileira foi de sustentar suas reivindicações. Por sua vez, pode-se até considerar que os EUA responderam positivamente em sua retórica, em suas demonstrações de “apreço” pelo pleito brasileiro, pela fala de Obama a empresários que igualou o país à China e Índia. A retórica, porém, não foi acompanhada pela substância da mudança ou pela sinalização de que os norte-americanos estariam dispostos a fazer concessões para engajar de forma diferente o Brasil nestas dimensões.

Acenar com parcerias para o pré-sal, ações conjuntas no campo energético é sinal do novo papel do Brasil, mas também da natureza pragmática do interesse norte-americano em petróleo, mercados em novos espaços que não surjam como tão conturbados como o Oriente Médio, apostando nas nações “amigas”. E, igualmente sendo pragmáticos, são parcerias que trazem inúmeros riscos ao Brasil, caso o país não busque preservar sua soberania nestas negociações, independente do campo. Neste sentido, o papel, por exemplo, da Comissão Brasil-Estados Unidos para Relações Econômicas Comerciais é o de encontrar pontos de consenso possível e equilibrio no setor, preservando a capacidade negociadora brasileira e sua autonomia.

O mesmo raciocínio se estende às arenas da biodiversidade, dos diálogos estratégicos, da cooperação técnica e para a organização e segurança da Copa-2014 e das Olimpíadas-2016. O Brasil não pode se furtar a negociar com os EUA, mas precisa atrelar estas conversações a lograr objetivos que permitam a continuidade de seu crescimento e resolução de assimetrias internas via programas sociais.

Chegando ao mundo “real” não deixa de ser simbólico que enquanto Barack Obama acenava às “nações amigas” da América Latina, como o fez no Brasil, e o fará no Chile, com declarações “históricas” sobre as relações entre “iguais” e a consolidação da democracia, os bombardeios aéreos à Líbia atingissem elevada intensidade, depois da autorização do CSONU à operação na sexta-feira 18/03/2011. Em solo brasileiro, a intervenção foi abordada sob o signo da defesa da democracia e motivos humanitários, enquanto prolongam-se protestos e repressões similares em países aliados norte-americanos na região.

Também não deixa de ser simbólico, que nesta votação do CS, os países que se abstiveram e demonstraram preocupação com a ação, fossem os emergentes membros permanentes deste Conselho e nações pleiteantes, membros temporários eleitos: China e Rússia, somados à Brasil, Índia e Alemanha. São nestas manifestações que se desenha o novo mapa geoestratégico global e as complexas dinâmicas de poder do século XXI que motivam as viagens de Obama e suas declarações de igualdade com seus parceiros.

Porém, como se diz no Brasil, os EUA são um “pouco mais iguais” do que os outros: seu poder militar de superpotência e comando residual das organizações internacionais contrasta com uma economia estruturalmente deficiente e uma sociedade doméstica polarizada. Durante e depois de Obama, o Brasil continua sendo o mesmo de antes, consolidando sua ascensão do nível regional ao global, que busca a continuidade de seu projeto político-social-econômico e estratégico. Com os EUA, e com o mundo, dialogar não é sinônimo de concordar, mas de saber ouvir, negociar e falar em nome do interesse nacional.

(*) Professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

sexta-feira, 18 de março de 2011

Passeata nesta sexta convocará a população para o ato contra Obama

Com concentração às 16h, na Candelária, os movimentos sociais farão uma passeata convocando a atividade de domingo e informando a população sobre o papel nefasto que os EUA cumprem no mundo inteiro.

Obama, volte para casa! O ato do domingo terá concentração às 10h no metrô da Glória e integrará o Dia Anti-imperialista de Solidariedade aos Povos em Luta. As palavras de ordem da campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso neste dia serão “Leilão É Privatização!” e “Obama, tire as garras do Pré-sal!”.

A idéia da manifestação é partir em direção ao centro do Rio com bandeiras, faixas e panfletos. Cada movimento e ativista levará seus materiais específicos explicando para a população porque somos contra a vinda de Obama. É importante a presença de todos que querem um mundo sem guerras e defendem um Brasil livre e soberano. Vamos mostrar que a sociedade brasileira não está omissa, nem disposta a bater palmas para os EUA.

Campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso lança manifesto contra a vinda de
Obama ao Brasil


O Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro junto com diversas outras organizações sociais começam a divulgar hoje um manifesto de repúdio a visita do presidente estadunidense ao nosso país nesse fim de semana.

Com eixo na denúncia da cobiça imperialista sobre o nosso petróleo, o documento da campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso – RJ utiliza como palavra de ordem central: Obama, tire as garras do pré-sal! Os organizadores desse material exigem que o governo brasileiro seja soberano, cancelando os leilões do petróleo e garantindo que essa imensa riqueza esteja a serviço do
povo brasileiro.

