segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

goytacá boy







ando por são Paulo meio Araraquara
a pele índia do meu corpo
concha de sangue em tua veia
sangrada ao sol na carne clara

juntei meu goytacá teu guarani
tupy or not tupy
não foi a língua que ouvi
em tua boca cayçara

para falar para lamber
para lembrar
da sua língua arco íris litoral
como colar de uiara
é que eu choco como a chuva curuminha
mineral da mais profunda lágrima
que mãe chorara

para roçar para provar para tocar
na sua pele urucun de carne e osso
a minha língua tara
sonha cumer do teu almoço
e ainda como um doido curuminha
a lamber o chão que restou da Guanabara


artur gomes
http://pelegrafia.blogspot.com

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

galo gatos rede madrugada






na varanda o varal vazio
o corpo rola na rede
em madrugada de frio

o galo canta e o seu canto
atravessa as paredes da manhã
benvinda

os gatos trepam no muro
e gemem
como felinos no cio

fedra margarida
world of the woman
http://fedramargarida.blogspot.com/

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Riverdies no Grito de Rock em Salvador







Dia 7 de março 21:00h – 8 de março 00:00h
Palco do Rock –
Av. Otávio Mangabeira, S/N Coqueiral da Praia
Salvador – Brazil
www.myspace.com/filbucproductions
VHM Estúdio Produções
Grátis
fulinaíma produções & divulgação
fulinaima@gmail.com



quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Demofobia

objetos -foto: artur gomes

direto do blog do Roberto Moraes

O jornalista Elio Gaspari em sua coluna de hoje, no jornal O Globo, faz uma interessante abordagem sobre o tema. Ele usa o caso da concessionária em transporte ferroviário em nosso estado, a SuperVia, como referência daquilo que ainda está presente aos borbotões em nossa sociedade. Vale a sua leitura:

"SuperVia, a paixão pela demofobia"

Atendendo a um pedido do Ministério Público, a 13ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro determinou que a SuperVia, concessionária dos serviços de transporte ferroviário da cidade, conserte e mantenha em funcionamento as escadas rolantes que dão acesso às estações do Méier e de Madureira.

O Tribunal de Justiça teve que entrar no caso porque a empresa não cuidava das escadas, atrapalhando o acesso da patuleia às estações. Pior. Ela se recusou a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta e, segundo a Promotoria, argumentou que, para o correto funcionamento das escadas, seria necessária "uma mudança nos padrões culturais da população, reeducando-a a preservar o patrimônio público".

A SuperVia produziu um documento histórico, primoroso exemplo de demofobia, o horror ao povo. Quem vai reeducar a população? A SuperVia, que foi multada em cerca de R$ 150 mil porque em 2009 seus jagunços chicotearam passageiros que estavam na estação de Madureira. Na ocasião, o diretor de marketing da empresa procurou educar a população, ensinando: "Todos os passageiros que cumprem as regras são excelentemente tratados. Aqueles que são marginais, prendem a porta e fazem baderna não podem ter o mesmo tratamento". Falso.

Imagens gravadas mostravam capangas agredindo passageiros que estavam dentro do vagão. O doutor foi mantido no cargo e quatro jagunços, aos quais havia sido dado apenas um dia de treinamento, foram sumariamente demitidos.

A ideia de que o brasileiro precisa ser reeducado é uma interessante manifestação demofóbica. Todos os brasileiros? Inclusive os diretores da SuperVia? Só aqueles que usam os serviços da empresa? Que tal reeducar a SuperVia?

O Metrô mantém dezenas de escadas rolantes, inclusive aquelas que dão acesso ao lindo edifício da velha Central do Brasil. Funcionam perfeitamente. Aqui e ali aparecem problemas e atos de vandalismo.

Daí a se atribuir à população uma genérica falta de educação vai distância enorme. Problemas sempre ocorrem, uns provocados por vândalos, outros por doutores. Até hoje a SuperVia não cumpriu suas próprias metas e, com alguma razão, diz que o governo do Estado descumpriu parte do que havia combinado. Este, por sua vez mimou a empresa prorrogando por 25 anos o contrato de concessão do serviço.

Em novembro, acreditava-se que todos ficariam felizes porque a Odebrecht parecia prestes a ficar com o negócio. Essas encrencas não seriam suficientes para se achar que os empresários e governantes brasileiros precisam ser reeducados para que se possa preservar o patrimônio público. Assim como nas estações de Madureira e do Méier, basta ficar de olho na freguesia, dissuadindo visigodos que destroem escadas e ostrogodos que negociam privatarias.

Choldra mal-educada, herança escravocrata, legado da colonização ibérica, preguiça tropical e outros menosprezos , são artifícios criados pelo andar de cima para defender seus interesses em nome do horror ao povo. Quando um sujeito diz que o brasileiro não sabe fazer isso ou aquilo, cabe sempre a pergunta: "Inclusive você?" Nunca, o brasileiro inepto é sempre o outro, e o argumento da sua incapacidade frequentemente serve a um interesse. No caso, um cascalho, não consertar as escadas rolantes das estações do Méier e de Madureira."


Antonio de Lacerda: Como falir o Brasil
Câmbio, velhos mitos e novos dilemas

Antonio de Lacerda, no Valor Econômico, via Nassif


Velhos mitos sobre a questão cambial sobrevivem no debate público, ao arrepio das evidências. Há verdadeiras “lendas urbanas” repetidas à exaustão, embora não resistam a uma análise fria dos dados e fatos. O real foi a moeda que mais se valorizou entre as 58 maiores economias do mundo nos últimos anos, conforme estudo do Banco para Compensações Internacionais – o Bank for International Settlements (BIS) – o banco central dos bancos centrais, baseado em dados compilados até o dia 15 de fevereiro, que consideram o câmbio efetivo, isto é, as taxas cambiais dos países, ajustadas pelas taxas de inflação. Enquanto o real atingiu o índice de 152,61, o maior dentre os países analisados, o yuan chinês atingiu 118,13 e a rúpia 107,16.

No entanto, ainda é muito comum que se argumente que todas as moedas dos países emergentes se valorizaram. Todas de fato, podem ter se valorizado, mas o real foi de longe a que mais se valorizou, o que faz com que percamos competitividade vis a vis os nossos principais países concorrentes. Subsidiamos as importações e inviabilizamos as exportações de industrializados.

Também não raro, diante da evidência da valorização do real, a afirmação de que “as empresas acabam se adaptando à moeda valorizada”. De fato, a racionalidade microeconômica das empresas as leva a adaptar-se às circunstâncias, no caso ampliando as importações, diminuindo o valor agregado local e deslocando vendas externas para o mercado doméstico. Muitas se transformam e passam de indústrias a maquiadoras de produtos, ou meras representantes comerciais de fabricantes do exterior.

Há ainda quem veja na valorização cambial uma oportunidade fantástica para as empresas se modernizarem, adquirindo novas máquinas e equipamentos no exterior por uma verdadeira pechincha. Valeria questionar quem ainda vai se aventurar a produzir localmente com condições sistêmicas tão desfavoráveis, se é tão barato trazer logo os produtos prontos de fora?

Mesmo que a hipótese fosse verdadeira, de que o câmbio baixo estimula a inovação, seria o objetivo correto, porém com o instrumento equivocado. Ao distorcer um preço fundamental da economia, que é justamente a taxa de câmbio, estimulamos não apenas importações de bens de capital, mas também e principalmente de todas as categorias de bens de consumo, substituindo a produção local. Os coeficientes de importação na indústria estão aumentando significativamente, não apenas em máquinas e equipamentos, mas também e principalmente em bens intermediários e de consumo.