Mais de 50 mil panfletos foram confeccionados. A distribuição começa hoje, sexta, às 16h, na passeata contra a vinda de Obama ao Brasil, com concentração na Candelária, Centro do Rio. Leia abaixo o manifesto que unificou boa parte do movimento social que não aceita o governo federal entregar de joelhos o ouro negro brasileiro.


Obama, volte para casa!

20 de março, Dia Anti-imperialista de Solidariedade aos Povos em Luta.
Obama, tire as garras do Pré-sal!


Principal representante das políticas imperialistas e das guerras contra os povos oprimidos de todo o mundo, o presidente dos EUA chega ao Brasil para falar de “democracia e inclusão social”. Apoiado por um mega show, vai se dirigir ao povo brasileiro utilizando como palco um símbolo das lutas populares, até então cenário exclusivo de grandes manifestações contra ditaduras e em respeito aos direitos humanos: a Cinelândia, no Rio.

O presidente dos EUA fala em direitos humanos, mas traiu uma de suas principais promessas de campanha, ao manter a prisão de Guantánamo, onde estão milhares de pessoas em condições desumanas e sob tortura, sem direito a um julgamento justo: no último dia 7, Obama revogou seu próprio decreto, permitindo que os presos de Guantánamo continuem a ser julgados por tribunais militares.

O presidente dos EUA fala em democracia e paz, mas apoiou o Golpe Militar em Honduras, mantém tropas no Iraque e no Afeganistão, mantém o bloqueio a Cuba e se arroga no direito de intervir militarmente em qualquer região do Planeta. Dá apoio à política terrorista de Israel enquanto sustenta as ditaduras monarquistas do Oriente Médio, calando-se frente à bárbara
repressão às revoltas populares no Bahrein e na Arábia Saudita. O governo brasileiro se aproxima de tal postura ao manter a ocupação militar do Haiti, já castigado pelamiséria do modelo neoliberal e refém de séculos de dominação imperialista. Depois do terremoto que devastou o país ano passado, os EUA enviaram marines e ocuparam militarmente parte do território haitiano, atrasando a chegada de ajuda humanitária.

A pretexto de “combater o terrorismo”, os Estados Unidos seguem e exportam políticas que criminalizam movimentos sociais, como fica claro nesta visita ao Rio de Janeiro: o que dizer do grande cerco que está montado, para impedir que os nacionalistas e anti-imperialistas se pronunciem contra as guerras e a entrega das riquezas nacionais aos estrangeiros, durante a
visita de Obama?

Enquanto fala de paz, inclusão e direitos humanos no Brasil, o presidente dos Estados está prestes a provocar uma nova guerra, invadindo a Líbia. Ora, a Líbia está entre as maiores economia petrolíferas do mundo. A “Operação Líbia” pouco se importa com a repressão e o bombardeio à revolta popular líbia perpetrada por seu anacrônico governo. É parte de uma agenda militar no Médio Oriente e na Ásia Central, que almeja controlar mais de 60 por cento das reservas mundiais de petróleo e gás natural.

Depois da Palestina, Afeganistão e Iraque pretende uma nova guerra na Líbia. Que serviria aos mesmos interesses que levaram à invasão do Iraque, em 20 de março de 2003! Aliás, a escolha do “20 de março”, para fazer esse pronunciamento às massas, não acontece por acaso. Convocada no Fórum Social Mundial, nesta data estarão acontecendo manifestações em várias partes do mundo, em apoio às lutas dos povos oprimidos, contra as guerras que aprofundam a exploração dos ricos pelos pobres e que são movidas, exatamente, pelos Estados Unidos e pelos países da OTAN.

Também o Brasil, principal país da América Latina, não foi escolhido por acaso: eles estão de olho nas imensas riquezas do pré-sal e já falam em reativar a ALCA – uma proposta contrária aos interesses da maioria do povo brasileiro e que já havíamos derrotado nas urnas, em plebiscito popular.

Os governos esperam a comitiva composta por dezenas de empresários norte-americanos que, junto à Obama, negociarão contratos preferenciais de energia e infraestrutura, muitos aproveitando a “oportunidade” de lucros com mega eventos esportivos, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. É dinheiro público sendo gasto sem licitações e com amplas denúncias de superfaturamento e desvios, veiculadas tanto pela grande imprensa quanto pelos Tribunais de Contas. Podemos aceitar isso?

O ministro Antonio Patriota espera que tais acordos coloquem o Brasil na condição de “igual para igual” com os EUA. Em troca o capital norte-americano gozará de amplas vantagens em seus negócios no Brasil, com seus investimentos e lucros assegurados, dentre outras coisas, pelos financiamentos do BNDES à megaempreendimentos com participação de empresas transnacionais, com sede nos EUA.

A captação de dinheiro público brasileiro é vista como uma das fontes de recuperação da economia norte-america, ainda em crise. Em suma, Obama quer que o povo brasileiro financie o setor privado norte-americano, causador da mesma crise de 2008!

Como pode o governo brasileiro se curvar ao imperialismo estadunidense, reproduzindo o mesmo modelo de exploração e, agora com o agravante, de utilizar dinheiro do BNDES para sustentar e reproduzir tal modelo? O mesmo imperialismo que nos ameaça reativando a Quarta Frota, e que ainda fala em deslocar para o Atlântico Sul os navios de guerra da OTAN?

A soberania nacional está ameaçada. Os Estados Unidos vêm ao Brasil para negociar a compra antecipada das reservas do Pré-sal, o que é ainda pior do que leiloar as nossas riquezas. Rechaçamos os leilões e qualquer outra forma de entrega das riquezas nacionais! O Petróleo Tem que Ser Nosso! A história está cheia de exemplos de países que esgotaram suas reservas e permaneceram mergulhados num mar de corrupção e de miséria! Não queremos repetir esses
exemplos.

Campanha O Petróleo Tem que Ser Nosso – RJ Sindipetro-RJ MST
Sintnaval-RJ Sintrasef Condsef Ascpderj Comitê de Solidariedade à
Luta do Povo Palestino PCB PSOL PCBR UJR Movimento Luta de Classes
Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas Modecon Intersindical
PACS Jubileu Sul Brasil MTD DCE-UFF DCE-UFRJ Núcleo Socialista
de Campo Grande e de Santa Tereza


Fonte: Agência Petroleira de Notícias do Sindipetro-RJ (www.apn.org.br)

quarta-feira, 16 de março de 2011

a mídia na ordem do dia

artigo do deputado federal Emiliano José (PT/BA), publicado no blog Conversa Afiada:
via Blog do Miro

Os últimos anos têm sido pródigos em mudanças no Brasil. E elas ocorrem não aos saltos, mas por força de uma nova hegemonia que se vai construindo, que se vai tecendo pouco a pouco, conquistando corações de mentes, e vão se desenvolvendo, sobretudo, depois que o presidente Lula tomou posse em 2003. O que quer dizer que são resultado do milagre da política. Esta, no dizer de Hannah Arendt, é a única com possibilidades de produzir milagres, e certamente ela, ao dizer isso, não queria agredir aos homens e mulheres de fé, que não se discute.

Temos já outra Nação, com mais autonomia, com auto-estima elevada, exercendo a sua soberania, distribuindo renda, começando a enfrentar os nossos gigantescos problemas sociais. A presidenta Dilma dá sequência, com muito vigor, ao projeto iniciado em 2003, especialmente preocupada com o combate à pobreza extrema, ainda tão presente em nosso País. Ainda há muito que mudar. E cito problemas que teremos que enfrentar, como o da necessidade da reforma política e o da regulação dos meios de comunicação audiovisuais.

É especificamente sobre a regulação dos meios de comunicação que pretendo me debruçar nesse artigo. E o faço porque tenho me preocupado com isso desde há muito, dada a minha condição de cidadão, militante, jornalista e professor de Comunicação, e, também, pelo fato de o líder de minha bancada na Câmara Federal, deputado Paulo Teixeira, ter me destacado para contribuir na articulação da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e pelo direito à comunicação, ao lado de parlamentares de partidos diversos, entre os quais destaco a deputada Luiza Erundina, que sempre se dedicou à luta pela democratização da comunicação no Brasil.

Não é necessário estender-me muito para dizer da importância dos meios audiovisuais ou da mídia enquanto um todo, incluindo a impressa. Desde o seu surgimento em sua forma mais moderna, a imprensa ocupou um papel essencial na construção ou desconstrução de hegemonias políticas. E ocupou o centro também da construção de novas formas de convivência, de existência na humanidade. A mídia é construtora de uma nova sociabilidade. Por isso mesmo, não há Estado contemporâneo que não se preocupe com a regulação dos meios de comunicação, especialmente, nos tempos que vivemos, regulação dos meios de comunicação audiovisuais.

Como são essenciais à construção cotidiana da democracia, os meios audiovisuais têm que ser regulados pelo Estado de Direito democrático, como ocorre nos países de democracia considerada avançada. Curioso é que no Brasil quando se fala em regulação, alguns meios sentem-se agredidos, como se isso não fosse próprio do Estado democrático, como se isso não ocorresse em nações civilizadas e de democracias muito mais longevas do que as nossas. É que o uso do cachimbo faz a boca torta.

As poucas famílias que controlam nossa mídia considerada hegemônica acostumaram-se com uma regulação completamente anacrônica, defasada, sem qualquer conexão com a contemporaneidade, uma legislação inteiramente desconectada de uma sociedade midiatizada e que, por isso mesmo, não pode ficar à mercê da boa ou má vontade dos controladores privados dos meios audiovisuais. Uma sociedade midiática, onde os meios audiovisuais são impressionantemente majoritários, e invadem, para o mal ou para o bem, todas as classes sociais e todas as idades, não pode prescindir de uma legislação que dê conta de todas as novas e impressionantes singularidades desse admirável mundo novo. Que regule esse mundo.