O estímulo mais adequado e coerente para a modernização via aquisição de máquinas e equipamentos no exterior deve fazer uso de instrumentos tarifários, tributários e de financiamento direcionados a esses bens. Isso evitaria subsidiar de forma ampla, via câmbio, a todas as importações indiscriminadamente como ocorre no Brasil, não importa se de bens para investimento, ou consumo, ou ainda se eles poderiam ser produzidos no país.

É também evidente que o câmbio não é o único fator responsável pela nossa perda de competitividade. Há tanto questões econômicas, como tributação, juros, burocracia, entre outras, quanto de outra ordem, como nível educacional, tecnologia, etc.. No entanto, é equivocado misturar as agendas e auto enganar-se que medidas compensatórias, como incentivos fiscais, possam “compensar” o problema cambial. Precisamos melhorar a competitividade sistêmica, mas também tratar de aprimorar a política cambial.

Caberia um debate mais qualificado e honesto sobre as consequências e os riscos da opção feita pelo Brasil de manter sua moeda valorizada. Ao contrário do que o senso comum poderia nos levar a concluir, uma moeda artificialmente forte nos entorpece e cria uma falsa sensação de riqueza.

Mas, não por acaso, não apenas o caso mais citado da China, países em sua fase de desenvolvimento optam por manter uma moeda fraca, justamente para estimular, juntamente com outros instrumentos de fomento à competitividade, o valor agregado local, os investimentos produtivos, as inovações e as exportações.

Podemos escolher permanecermos como paraíso da arbitragem com câmbio e juros, de ampla oferta de produtos baratos e de viagens de turismo no exterior. A pergunta é como vamos pagar a conta dessa festa imodesta.

Também vale o alerta que banalizar demandas empresariais envolvendo a questão, rotulando-as como “choradeira”, ou coisa que o valha, denota um enorme desconhecimento da lógica empresarial. Há muitos empreendedores que obtêm ganhos muito mais expressivos, correndo menores riscos e com bem menos trabalho, substituindo a produção local por importações. O retorno é muito mais fácil, rápido e, em geral, bem mais robusto.

A pergunta é se esse é um caminho minimamente sustentável para o país, e, por consequência, no longo prazo, para a empresa. Vale questionar se podemos abrir mão de gerar renda, empregos e tecnologia, em troca de nos tornarmos, no limite, apenas um entreposto comercial.

A permanecer o quadro de valorização cambial, o déficit em conta corrente do balanço de pagamentos, acumulado em cerca de US$ 50 bilhões nos últimos doze meses, seguirá aumentando, o que nos tornará crescentemente dependentes da disposição dos capitais internacionais em nos financiar e mais vulneráveis.

Por todos os aspectos mencionados fica evidente que não se trata de um problema localizado, uma demanda corporativa setorial. Mais do que um problema da indústria, estamos diante de um dilema que afeta a nação brasileira e o seu futuro.

Antonio Corrêa de Lacerda é economista, doutor pelo IE/Unicamp, professor da PUC-SP e da Fundação Dom Cabral, é coautor, entre outros livros, de “Economia Brasileira” (Saraiva, 4ª edição, 2010). Ex-presidente da Sobeet e do Cofecon

Para ler sobre a opção preferencial brasileira pelo agronegócio e pelos minérios de exportação, clique aqui.





De trago em trago



(Mehmet Ozgur)




trago
o esquecimento
na fumaça
dos meus dedos


tentando apagar
meus restos
pendurados
no cinzeiro


trago
o entendimento
no filtro
dos meus dedos


tentando acordar
meus restos
pernoitados
no cinzeiro



Cris de Souza
no blog Trem da Lira

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Mídia - Livro do Serrano é uma desintoxic​ação






Por Vito Giannotti

Mídia, na cabeça de todo mundo, são meios de informação. Para Pascual
Serrano,
é exatamente o contrário. Desinformação é o título do seu
livro que já vai para a sexta edição. Sim, a partir de exemplos do
mundo todo, o jovem escritor catalão prova com mil fatos e dados que a
mídia são meios de desinformação e não de informação. Meios de
ocultação da verdade. De omissão de fatos, de dissimulação. Muitas vezes, de total e absoluta mentira.

Ignácio Ramonet, parceiro e mestre de Serrano sempre cita o caso mais gritante do começo do século XXI, no qual a mídia criou, manteve e reafirmou milhares de vezes uma tremenda farsa. O caso da invasão do Iraque pelos EUA, em março de 2003. Todas as famosas erenomadas agências internacionais de informação se esmeraram em desinformar o mundo para fazeracreditar que os EUA bombardeariam Bagdá por puríssimo amor à democracia contra o ditador Saddam Hussein.

Depois deste bombardeio midiático mundial de desinformação, 51% dos estadunidenses acreditavam piamente que o tal ditador Saddam tinha participado pessoalmente do atentado às Torres Gêmeas.

Serrano passeia da sua Espanha à África grande e esquecida; da Ásia, com seu Oriente Médio e a “ameaçadora” China à Europa dos Berlusconi e dos Post; da efervescente América Latina bolivariana à Rússia com sua nova Guerra Fria. Em cada caso, ele desnuda os mecanismos de produção de uma visão única e necessária para a manutenção da ideologia e da hegemonia dominante. Isto é, da ideologia do capitalismo neoliberal.

Mas Serrano, não deixa nenhuma visão pessimista. Com o realismo de quem não tem medo de ser pessimista na análise, mas otimista no sonho, Serrano ao longo do seu envolvente livro se coloca a clássica pergunta: ”O que Fazer? Propõe formar e educar as massas vítimas da intoxicação da mídia empresarial, isto é, da classe patronal, a resistir. Tarefa para todo tipo de comunicador é reafirmar que “Outra comunicação é possível”.

Reafirmar e agir para tornar este sonho realidade. Sonho? Sim, mas pode-se pensar em torná-lo realidade. Parafraseando Lênin, após a derrota da primeira revolução russa , em 1905, podemos dizer “Sonhos é preciso tê-los. Mas na condição de confrontá-los constantemente com a realidade e de lutar incessantemente para torná-los realidade.”. Pascual,
com seu site Rebellión, seus artigos em inúmeros jornais europeus e latinoamericanos, suas palestras pelo mundo afora e seu livro-alerta “Desinformacion. Como los médios ocultam el mundo” está entre os que cultivam sonhos. O sonho de outra hegemonia que a do capital.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

POESIA | Poemas mortais


ANELITO DE OLIVEIRA -


A Frederico Barbosa
Luís Eustáquio Soares
Narlan Mattos
Jairo Faria Mendes
Joca Wolff
Jomard Muniz de Brito
e Jorge Salomão


1.

É melhor retornar à poesia
É melhor desistir de problematizações supostamente inteligentes para corresponder a demandas de pessoas supostamente inteligentes que são, no fundo, profundamente estúpidas
É melhor não problematizar ideias supostamente interessantes que são, no fundo, profundamente desinteressantes
É melhor retornar à poesia
Seja lá o que isso signifique
Apenas pelo fato de que não consiste em problematizações supostamente inteligentes de que ninguém, obviamente, tomará conhecimento
É melhor retornar à poesia
É melhor retornar ao lugar de onde parti ao lugar onde alguém desinteressado está a ver a vida
Seja lá onde for
É melhor suspender ansiedades burocráticas
É melhor não esperar por nada
Retornar apenas
À poesia
É melhor retornar e não sair mais de lá
Ficar lá
Sozinho
Em meio às coisas sem importância nenhuma
Lá dentro do mundo
Alheio aos espetáculos urbanos


2.