Parece incrível, mas é verdadeiro: o Código Brasileiro de Telecomunicações, instituído pela Lei 4.117, é de 1962. Isso mesmo, não errei na data. É de quase meio século atrás. Quando, por exemplo, a televisão não era ainda o meio hegemônico. Quando as emissoras de rádio e os jornais tinham uma extraordinária importância. O Código sofreu alterações em 1967, sob a ditadura militar, e naturalmente para aplainar o caminho de uma sociedade que começaria a viver a idéia de um País em rede. No final de 1969, início dos anos 1970, surge a Rede Globo, alcançando todo o Brasil, para dar suporte político à ditadura, como todos o sabem.

Como um código desses pode dar conta dessa avassaladora presença dos meios audiovisuais, agora cada vez mais miniaturizados, concentrados em minúsculos aparelhos, admirável mundo novo da convergência digital, que pode chegar, de uma forma ou de outra, aos mais ricos e aos mais pobres, e cuja influência é gigantesca? Não pode mais. Decididamente, não pode.

Não se aceita mais que um País, com tamanha diversidade social, política e cultural, com tantas vozes e discursos, tão multifacetado, com uma cultura plural, riquíssima, se veja submetido a monopólios que insistem num pobre discurso único, de baixo nível. Democratizar a comunicação é respeitar a Constituição que veda monopólios. Democratizar a comunicação é dar voz a tantos atores sociais silenciados. Democratizar a comunicação é ampliar a propriedade dos meios para além dos monopólios. A democracia é que reclama isso.

O governo Lula, na reta final ano do segundo mandato, começou a discutir o problema. Teve a coragem de convocar a I Conferência Nacional de Comunicação. Isso mesmo, a primeira. E olhe que o Brasil realiza conferências populares uma atrás da outra. Mas a comunicação estava fora da agenda, não entrava na nossa pauta política. E, também, sob a direção do ex-ministro Franklin Martins, começou a elaborar um anteprojeto de regulação dos meios audiovisuais e o concluiu, deixando claro que não se iria tratar dos meios impressos. Esse anteprojeto está nas mãos do ministro Paulo Bernardo, das Comunicações.

E esse novo marco regulatório, cujo conteúdo ainda não conheço, certamente terá que discutir a concentração dos meios de comunicação audiovisuais nas mãos de poucas famílias, a propriedade cruzada desses meios (ou seja, diferentes meios de comunicação nas mãos de um único grupo), o fato de tantos meios audiovisuais se encontrarem nas mãos de políticos, as dificuldades para a constituição de rádios e tevês comunitárias, a importância do fortalecimento de um setor público audiovisual a exemplo do que ocorre nos países mais desenvolvidos, a regulamentação dos artigos da Constituição que asseguram, por exemplo, o respeito aos direitos humanos e a obrigatoriedade da produção regional entre tantos outros temas. Uma discussão, como temos defendido no início das articulações para a constituição da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e pelo direito à Comunicação, que conte com participação popular, com entidades que têm se dedicado a essa luta e à luta pelo respeito aos direitos humanos por parte dos meios audiovisuais, useiros e vezeiros em desrespeitar tais direitos.

Por ser um assunto maldito, que estava fora da pauta política, ainda há temor em tratar dele no Congresso Nacional, para além dos parlamentares eventualmente afinados com os lobbies dos monopólios. A bancada do meu partido, no entanto, estará firme nessa luta pela democratização dos meios de comunicação. E sei que bancadas como a do PSB, do PC do B, do PSol penso que também a do PDT, espero também que do PV e de outros partidos, deverão de dedicar a essa luta. Torço e luto para que toda a base aliada do Governo da presidenta Dilma se una em torno do novo marco regulatório quando ele chegar à Câmara Federal. Nossa bancada já está nessa luta. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

terça-feira, 15 de março de 2011

“O conhecimento substituiu os agrotóxicos”: agroecologia como alternativa no combate a fome



Agroecologia: alimentar o planeta e combater a especulação dos preços dos alimentos

Agroecologia pode dobrar produção de alimentos em 10 anos

Ao mesmo tempo em que a alta mundial no preço dos alimentos atinge seu maior patamar em duas décadas e dá força redobrada ao fantasma da fome que persegue as populações pobres dos países economicamente mais vulneráveis, um informe da Organização das Nações Unidas (ONU) afirma que a agroecologia pode duplicar a produção alimentar nos próximos dez anos. Divulgado na terça-feira (8) pelo Alto-Comissariado de Direitos Humanos, o documento que, segundo a ONU, foi embasado por “uma exaustiva revisão da literatura científica mais recente”, defende a agroecologia como “meio para incrementar a produção alimentar e melhorar a situação dos mais pobres”.