Às vezes alguém compra pão
Numa padaria qualquer que encontra pela frente
Ao final da tarde
Para encontrar algum sentido na vida
Ainda
Às vezes alguém
Sem fome nenhuma
Entra numa padaria qualquer
E pede 100 gramas de salgado
Sem se importar com nomes
Apenas salgados
E uma xícara de café
Para encontrar algum sentido na vida
Ainda
Mesmo que seja por alguns minutos
Só isso


3.


Quando diremos a verdade?
Quando dizer a verdade será melhor que estar empregado?
Quando diremos a verdade mesmo se por isso formos demitidos?
Quando dizer a verdade será melhor que dizer mentiras estratégicas?
Quando diremos apenas a verdade,
Não mais que a verdade,
Só a verdade?


4.


Fede maconha, mas ninguém fuma maconha na rua, na cidade, na região, no estado, no país, em lugar nenhum,
Ninguém assume que fuma maconha aqui, todos são santos, não só não fumam maconha, não usam droga nenhuma, são contra todas as drogas, a começar pela maconha, são contra a discriminalização das drogas no país, inclusive da maconha.
Fede maconha no meio da noite, mas ninguém fuma maconha por aqui, todos são santos, todos são sérios, todos são puros,
E é estranho, portanto, que esteja fedendo maconha nesta hora, que esse cheiro forte atravesse a janela e entre aqui neste quarto, enigmaticamente,
Como se nada tivesse acontecendo.
Como sempre, nada nunca acontece por aqui.
Sempre estivemos em Dogville.


5.


Nada precisa de perfeição.
Como está, está perfeito, tal como pode ser. Mas queremos beleza,
E por beleza entendemos o que somos – beleza é a imagem que cultivamos.
Tudo que não somos, que não é como somos, não nos agrada.
E passamos grande parte da vida a lutar contra o mundo.
Não é uma coisa, ou algumas, que não estão de acordo com nossa ideia de beleza.
O mundo todo é horrível aos nossos olhos.
Mesmo o que dizem que é belo, que todos admiram, acaba por nos desagradar mais
cedo ou mais tarde.
Por isso, destruímos tudo a nossa volta.
A cada olhar, a cada toque, a cada respiro, acionamos nosso ódio contra o mundo.
Não suportamos nada nem ninguém.
No fundo, o que nos dá prazer na vida é a capacidade de matar
Com que nascemos.


6.


Waly tentava escrever o mundo, que não era, nunca foi, passível de ser escrito, escrevível.
Waly ultrapassava o mundo sempre que tentava escrever o mundo – o mundo escapava, automático, nos seus olhos.
Waly, o desejante, ultrapassava o mundo
Ou era – é possível pensar – ultrapassado pelo mundo sempre que tentava, às pressas, escrever o próprio mundo.
Escrevia o caos no lugar do mundo, o outro lado do cosmos, o que estava lá, abaixo do mapa, desconhecido.
Com razão, admirava Merleau-Ponty, o mundo não é alcançável. Alias, nenhuma coisa é alcançável nesta vida – mundo é, na verdade, “mundo”.
Waly queria tirar as aspas não só do mundo, mas de todas as coisas. Waly queria desaspar tudo a sua volta, sobretudo as pessoas, como quem desossa animais, para que tudo fosse agressivamente vivaz.
Nas suas mãos vorazes, tudo urrou - palavras, imagens, sensações – por um instante mais além do que cotidianamente é, tudo deixou de ser e voltou a ser, todavia,
O quase, o suportável, a promessa.
Waly esbarrava na razão e lá se indignava e de lá falava quando tentava, na sua colérica solidão, escrever este mundo.



7.


Não estamos preparados para morrer, tampouco para viver.
Nossa pretensão humana chega ao ponto de ignorar a coisa ridícula que somos, a coisa ignorante que somos, a coisa limitada que somos.
Não estamos preparados para nada.
Ninguém nos preparou para nada.
Um gesto grosseiro nos trouxe aqui. Outro gesto, igualmente grosseiro, nos levará daqui.
Se há algo que queremos evitar é a nossa própria condição humana num mundo cínico. Se há algo que queremos esquecer é o que temos sido.
Temos sido a enganação. Para o mundo. Para os outros. Para nós mesmos. Temos sido o que não somos.
A enganação se consolidou como nossa única condição de ser. Enganar, enganar-se, para ser feliz. Uma felicidade enganosa.
A enganação é a nova feição da nossa ignorância. A enganação é a velha feição da nossa ignorância.
Ignorantes, desconhecemos nossa própria infelicidade. Ignorantes, rimos, felizes, da cara da nossa infelicidade. Ignorantes, temos vivido a infelicidade como felicidade.
Temos sido a enganação.
Não estamos preparados para morrer, tampouco para viver.
Morreremos ignorantes, como temos vivido, ignorantes.



sobre este tecido

sobre
este tecido
que me cobre a carne
ardem
teus dedos
roçam
rasgam
riem
teus dentes
nenhum deus
aqui
sobre
este tecido
que me rasga
a carne
risco
traço
nenhum
deus dali
sobre
este tecido
que me risca
a carne
desfaço
tudo que posso
e passo
sobre
este tecido
que me despe
a carne
e fico
flechas de fogo
unhas
veias abertas
para a hora certa
quando
der na telha
de virar
o troço
e de te dar o troco

artur gomes
http://courocrucarneviva.blogspot.com

pornofônico confesso



esta noite em algum beco sem saída alguém está mordendo a faca e o dente dessa mordida
a minha língua devassa lambendo cerveja na lata e tua bunda na mata ao som de samplers rock and roll minha coleção de amores das areias de ipanema a atrix pornô do cinema que jorge mautner não cantou e rodrigo agora canta metáfora na carne sintética a soja do hot dog na sinfônica mordida elétrica canções que a dor não calou nas flores do mal me quer em algum destino traçado pedras pérolas palavras leminski rimbaud ou mesmo íris retina nos olhos de baudelaire

esta noite as flores do mal me quer pedras rolando na chuva um grito a mais na esquina eu canto torto a radiografia da pele eu trago e canto e fumo e falo eu sou o indecente o indgesto o que não cala para vomitar pela garganta o que a tua língua não fala

LadyGumesAfrincan'sBaby
para Samaral in/memorian

meto meus dedos cínicos
no teu corpo em fossa
proclamando o que ainda possa
vir a ser surpresa
porque amor não tem essa
de cumer na mesa
é caçador e caça
mastigando na floresta
todo tesão que resta
desta pátria/indefesa.

ponho meus dedos cínicos
sobre tuas costas
vou lambendo bostas
destas botas neoBurguesas
porque meu amor não tem essa
de vir a ser surpresa
é língua suja/grossa/visceral/ilesa
pra lamber tudo o que possa
vomitar na mesa
e me livrar da míngua
desta língua portuguesa



drummundana itabirina

fedra margarida a resolvida
decidira desfilar pela última vez
portando falo
resolvera desnudar de vez
a sua outra mulher
brazílica amanheceu incrédula
cartazes faixas manchetes vozes vozerios
por todas as vias multmeios multvias
voziferavam: Não ao Sim
e margarida flor impávida
lá foi beira-mar contando estrelas no cruzeiro
e césar que não é castro
continuou a pigmentar seu mastro
no outro lado da tela
e um dia fedra sorrindo
com o pênis/baton da louca
foi ao boca de luar da Fedra
e voltou com o luar na boca