Os estudos que embasaram o informe foram coordenados pelo belga Olivier de Schutter, que desde 2008 é relator especial da ONU sobre direito à alimentação: “Para poder alimentar a nove bilhões de pessoas em 2050, necessitamos urgentemente adotar as técnicas agrícolas mais eficientes conhecidas até hoje. Neste sentido, os estudos científicos mais recentes demonstram que ali onde reina a fome, especialmente nas zonas mais desfavorecidas, os métodos agroecológicos são muito mais eficazes para estimular a produção alimentar do que os fertilizantes químicos.”

De acordo com os casos relatados no documento da ONU, projetos agroecológicos desenvolvidos nos últimos anos em 57 países em desenvolvimento registraram um rendimento médio de 80% em suas lavouras. Isso significa, por exemplo, um aumento de 116% na média de todos os projetos desenvolvidos na África. “Os projetos mais recentes levados a cabo em 20 países africanos demonstraram que é possível duplicar o rendimento das lavouras em um período de três a dez anos”, afirma Schutter.

A ONU afirma que o modelo agrícola dominante, baseado nas monoculturas e na utilização massiva de agrotóxicos, fertilizantes e outros insumos, “já demonstrou não ser a melhor opção no contexto atual”, além de acelerar o processo de aquecimento global. “Amplos setores da comunidade científica já reconhecem os efeitos positivos da agroecologia sobre a produção alimentar no que se refere à redução da pobreza e à mitigação dos efeitos das mudanças climáticas”, afirma o documento.

Menos agrotóxicos

O relatório divulgado pelo Alto-Comissariado de Direitos Humanos da ONU também dá destaque aos países que diminuíram consideravelmente a utilização de agrotóxicos nos últimos anos. São citados no documento países como Indonésia, Vietnã e Bangladesh, que reduziram em até 92% o uso de agrotóxicos na produção de arroz, que é o alimento básico das populações camponesas desses países.

Outro exemplo citado no relatório é o do Malauí, país que era grande consumidor de produtos agroquímicos e agora faz com sucesso a transição para um modelo agroecológico. Segundo a ONU, essa transição já tirou da extrema pobreza 1,3 milhões de pessoas, além de aumentar o rendimento das lavouras de milho do país de uma para três toneladas por hectare. “O conhecimento substituiu os pesticidas e fertilizantes”, comemora Olivier de Schutter.

O relator especial da ONU sobre o direito à alimentação afirma que o Estado tem um “papel fundamental” a cumprir no fortalecimento da agroecologia. “As empresas privadas não investirão tempo e dinheiro em práticas que não podem proteger com patentes e que não pressuponham uma abertura dos mercados para novos produtos químicos ou sementes melhoradas”. Schutter também exortou os Estados a darem maior apoio às organizações camponesas que, segundo ele, “demonstraram uma grande habilidade na hora de difundir as melhores práticas agroecológicas entre seus membros”.


Maurício Thuswohl, Rede Brasil Atual via Palavras Diversas

sábado, 12 de março de 2011

entredentes 3



te procurei na ipiranga
não te encontrei na tiradentes
nas tuas tralhas tuas trilhas
nos trilhos tortosdo braz
fotografei os destroços
na íris do satanaz

a cara triste da mooca
a vaca morta no trem
beleza no caos urbano
beleza é isso também

meu bem ainda mora distante
deste bordel carnavalho
a erva a droga o bagulho
tietê um tonto espantalho

artur gomes
http://carnavalhagumes.blogpsot.com




angye gaona

ANGYE GAONA - LIBERTAD YA!

Angye Gaona, poetisa, jornalista e organizadora do conhecido Festival de Poesia de Medellín e centenas e mais centenas de outras pessoas que se encontram presas em uma atitude típica de censura dos regimes totalitários, mesmo quando mascarados sob o manto de uma falsa democracia...

Segue aqui o texto original e o link para o abaixo-assinado de protesto e pedido de liberação imediata desta ativista e poeta.

Angye Gaona Poetisa y comunicadora periodista alternativa, arrestada por el estado colombiano, enero 2011, Urge solidaridad

Apresada la poetisa y periodista Angye Gaona: el Estado colombiano quiere callarla para mantener la oscuridad genocida.

Angye Gaona Poetisa y comunicadora, apresada por pensar, en Colombia, país en el que el estado ha convertido el hecho de pensar en un crimen.

Angye Gaona es una mujer creativa y comprometida socialmente, siempre activa en el desarrollo de la cultura; parte del comité organizador del conocido Festival Internacional de Poesía de Medellín, cuya calidad testimonia de trabajo y sueños tejidos entre los pueblos.

Urge la movilización internacional por su liberación y por denunciar que el estado colombiano mantiene encarceladas a más de 7.500 personas por el "delito de opinión": estamos ante una verdadera dictadura camuflada.

He aquí un fragmento de un poema de Angye Gaona, para que conozcan su alma sincera y tierna, solidaria y creativa:

"Tejido blando"

Respira y prepárate, pecho blando.
No quieras contener todo el aire de los abismos,
toma sólo el de tu pequeña inspiración,
acarícialo por instantes,
susúrrale como si al último aliento
y déjalo libre ir allí,
a donde tú también quisieras:
vasto, inmenso, indistinto.
Sopla fuerte lo que guardas.
No recojas más lágrimas, pecho blando.
Y si un niño preso llora, dirás,
y si un hombre es torturado, dirás.
Que no es tiempo de guardar la ira, te digo.
Es momento de fraguar y hacer lucir
el filo.