SagaraNAgens Fulinaímicas

guima meu mestre guima
em mil perdões eu te peço
por esta obra encarnada
na carne cabra da peste
da hygia ferreira bem casta
aqui nas bandas do leste
a fome de carne é madrasta

ave palavra profana
cabala que vos fazia
veredas em mais sagaranas
a morte em vida Severina
teu grande serTão vou comer

nem joão cabral severino
nem virgulino de matraca
nem meu padrinho de pia
me ensinou usar faca
ou da palavra o fazer

a ferramenta que afino
roubei do mestre drummundo
que o diabo giramundo
é o narciso do meu ser


Pornofônico confesso

se este poema inocente
primitivo natural indecente
em teu pulsar navegante
entrar por tua boca entre dentes
espero que não se zangue
se misturar o meu sangue
em teu pensar quando antropo
por todas bocas do corpo
em total porno grafia
na sagração da mulher

me diga deusa da orgia
se também tu não me quer
quando em ti lateja e devora
palavra por palavra
por dentro e por fora
em pornofonia sonora
me diga lady senhora
nestes teus setenta anos
se nunca gozou pelos ânus
me diga bia de dora
num plano lítero/estético
qual cibernético ou humano
que te masturba ou te deflora


arturgomes
http://carnavalhaguemes.blogspot.com

Alucinações Interpo(É)ticas




o que é que mora em tua boca Bia?
um deus um anjo ou muitos dentes claros
como os olhos do diabo
e um a estrela como guia?

o que é que arde em tua boca Bia?
azeite sal pimenta e alho
résteas de cebola
um cheiro azedo de cozinha
tua boca é como a minha?

o que é que pulsa em tua boca Bia?
mar de eternas ondas
que covardes não navegam
rios de águas sujas
onde os peixes se apagam
ou um fogo cada vez mais Dante
como este em minha boca
de poeta delirante
nesta noite cada vez mais dia
em que acendo os meus infernos
em tua boca Bia?


artur gomes




sábado, 19 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

sobre este tecido




sobre
este tecido
que me cobre a carne
ardem
teus dedos
roçam
rasgam
riem
teus dentes
nenhum deus
aqui
sobre
este tecido
que me rasga
a carne
risco
traço
nenhum
deus dali
sobre
este tecido
que me risca
a carne
desfaço
tudo que posso
e passo
sobre
este tecido
que me despe
a carne
e fico
flechas de fogo
unhas
veias abertas
para a hora certa
quando
der na telha
de virar
o troço
e de te dar o troco

artur gomes
http://fulinaima.blogspot.com/

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

caixa preta do itamar

do blog http://euovo.blogspot.com/

Obrigado Serena e Anelis Assumpção. Por lançarem a caixa preta de Itamar Assumpção. Quem não sabe, essa caixa preta tem toda discografia do Itamar, remasterizada (só lembrando que as versões aqui abaixo não são as versões remasterizadas da caixa preta – portanto se você quiser as versões remasterizadas de todos os discos, deve comprar a caixa preta).

Obrigado também por darem continuidade à trilogia ‘Pretobrás’, iniciada em 1998 – no que se tornou o último disco do Itamar lançado em vida (o álbum em parceria com Naná Vasconcelos foi póstumo). Obrigado por dois discos inéditos do Itamar.

O primeiro ‘Pretobrás - Porque Eu Não Pensei Nisso Antes’ foi lançado pelo próprio Itamar, em vida. Sua idéia era preparar mais dois discos e formar uma trilogia, mas não teve tempo, apesar de deixar muito material gravado.

Em ‘Pretobrás II - Maldito Vírgula’ a produção ficou a cargo de Beto Villares e tem participação de gente como Arnaldo Antunes, B. Negão, Pupillo, Curumin, Thalma de Freitas, Kiko Dinucci, Marcelo Jeneci, Elza Soares, entre outros.

Já o último exemplar foi ‘Pretobrás III - Devia ser Proibido’ com produção de Paulo Lepetit e participação de Ney Matogrosso, Zélia Duncan e da banda que acompanhou Itamar durante muitos anos, a ‘Isca de Polícia’.

Enquanto esse volume (III) é o mais próximo de toda discografia de Itamar, o volume II é mais popular e pode ser uma boa pedida para todos aqueles que não conhecem a obra desse grande artista.

Por isso eu agradeço profundamente a iniciativa de Serena e Anelis, filhas de Itamar Assumpção, por terem reunido a obra do pai em formato digno do grande artista que ele é.

1980 Beleléu Leléu Eu (& Isca de Polícia)
1. Vinheta I
2. Luzia
3. Fon fin fan fin fun
4. Fico louco
5. Aranha
6. Se eu fiz tudo
7. Vinheta II
8. Vinheta III
9. Baby
10. Embalos
11. Nega música
12. Beijo na boca
13. Nego Dito

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1983 Às Próprias Custas S.A. (& Isca de Polícia)

1. Negra melodia
2. Você está sumindo
3. Vide verso meu endereço
4. Fico louco
5. Noite de terror
6. Oh! maldição
7. Amanticida
8. Batuque
9. Peço perdão
10. Que barato
11. Denúncia dos Santos Silva Beleléu

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1986 Sampa Midnignt - Isso Não Vai Ficar Assim

1. Prezadíssimos ouvintes
2. Idéia fixa
3. Navalha na liga
4. Movido a água
5. Desapareça Eunice
6. Tete tentei
7. Vamos nessa
8. Eldorado
9. Sampa midnight
10. Isso não vai ficar assim
11. Z da questão meu amor
12. Totalmente à revelia
13. Cadê Inês
14. Chavão abre porta grande
15. É o Quico

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1988 Intercontinental! (& Isca de Polícia)

1. Sutil
2. Adeus Pantanal
3. Pesquisa de mercado
I4. Oferenda
5. Sexto sentido
6. Pesquisa de mercado II
7. Ouça-me
8. Maremoto
9. Não há saídas
10. Mal menor
11. Zé Pelintra
12. Perdidos nas estrelas
13. Parece que foi ontem
14. Homem-mulher
15. Ausência
16. Filho de Santa Maria
17. Pesquisa de mercado III
18. Espírito que canta

Abaixar

1993 Bicho de 7 Cabeças (& As Orquideas do Brasil)

1. Sujeito a chuvas e trovoadas
2. Venha até São Paulo
3. Custa nada sonhar
4. Quem é cover de quem?
5. Noite torta
6. Balaio
7. Vou tirar você do dicionário
8. Logo que eu acordo
9. Orquídeas
10. Se a obra é a soma das penas
11. Quem descobriu, descobriu
12. É tanta água
13. Sonhei que viajava com você
14. Me basta
15. Nobody knows
16. Penso logo sinto
17. Enquanto penso nela

Abaixar

1993 Bicho de 7 Cabeças Vol.II (& As Orquideas do Brasil)

1. In the morning
2. Milágrimas
3. Ciúme do perfume
4. Coração absurdo
5. Tristes trópicos
6. Estropício
7. Quem canta seus males espanta
8. Tua boca9. Lambuzada de dendê
10. Ei você aí11. Aí que vontade
12. Onda sertaneja
13. Santo de casa
14. Vê se me esquece
15. Parece que bebe
16. Bicho de sete cabeças

Abaixar

1993 Bicho de 7 Cabeças Vol.III (& As Orquideas do Brasil)

1. Estropício
2. Quem canta seus males espanta
3. Tua boca
4. Lambuzada de dendê
5. Ei você aí
6. Aí que vontade
7. Onda sertaneja
8. Santo de casa
9. Vê se me esquece
10. Parece que bebe
11. Bicho de sete cabeças

Abaixar

1996 Ataulfo Alves por Itamar Assumpção (Pra Sempre Agora)

1. Meus tempos de criança
2. Saudades da Amélia
3. Bom crioulo
4. Requebro da mulata
5. Mulata assanhada
6. Laranja madura
7. Pois é
8. Vai mesmo
9. O homem e o cão
10. Errei sim
11. Errei erramos
12. Sei que é covardia
13. Atire a primeira pedra
14. Nem que chova canivete
15. Na cadência do samba
16. Jubileu
17. Bonde São Januário
18. Gente bem também samba
19. Leva meu samba
20. Vassalo do samba

Abaixar

1998 Pretobrás - Porque Eu Não Pensei Nisso Antes

1. Cultura Lira paulistana
2. Abobrinhas não
3. Vá cuidar da sua vida
4. Pretobrás
5. Extraordinário
6. Vida de artista
7. Dor elegante
8. Pöltinglen
9. Vou de vai-vai
10. Por que eu não pensei nisso antes
11. Apaixonite aguda

Abaixar

2004 Isso Vai Dar Repercussão (& Naná Vasconcelos)

1. Leonor
2. Cabelo duro
3. Próxima encarnação
4. Fim de festa
5. Justo você Berenice
6. Aculturado
7. Assim Naná ensina

Abaixar

2010 Pretobrás II - Maldito Vírgula

1. Maldito vírgula
2. Samba enredo
3. Je t'aime mais que o Jerome
4. O tempo todo
5. Todo esse tempo I
6. Todo esse tempo II
7. Ir pra Berlim
8. Procurei
9. Más línguas
10. Breu da noite
11. Os incomodados que se mudem
12. Agora é que são elas
13. Longe demim
14. Elza Soares

Abaixar

2010 Pretobrás III - Devia ser Proibido

1. Anteontem (melô da UTI)
2. Eu tenho medo
3. Grude
4. Devaneio
5. Devia ser proibido
6. Persigo São Paulo
7. Pirex
8. Fundamental
9. Ninguém como você
10. Variações
11. Ciúme doentio
12. Enquanto uns ficam falando
13.Visita suicida
14. Que tal o impossível
15. Os incomodados que se mudem

Abaixar

obs.: por ser também grande admirador de Itamar Assumpção, e ter vivo ainda na memória um show que assisti dele ao lado de Luis Melodia, no vão do MASP em 1987, agradeço ao pessoal do Eu Ovo, por essa maravilhosa notícia, o lançamento da caixa preta do Itamar.

Assimétrica




Tela de Fabian Perez

sinto o dedo que faz escorrer
a alça pelo meu ombro

cabelos disputam as margens
trianguladas das saboneteiras

impaciente você me canta
a saudade que tento não sentir

ah, se eu disser mais que isso
você me enlaça grosseiro

e eu nem finjo que resisto

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

jura secreta 131



o amor pode ser breve
assim como um floco de neve
um soneto em branco e preto
simbolista concreto abstrato
raio x auto retrato
subversão quando quiser
inspirado em erza pound
augusto dos anjos ou charles baudelaire
pode doer e ferir fundo
na alemanha ou na frança
bento porto sagarana
new york recife estocolmo louisiana
maceió aracaju em salvador ou paris
pode ser fulinaíma ou sacana
a marca do teu beijo em minha boca
gosto de sangue mel da cana
para sempre será profunda cicatriz

teus dedos brancos na seda
em guerra contra as palavras
a seda da tua língua
a morte que agora é lavra
ana que não é de hollanda
luisa de amsterdã
ainda arde em minha pele como a lã
teus pêlos em desalinho
que me aquecem a solidão no divã
em tardes de versos e vinho
tua carne trêmula nos lençóis
com tudo que o amor sempre quis

e quem sabe do amor somos nós
na divina comédia de dante
amar é sofrer não se espante
se ainda fazem de ti beatriz

artur gomes
http://juras-secretas.blogspot.com

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

jura não secreta



alice
chuta o elefante
com seu pesinho elegante
olha
o verde o vermelho
o azul o amarelo
a multi cor do seu brinquedo
alice
desde que nasceu é música
e letra
do meu novo samba enredo

artur gomes – o pai
http://www.facebook.com/album.php?aid=33072&id=1715210101
http://musadaminhacannon.blogspot.com/

domingo, 13 de fevereiro de 2011

ReVirando a Tropicália



nada melhor do que poemas do paulo leminski e torquato neto para meditar sobre esse obscuro momento da cultura oficial neste país de fogo & palha

todo louco tem um bairro
que o bairro o trata bem
só falta mais um pouco
para eu ser tratado também

o paulo leminski
é um cachorro louco
que dve ser morto
a pedra a fogo
a pau a pique
senão é bem capaz
o filha da puta
de fazer chover
em nosso piquenique

entre a dívida externa
e a dúvida interna
meu coração comercial
alterna

quando olho nos olhos
sei quando um pessoa
está por dentro
ou estar por fora
quem está por fora
não sustenta
um olhar que demora
diante do meu centro
este poema me olha

ali
se alice ali se visse
quando alice viu e não disse
e alice ali se dissesse
quanta palavra veio
e não desce
ali bem ali
dentro da alice
só alice com alice
ali se parece

paulo leminski




lets play that´s


quando nasci um anjo torto
veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo louco torto
com asas de avião
e eis o que o anjo me disse
apertando a minha mão
com um sorriso entre os dentes
vá bicho desafinar o coro dos contentes

e desde que eu sai de casa
trouxe a viagem de volta
cravada na minha mão
enterrada no meu umbigo
dentro fora assim comigo
minha própria condução

todo dia é dia dela
pode ser pode não ser
abro a porta ou a janela
todo dia é dia D

há urubus nos telhados
a carne seca é servida
um escorpião encravado
na sua própria ferida
não escapa
só escapo pela porta de saída

todo dia mais um dia
de amar-te a morte morrer
todo dia menos dia
mais um dia
dia D


Literato cantabile


agora não se fala mais
toda palavra guarda uma cilada
e qualquer gesto pode ser o fim
do seu início
agora não se fala nada
e tudo é transparente em cada forma
qualquer palavra é um gesto
e em minha orla
os pássaros de sempre cantam assim,
do precipício:
a guerra acabou
quem perdeu agradeça
a quem ganhou.
não se fala. não é permitido
mudar de idéia. é proibido.
não se permite nunca mais olhares
tensões de cismas crises e outros tempos
está vetado qualquer movimento
do corpo ou onde quer que alhures.
toda palavra envolve o precipício
e os literatos foram todos para o hospício
e não se sabe nunca mais do mim. agora o nunca.
agora não se fala nada, sim. fim. a guerra
acabou
e quem perdeu agradeça a quem ganhou.

agora não se fala mais
toda palavra guarda uma cilada
e qualquer gesto é o fim

do seu início:
Agora não se fala nada
e tudo é transparente em cada forma
qualquer palavra é um gesto
e em sua orla
os pássaros de sempre cantam
nos hospícios.
Você não tem que me dizer
o número de mundo deste mundo
não tem que me mostrar
a outra face
face ao fim de tudo:
só tem que me dizer
o nome da república do fundo
o sim do fim
do fim de tudo
e o tem do tempo vindo:
não tem que me mostrar
a outra mesma face ao outro mundo
(não se fala. não é permitido:
mudar de idéia. é proibido.
não se permite nunca mais olhares
tensões de cismas crises e outros tempos.
está vetado qualquer movimento