Es una situación insoportable: cada día detienen, asesinan o desaparecen a un opositor político, estudiante, sindicalista, sociólogo, campesino... La represión ejercida por el Estado colombiano contra el pueblo colombiano para acallar sus reivindicaciones sociales es brutal. ¡Urge que el mundo se mueva en solidaridad! Que se dé a conocer esta realidad y sus dimensiones que rebasan todo en el Orbe.

http://artistassolidarios.blogspot.com/



horizonte em chamas

fim de tarde magnífico
o horizonte arde
e o sol se apaga no pacífico


onde menos é mais

amar pode ser algema
chicote pode ser fetiche
escravos sempre somos
libertos não contentamos


cine cinério

cenas no fim
da estrofe
penas
findadas em verso
poemas
guardados no cofre
no alvo
debaixo às costelas
no peito
daquele que sofre
demasiadas
mazelas



noite adentro

sob teto céu forrado
vagam lumes
insetos estrelados



entre o beco e o baco

dos lábios vinha
sabor de uva
lembrança minha
meus olhos de chuva



vice versa

versar teus verdes
viçar teus versos
versejar verdejar
teus verdes diversos
0 comentários
à falta que me sobra

quando bate
a saudade me apanha
em toda parte
essa cidade me acompanha



lobo em pele de lua

pastor de estrelas
nos campos da lira
o poeta se espanta
e se inspira

desgarradas cadentes
são sempre bem vindas
poemas são mesmo
estrelas caídas


cantando de galo

que pensa que letra
que leia que linha
que linha que veia
que sangue de vinha
palavra que lava
que lavra sozinha
pulsando na lira
que mira que tinha
que rima que canta
que tanta que minha
palavra que alvo
que salvo da rinha



lume na lâmina

rima por vez
vez por verso
pele por tez
e o corte se fez

teatro de letras
álgidas quis
flor por lótus
lótus por lis

palavra por arte
atroz por atriz
vez por outra
razão por raiz

contra por invés
trás por um tris
escrava palavra
por vez cicatriz

banquete de algas

ser
de areia
de sal
de mar
de peixe

feixe
de ex
camas
de lume
e limo

rimo +
é com
sereia
mas se
sabe

cabe
menos
nessa
ceia

blackout

feito fenda que se rasga
nos tecidos da tua fala
o que foi dito não escrito
no poema que se cala
feito vida que se apaga
feito luz de sol na sala
o que omito e acredito
já não vale nem a chaga

rodrigo mebs

foto: jatobá madeira/AÊÊ

OS FANTASMAS DA CASA DE MEU PAI

Jotabê Mederios no seu blog







Tem uma mulher de olhar severo, que nunca fala, só encara.
Tem duas crianças que fazem o velho sorrir como uma delas.
Eles todos parecem vir de um dos três quartos da casa que o velho não permite que seja usado, fica de mau humor.

No começo, só o velho os via, mas aí num feriado minha irmã dormia num colchão no chão da sala e passou a testemunhar abertamente: sim, a mulher estava lá, de pé na cozinha, parada, olhando para ela com o olhar severo.
Pouco a pouco, a história foi assustando todos os filhos do meu pai, que começaram a se recusar às visitas de dormir.

No início, não dei muita bola. Não porque seja particularmente corajoso, sou um dos mais cagões. Mas é que eu ainda não tinha voltado lá. Até este Carnaval.

O derrame de 2006 deixou meu pai sem memória e com a língua enrolada. Não se sabe o que ele diz e o que deixa de dizer menos ainda. Mas, de madrugada, contam os que ouviram, ele agora diz frases inteligíveis normalmente – mas só no papo com seus fantasmas de estimação.

Os fatos:

1. Que o velho chorou feito bebê no dia em que (ele descreveu isso) a mulher entrou no seu quarto, pegou as duas crianças com as quais ele brincava e sumiu com elas;

2. Que eu dormi na sala durante três noites com um olho aberto e os pés bem cobertos, e que nesse período eu não vi fantasma algum nem escutei nada que não fossem os cachorros hiperativos da vizinhança engalfinhando-se por algum osso roído;

3. Que é mais fácil dormir lá depois de uma caixa inteira de cervejas (a madeira da casa range, depois de um dia ao sol);

4. Que eu fui ao banheiro às 4h da madrugada e meu pai estava sentado na beirada da cama e ele me chamou com um sorriso, me abraçou e quis conversar sobre minha partida, mas eu só entendi o que ele falava quando ele abaixou a cabeça, triste;

5. Que eu, ateu materialista dialético zombeteiro desrespeitoso afilhado de Padim Ciço por determinação de minha mãe, eu dormi todas as noites com a medalhinha de São Bento no pescoço, por precaução (que eu não creio, mas não sou trouxa);


O Pinduca me contou hoje uma história de fantasmas relacionada ao texto A Terceira Margem do Rio, de Guimarães Rosa. Todos concordamos que, se existem espectros sobrenaturais, Ouro Preto é sua maior metrópole.