Andar Andei

não é o meu país
é uma sombra que pende
concreta
do meu nariz
em linha reta
não é minha cidade
é um sistema que invento
me transforma
e que acrescento
à minha idade
nem é o nosso amor
é a memória que suja
a história
que enferruja
o que passou
não é você
nem sou mais eu
adeus meu bem
(adeus adeus)
você mudou
mudei também
adeus amor
adeus e vem
quero dizer
nossa graça
(tenemos)
é porque não esquecemos
queremos cuidar da vida
já que a morte está parida
um dia depois do outro
numa casa enlouquecida
digo de novo
quero dizer
agora é na hora
agora é aqui
e ali e você
digo de novo
quero dizer
a morte não é vingança
beija e balança
e atrás dessa reticência
queremos
quero viver


cogito

eu sou como eu sou
pronome pessoal
intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

sou como eu sou agora
sem velhos segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

sou o que sou presente
desferrolhado
indecente
feito um pedaço de mim

sou o que sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim

torquato neto

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Rádio Bandeirantes censura a deputada Luiza Erundina

Fonte:
http://www.conversaafiada.com.br

Saiu no *Limpinho & Cheiroso:

Rádio Bandeirantes censura a deputada Luiza Erundina


O Limpinho reproduz mensagem enviada pela assessoria da deputada federal Luiza Erundina. A denúncia é grave e merece ampla repercussão. Ajude a divulgar. Veto ao interesse público e ao direito à informação

A produção do programa Manhã Bandeirantes, da Rádio Bandeirantes de São Paulo, agendou uma entrevista por telefone com a deputada Luiza Erundina para esta quarta-feira, dia 9, às 10:30. A pauta seria o Projeto de Lei n° 55/2011 , apresentado pela deputada Erundina na Câmara, que institui referendo popular obrigatório para a fixação dos vencimentos do Presidente da República e dos parlamentares.

O projeto é de notório interesse público visto que o reajuste de 62% nos subsídios dos parlamentares aprovado no final de 2010 foi implacavelmente criticado por grande parte da população brasileira e pela imprensa. Inclusive, no dia anterior à entrevista com a deputada Luiza Erundina, o apresentador do programa Manhã Bandeirantes, José Luiz Datena, questionou a dificuldade para o reajuste do salário mínimo dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros, enquanto o reajuste de 62% para os parlamentares foi votado e aprovado em caráter de urgência pela Casa, com voto da imensa maioria dos congressistas.

Nesse contexto estávamos, a deputada Luiza Erundina e sua assessoria, aguardando a ligação para participar do programa quando, uma hora antes da possível participação, recebemos uma outra ligação cancelando a entrevista. Tratava-se de um veto da direção do grupo.

Questionados sobre o por que da censura do veto à fala de uma parlamentar brasileira em um veículo da imprensa livre, sobre projeto de interesse público, fomos surpreendidos com
uma justificativa de cunho absolutamente pessoal: “Este veto é uma resposta aos ataques que a deputada vem fazendo à Rede Bandeirantes.”

Ora, a deputada Luiza Erundina apresentou requerimento junto à Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara, para a realização de audiências públicas com o objetivo de debater a renovação de concessões públicas de rádio e TV. E ela não fez isso como um “ataque” pessoal à Rede Bandeirantes. Ela apresentou requerimentos solicitando audiências públicas para debater o processo de renovação de emissoras ligadas à Rede Globo, à Rede Record e à Rede Bandeirantes, não como um ataque a essas emissoras, mas com o objetivo de motivar mais democracia e transparência no processo de renovação das concessões públicas de rádios e TVs. (REQ-205/2009 CCTCI e
REQ-220/2009 ).

O pleito da deputada Luiza Erundina foi absolutamente isento de pessoalidade. Apenas suscita o uso de instrumentos democráticos do Congresso – as audiências públicas – para a avaliação de um serviço de interesse público, antes da sua renovação por mais 15 anos. Já o posicionamento da Rede Bandeirantes revela exatamente o contrário: numa retaliação ao
exercício parlamentar da deputada, priva a sociedade de ter mais informações sobre um Projeto de Lei de absoluto interesse público, já que os subsídios dos representantes do povo são oriundos do orçamento público, que pertence ao povo.

Episódios como este violam o direito à informação e revelam que a liberdade de expressão no Brasil, definitivamente, não é uma realidade. Isenção, impessoalidade, interesse público, direito à informação ainda são expressões estranhas à maioria dos meios de comunicação. Lamentável para as comunicações. Lamentável para o Brasil.

Via Blog do Miro

RioBlogProg - Política
Movimento dos Internautas Progressistas do Estado do Rio de Janeiro
Grupo de discussão sobre Política

Inscreva-se ou mude suas configurações em:
http://groups.google.com.br/group/rbp-politica?hl=pt-BR

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

narciso acha feio o que não é espelho

césar castro - wermer além da alma


eu sou a outra parte
que habita dentro do meu outro eu
não a casca da carcaça aqui de fora

o que se vê no espelho
e ó imagem
narciso mergulhado
a própria sombra

o cavalo na folhagem
esse sim é o que se vê na tela
quando a câmera revela
o concreto da outra pessoa que não sou

artur gomes - sampleando

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

BICHO DE PORCO SE APRESENTA EM FESTIVAL DE SÃO JOÃO DA BARRA

Quem está sorrindo de orelha a orelha nesse fim de semana é o nosso diretor Jiddu Saldanha. Dois de seus trabalhos como diretor estarão sendo apresentados no Festival de Esquetes de São João da Barra; o premiado O Cão Sem Plumas do Grupo Bicho de Porco e Residência no Redemoinho, parceria de Jiddu Saldanha com a talentosa (e premiada) atriz Karol Schittinni do Teatro Trupiniquim.

As esquetes têm mais do que o diretor em comum. Ambas são monólogos realizados a partir de um intenso trabalho corporal e ambos são inspirados nas obras de grandes autorai s nacionais(João Cabral de Melo Neto e Guimarães Rosa). Também não é a primeira vez que esses trabalhos se apresentam juntos. No ano passado eles se apresentaram no evento Grandes Nomes da Literatura no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo.

O Festival de Esquetes de São João da Barra acontece entre os dias 07 e 11 de fevereiro no teatro municipal da cidade. Sempre às 20h.

maiores informações: http://festivaldeesquetessjb.blogspot.com/



ela tinha um jeito gal fatal vapor barato




quando pela primeira vez
em teus mares mergulhei
rio das ostras
gozei de amor e ócio
ainda não havia selvagens vândalos
não seus primitivos
mas outros que vieram
para destruir a tua história
sem pensar ao menos
na arqueologia dos teus ossos

em goyta city tem um esgoto a céu aberto um valão podre que atravessa a cidade que um dia foi chamado de canal campos macaé e a prefeitura de campos dos goytacazes gasta milhões pra enfeitar a podridão


black billy

ela tinha um jeito gal
fatal – vapor barato
toda vez que me trepava as unhas
como um gato
cantar era seu dom
chegava a dominar a voz
feito cigarra cigana ébria
vomitando doses dos eu cnto
uma vez só subiu ao palco
estrela no hotel das prateleiras
companheira de ratos
na pele de insetos
praticando a luz incerta
no auge do apogeu
a morte não é muito mais
que um plug elétrico
um grito de guitarra uma centelha
logo assim que ela começa
algo se espelha
na carne inicial de quem morreu


jazz free som balaio


ouvidos negros miles trumpete nos tímpanos
era uma criança forte como uma bola de gude
era uma criança mole como gosma de grude
tanto faz quem tanto não me fez
era uma antiVersão de blues
nalguma nigthe noite uma só vez

ouvidos black rumo premeditando o breque
sampa midinigth ou aVersão de brooklin
não pense aliterações em doses múltiplas
pense sinfonia em rimas raras
assim quando desperta do massificado
ouvidos vais ficando dançarina cara
ao ter-te arte nobre minha musa odara

ao toque dos tambores ecos suburbanos
elétricos negróides urbanóides gente
galáxias relances luzes sumos pratos
delícias de iguarias que algum deus consente
ao gênios dos infernos que arde gemem arte
misturas de comboios das tribos mais distantes
de mútiplas metades juntas numa parte