Meu pai, que é de 1917, viu quase um século inteiro produzindo seus fantasmas. Entretanto, tal como o conheci, nunca tinha perdido tempo com eles. Até agora.

É consenso entre meus amigos caça-fantasmas amadores que meu pai somente poderia ver esses espectros porque talvez já esteja no limiar da vida, os portões estão se abrindo. Ele desce o rio devagar em sua canoa.

Fico pensando em como serão os meus fantasmas quando eu estiver nessa região fronteiriça. Usarão mullets como alguma pessoa que eu tenha molestado nos anos 80? Usarão camisa xadrez como o grunge que eu esmurrei em 1994? Surgirão em feixes de luz, como no filme do Clint Eastwood? Discutirão comigo se terão prevalecido, como saldo de minha vida, minhas boas intenções esquerdistas ou minhas explosões reacionárias de fúria em peladas de futebol?

Por via das dúvidas, estarei com minha medalhinha de São Bento no bolso...

sexta-feira, 11 de março de 2011

Cegueira






Tateio a areia granulosa
entre os dedos ágeis.

Piso o mármore gelado
sob os pés descalços.

Deito o corpo nú
num mergulho profundo nas águas.

Saboreio os lábios,
a saliva... a boca que anseio.

Ouço esta canção
sussurante ao pé do ouvido.

Experimento os sentidos:
o respirar, o pulsar...

E assim alcanço a vida...
Que em mim ainda habita.

Minha humanidade me fez cega
...cega da alma, se o que vejo não acredito!


Rosangela Ataíde
http://ogatodaodete.blogspot.com/



lagarta de luz que te adentra
invento de venta te centra
um tiro de brilho no espírito
um flash no lábio dormente
um feixe de sol na narina
das folhas sagradas andinas
dos incas que sabia(mente)
dos índios que cantam bolívia
por chlile peru ou colômbia
são sempre muralhas da china


rodrigo mebs

quinta-feira, 10 de março de 2011

lucão: http://abraobico.blogspot.com/



ESPANTO

Ver-te
de costas
esfinge
naquele
jardim

Senti falta
daquele
sentido
de vespera

Tarde de festa

Que quase
esqueci.

( ANDRÉA CARVALHO STARK )
http://ofiodasmissangas.blogspot.com/


a traição das metáforas:
uma anti-lição de alquimia


afia-se a faca na pedra
para arrancar da fruta o caroço
esse mar com gosto de fedra
tem fezes até o pescoço

a faca com cheiro de sangue
o sangue com gosto de morte
caranguejo que se exploda no mangue
devastar é alei do mais forte

o fraco sempre morre na foz
desse rio agora represa
justiça quem quiser que se foda
o que interessa é o bem da empresa

federico baudelaire
http://federicobaudelaire.blogspot.com/


Neste Carnaval, MinC veste a fantasia errada!

Allan Rocha de Souza*
Pablo Ortellado**

Nesta terça-feira gorda, a Ministra da Cultura deu depoimento ao O Globo no qual tentava justificar o abandono do anteprojeto de reforma da lei de Direitos Autorais que tem em mãos. Como de outras vezes, as razões são vagas e românticas, nos remetendo a carnavais passados, mas que continuam a nos assombrar.

Na matéria, afirmava que “A insatisfação estava muito grande. O que estava no site (do MinC) teve cerca de 70% de avaliações negativas. Não posso endossar uma política que ninguém conheceu. Foi um trabalho feito e temos que ouvir melhor. Porque tem muitos questionamentos sobre o assunto. Eu não vou endossar uma proposta em que não haja um mínimo de consenso.”

É, porém, mais uma avaliação equivocada desta incontrolável administração, pois uma leitura mais isenta, ainda que rápida, do conjunto de contribuições ao anteprojeto disponibilizado para consulta pública traz outra fotografia.

Sem adentrar no exame qualitativo das contribuições, para começar, basta selecionar os cinco maiores participantes individuais e chegamos a incríveis 652 contribuições, 644 discordando da proposta e apenas 08 concordando, sendo responsáveis por 8,29 % das 7.863 contribuições feitas diretamente na plataforma.

E, ainda mais interessante, certas frases eram repetidas ao infinito por estas pessoas. O vencedor, por exemplo, em 165 das 172 contribuições, opôs à sua justificativa que “apenas o autor poderá mudar o que já está consolidado”. O segundo, mais sucinto, repetiu em suas 153 contribuições que “só o autor poderá mudar”.

O terceiro afirmou em suas 119 contribuições que “a obra dos autores é bem protegida pela lei atual”. E o próximo, mais prolixo, disse, em 103 das 112 vezes, que “concorda com a lei atual”, em 05 vezes que “a lei atual não necessita de revisão” e em 04 ocasiões que “a lei atual não carece de reforma”.

E isto não é o mais revelador.

*Uma análise inicial quantitativa indica 339 (4,31%) aportes diretamente dos computadores do ECAD, realizados por 70 pessoas diferentes*. A Abramus, associação líder no ECAD, por sua vez,
contribuiu 231 vezes (2,94%). A Abramus discordou sempre, enquanto o ECAD em 98,52% das vezes.

Somando apenas estes dois grupos, que não se sobrepõem, chegamos a 15,54% das contribuições. *Tudo indica que o ECAD mobilizou dezenas de pessoas – talvez funcionários – para atacar diretamente a reforma.*

E mais ainda, um provedor vinculado a um diretor das associações componentes do sistema ECAD comportou 47 contribuições, todas discordando da reforma. Ao mesmo tempo, outro provedor apresenta-se com 263 contribuições discordantes e uma solitária concordância. Acrescentando mais 3,95% de discordâncias.

São 11,2% de quatro organizações, sendo três comprovadamente vinculadas ao ECAD. Aos quais se somam os 8,29% dos cinco indivíduos insatisfeitos, mas com idêntica retórica. Juntos, chegam a praticamente um quinto das contribuições (19,49%).

*Seguramente uma análise mais detida de outras contribuições em massa, sempre negativas à reforma e vindas dos mesmos endereços IP (que identificam pontos de acesso à Internet) aumentariam esses números para percentuais ainda mais altos.*

Está claro que setores insatisfeitos com a reforma tentaram sabotar o processo, contribuindo, de maneira orquestrada, para dar a entender que a reforma incomodava muita gente e não apenas alguns poucos privilegiados pelas distorções do sistema atual. É impossível não notar que o ECAD é o insatisfeito, o interessado em interromper a reforma da lei de direitos autorais vigente (9.610/98), que, nas interpretações propostas por este mesmo grupo, é ofensiva ao equilíbrio, à razoabilidade, à ponderação e ao próprio ordenamento jurídico.

*O que a fala da Ministra expõe são os vícios de um grupo enfatuado com os privilégios e excepcionalidades incrustados no sistema de gestão coletiva, que age contra os interesses de muitos artistas, associações, empresas e cidadãos. Atestam essa proximidade as manifestações ministeriais alinhadas ao ECAD, ainda antes da nomeação, a reunião privilegiada em seu gabinete com um dos principais advogados do ECAD, Hidelbrando Pontes, a nomeação para a Diretoria de Direitos Intelectuais de uma integrante visceral do Conselho Nacional de Direito Autoral, então comandada por este advogado, com o qual escreveu inclusive artigo publicado.*

E se torna cada vez mais difícil desvincular a Ministra Ana de Hollanda, sua equipe e seu suporte político dos desejos e meios ilegítimos do ECAD e sua corte, talvez os maiores opositores locais à liberdade, cidadania, democracia e inclusão culturais.

A continuidade deste processo de retrocesso no Ministério da Cultura representará a maior fraude eleitoral do governo Dilma até o momento. A ver!

* Allan Rocha de Souza, Coordenador do Curso de Direito da UFRRJ/ITR,
Professor e Pesquisador de Direitos Autorais do PPED/UFRJ.

** Pablo Ortellado, Professor e Pesquisador do curso de Gestão de Políticas
Públicas e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Culturais da EACH-USP.

http://www.gpopai.org/ortellado/2011/03/neste-carnaval-minc-veste-a-fantasia-errada/

quinta-feira, 3 de março de 2011

Volátil


Tela de Van Gogh




tenho esse pensamento
que me horizonta

me leva a boiar
e sou mais densa

tento voltar
a realidade soçobra

tento dormir
mas caio no limbo

em cada chacra meu
verticaliza a ideia

que sou semente no ar
sem adubo

ninguém me rega


lara amaral
http://laramaral-teatrodavida.blogspot.com

terça-feira, 1 de março de 2011

papoulas e ris(c)os

magritte






Um canteiro de papoulas
anoitece meu sorriso
ao fitar teus lábios
de costas pro meu beijo.

Adentro Floresta escura,
encanto úmido, despedindo-se,
uma pétala me acena solta ao vento.

É negro o sabor das horas nuas
que passo sem ti, em desespero.
Dias e Noites percorri o caminho
demarcado por sarcófagos de estrelas.

Atrás da tua sombra
na busca de abrigo,
noite vazia rasgou o silêncio
- Desassossego! -.

À beira do rio,
gota a gota, quase morro
somente cachoeiras do teu riso, hoje
podem saciar a minha sede.


Poema de Lou Albergaria para o Anáguas-
Vidráguas

Leiam mais poemas nos blogues da autora:
http://lobaderayban.blogspot.com/
http://sementedeamora.blogspot.com/