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Urariano Mota: Um caso de corrupção acadêmica

por Urariano Mota, em Direto do Viomundo

Recife (PE) – O homem que me contou este caso não é nenhum corrupto. Ainda que não haja contradição entre ser um cientista e um senhor corrupto, ele é um mestre, um cientista. Para melhor situá-lo, direi que é biólogo de uma escola superior do sul do Brasil. No entanto, a sua pessoa poderá ser vista em qualquer cidade. Com a palavra, o mestre K:

“A coisa está pior do que se pode imaginar. O senhor se julga um escritor, um sujeito dotado de fantasia? Então acompanhe o que lhe vou contar, porque a sua imaginação vai aprender muito.

Eu fui nomeado para ser relator de uma dissertação de mestrado. Tudo bem, isso faz parte do meu trabalho. Por experiência eu sei que não devo esperar teses que revolucionem o mundo da ciência. Revolução? Menos, para que exagerar? A realidade já é um exagero. Para dizer a verdade, eu não devo esperar a mínima contribuição para qualquer coisa. Como eu sou um homem honesto, eu lhe digo que se esse fosse o critério, eu não estaria no lugar onde estou. Mas não ter esperança é diferente da mais completa desesperança. Acompanhe.

Quando eu havia corrigido cerca de 2/3 da tese, eu tinha contado cerca de 150 erros de português. Preste bem atenção. Eu não sou exatamente um cultor do português, a minha especialidade é outra. Mas havia erros crassos, gritantes até para mim. Agora olhe como as coisas andam na maior concordância orgânica. O que o trabalho não sabia de português, melhor ainda não sabia da ciência biológica. Que maravilhosa coerência, não é? Havia antagonismos, buracos, saltos, o diabo. Então chamei o aluno, contei-lhe o estado deplorável da sua tese.

O aluno, muito vivo, me respondeu então, na minha cara, pois a que cara ele haveria de falar, não é?… na minha cara ele me disse que não tinha tempo de fazer as correções antes da defesa, que já estava marcada para o dia 13 de abril, e que viria um outro doutor de Brasília para a banca examinadora, etc. Então eu disse a ele: ‘Escute, você me fez perder um tempo grande na correção. Mas se a data da defesa já está marcada e seu orientador acha que o trabalho está apresentável, não vou criar problema. Mas tem uma coisa: retire o meu nome de relator, certo?’

Não sei por que cargas d`água o futuro ‘cientista’ achou que a comissão examinadora poderia criar problemas se ele não recebesse ‘o apto a ser julgado’ do relator, no caso, eu. Por conta dessa dúvida, ele apareceu em minha casa acompanhado dos seguintes fundamentos teóricos e experiências de laboratório: o seu poderoso pai com mostras de riqueza nas roupas, nos sapatos, mencionando de passagem o carro importado, junto às mais importantes citações científicas, todas de nomes de políticos e de pessoas influentes da sociedade.

Claro, como a visita era de amizade, como era uma política de boa vizinhança, trouxeram um litro de uísque antigo, cujo preço é o meu salário…. Eu não só dispensei o ‘presente’ como voltei a explicar tudo de novo: ‘O problema é seu e de seu orientador. O que vocês acordarem, pra mim está ótimo. Agora, não coloque o meu nome nessa história. Só isso’.

Bem, o ‘cientista’ defendeu o indefensável, não fez as modificações sugeridas por mim e pela banca examinadora, mas foi aprovado. Quando imprimiu os seis volumes da dissertação, deixou o meu nome como relator. Eu só não chamei o cara de santo. Então, fiz uma reclamação por escrito ao coordenador da pós-graduação e lhe disse que já era a segunda vez que me faziam de palhaço. E numa atitude radical, consegui apagar o meu nome em quatro dos seis volumes impressos, com corretivo. O pai do aluno, quando soube de minha atitude, o que fez?

Imagine, o pai do farsante me ameaçou com um processo. Eu era o delinquente! Ainda bem que para a minha sorte, para que o pai indignado não levasse adiante o processo, não havia prova de que eu cometera o crime de apagar o meu nome. E para maior atenuante, ainda havia dois exemplares com o meu nome de relator.

Agora, vem a melhor parte: contando isso aos colegas em uma reunião do Departamento de Biologia, em vez de receber apoio integral pela minha atitude, eu fui acusado de estar com excesso de ‘preciosismo’ nas minhas correções. Os professores mais corruptos disseram que eu fui idiota, metido a Robespierre em não ter aceitado o litro de uísque do cara. Em nome até da boa convivência, eu nada respondi a quem me chamou de Robespierre. Minha cabeça podia ir para a guilhotina”.

E aqui termina a fala do mestre K. Acreditem os leitores, o narrado não é ficção. Acontece em muitos lugares do Brasil.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

SagaraNAgens Fulinaímicas



guima
meu mestre guima
em mil perdões
eu vos peço
por esta obra encarnada
nacarne cabra da peste
da hygia ferreira bem casta
aqui nas bandas do leste
a fome de carne é madrasta

ave palavra profana
cabala que vos fazia
veredas em mais sagaranas
a morte em vidas severinas
tal qual antropofagia
teu grande serTão vou cumer

nem joão cabral severino
nem virgulino de matraca
nem meu padrinho de pia
me ensinou usar faca
ou da palavra o fazer

a ferramenta que afino
roubei do meste drummundo
que o diabo giramundo
é o narciso do meu Ser

artur gomes
http://artur-gomes.blogspot.com/




Um sonho de quase 30 anos que o complexo de superioridade do Açu apagou

Há cerca de 25 anos um funcionário público, mais precisamente um professor, pensando em deixar algo para sua família, adquire cinco lotes (número referente ao número de membros da família) numa praia então desconhecida para muitos. Mas era ali que seu parco salário lhe poderia permitir tal "extravagância", a qual, durante um longo tempo, lhe reduziria ainda mais os proventos, fazendo-o compensar com incansáveis aulas particulares além das três escolas em que lecionava. O que não faz um pai, um chefe de família, para ter a sensação de "poder morrer mais tranquilo"...

Depois de meses e meses honrando as intermináveis parcelas, consegue finalmente quitar a sua "tranquilidade".

Agora outra mexida nas contas e, estica daqui, estica dali - está na hora de passar a escritura para o nome de cada um. Senão não está o preto no branco! E lá vêm mais despesas que sairão do suor e do ofício de ensinar. Não se pode esmorecer na hora de carimbar definitivamente a meta. Para isso foi preciso sacrificar quatro férias consecutivas das crianças. Mas tudo era por elas mesmas. Amanhã terão, cada uma, o seu espaço próprio ,"que, com fé, será, até crescerem, um lugar mais desenvolvido". Cartório, papelada, certidões, deslocamentos para o município vizinho algumas vezes. Dias depois, o presente: cada um já tinha em seu nome a escritura definitiva dos lotes, geminados - pois todos juntos nos manterão a todos próximos, pensava o professor.

Mas, infelizmente, anos poucos se passam e ele vai conviver certamente com quem foi o seu maior exemplo aqui pela Terra, já que houvera sido sacerdote antes de assumir o magistério exclusivamente. Fato que catalisou a responsabilidade produtiva dos herdeiros dos lotes, até porque, uma das despesas certas era o pagamento do IPTU daquela vontade de ter a "tranquilidade" quando partisse que fez realizada.

Anos, anos e mais anos se passaram. Aquela ida de três em três meses à praia para pagar ao senhor que mantinha os matos baixos e evitava que os lotes se transformassem em lixões. Durante anos, idas e mais idas à sede do município para diminuir as cotas do IPTU. Cada vez mais se aproximara a hora de se começar a construir...

Qual nada. É anunciado um grande salto no desenvolvimento daquele pedacinho esquecido do mapa. Bilhões e bilhões seriam investidos bem na terra em que o professor plantou o sonho de deixar sua família feliz, deixando para cada um um pedaço colado de terra que manteria a família unida para sempre. Os planos variavam. Juntar os lotes e investir em algo onde a viúva pudesse desfrutar os seus dias produzindo e tendo uma vida mais digna, hoje limitada pela miserável pensão que o governo do estado lhe confere, após a vida daquele professor sonhador e responsável pela formação de tantos cidadãos.

Uma pousada, um restaurante com os pratos caseiros feitos num bom fogão à lenha, uma escola... quem sabe?!?!? Apenas uma coisa estava fora em qualquer hipótese: vender os lotes. Pois o sonho já havia sido absorvido por todos e era aquela gleba conjunta que representava, juntamente com a casa onde moravam, a força de vontade e a preocupação e carinho que aquele professor, pai e chefe de família foi. Nunca deixar se levar pelas propostas que os especuladores oportunistas, rapineiros, oferecem e parecem sempre muito boas.

Afinal, agora havia chegada a hora da recompensa dos quase 30 anos de sonho. Desde as primeiras prestações à quitação. Das despesas administrativas e de manutenção aos impostos. É, como o professor fora iluminado. Um futurista, na certa!!!

Mais uma vez... qual nada! Um decreto frio do governo estadual sepulta essa história. Uma convocação da CODIN informa que aquela área fora desapropriada por 35 reais o metro quadrado e que era preciso levar os documentos ao seu escritório para agilização do pagamento. Mas se discordarem do preço que entrem na justiça para questionar. Frieza! Frieza só.

Os mesmos lotes que, para guardar um sonho, foram recusados 70 mil reais por unidade estão agora sendo desapropriados por pouco mais de 14 mil. Juntem às prestações, os encargos administrativos e tributários, e finalmente o sonho e a certeza de que valeu ter esperado para crescer junto. Nada vale nada.

Esse é o preço que o desenvolvimento dirigido produz. Ele é para os poucos, para os mesmos. Por quanto será vendido o mesmo metro quadrado.

Enquanto isso, o sonho desenfreado de se acumular mais dinheiro e subir no ranking dos mais ricos, como criança colecionando figurinhas, não pode ser interrompido.

(joca-baseado em fatos reais)

por Joca Muylaert em http://carraspanacampista.blogspot.com

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

curtíssimo roteiro para um curta breve

césar castro - wermer além da alma


a carne que me cobre é fraca
a língua que me fala é faca
o olho que me olha vaca
alfa me querendo beta
juro que não sou poeta
a ninfa que me ímã
quando arquiteta
o salto da abelha
quando mel em flor
e pulsa pulsa pulsa
a matéria negra cor
quando a pele que veste é nada
éter pluma seda pêlo
quando custa estar em arcozelo
desatar a lã
dos fios do novelo
no sol de amsterdã
desvendar hollanda
e os mistérios da palavra
por entre os cotovelos

artur gomes
http://juras-secretas.blogspot.com/


alice dá um chute no elefante com seu pesinho elegante macabea não sabendo o que fazer depois de rejeitada na programação do quarta capa se enfia na sala de artes cínicas d0 presídio federal de brazilírica mas não consegue entender clarice nem paixão segundo GH em mar de fogo me registro mariana olha-me através do espelho do quarto do motel com olhos de vaca no cio na calçada caio fernando me diz que os dragões não visitam o paraíso e o sangue escorre do seu pulso até o chão de uma cidade de palha

não conseguia entender como silvinha fora parar sem ao josé do rio preto se lá não havia escola de dança e letras do ibilce não estavam em cogitação quando em dracena foi fazer a provados nove bia continuava em ribeirão com o namorado que rasgava poemas de amor alheio não tinha como deixar a república ou se instalar na casa dos avós em jardiNÓpolis onde cresceram as noites de amor e jabuticabas ouvindo estórias de newton no bar do chico na praça

haviávamos acabado de rasgar mais uma vez os retalhos nos porões da casa guignard em outro preto era 95 e no lance de dados deu 5 e as crianças são testemunhas marllarmè passou por aqui nirvana veio até a mim e me disse que queria dançar o cântico dos cânticos ao som da minha voz federika pela primeira vez subiu nas paredes como uma lagartixa quando em busca de mosquito

gravei uma fita cassete e mandei para campinas onde na unicampi orientada por marília de andrade nirvana fazia mestrado em dança contemporânea para desvendar os fragmentos corporais de pina bausch ( Philippine Bausch, mais conhecida como Pina Bausch (Solingen, 27 de julho de 1940 — Wuppertal, 30 de Junho de 2009), foi uma coreógrafa, dançarina, pedagoga de dança e diretora de balé alemã.

Conhecida principalmente por contar histórias enquanto dança, suas coreografias eram baseadas nas experiências de vida dos bailarinos e feitas conjuntamente. Várias delas são relacionadas a cidades de todo o mundo, já que a coreógrafa retirava de suas turnês idéias para seu trabalho.
Entre os seus temas recorrentes estavam as interações entre masculino e feminino - uma inspiração para Pedro Almodóvar, em cujo filme, Fale com ela, Pina aparece em uma bela sequência de dança.

Foi diretora da Tanztheater Wuppertal Pina Bausch, localizada em Wuppertal. A companhia tem um grande repertório de peças originais e viaja regularmente por vários países. )

era uma noite de julho e em setembro invadimos são paulo com a voz do poeta e o corpo da bailarina “saibam quantos estes meus versos virem que te amo do amor maior que possível for toma conta do sol toma conta da terra toma conta do mar toma conta de mim maria antonieta d´alkmim” depois do amor me registro com os retalhos imortais do serAfim – porque oswald de andrade nada sabia de mim

sérgio sampaio a meu ver é um caso a parte na música popular brasileira capixaba de cachoeiro do itapemirim chegou ao rio de janeiro em plena ditadura militar sua genialidade não permitiu que trilhasse os mesmos caminhos do seu conterrâneo preferiu outras trilhas num tempo em que era sair do país ou enlouquecer preferiu a última opção e fez dela inspiração para criar as mais belas pérolas da mpb e hoje ouvi-lo é um alento uma desintoxicação para os nossos tímpanos

federico baudelaire – viagens insanas
http://federicobaudelaire.blogspot.com/

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

10ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis abre inscrições da Mostra Competitiva

De 2 de fevereiro a 2 de abril podem ser realizadas as inscrições de filmes para a 10ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, um dos mais importantes festivais do segmento no Brasil, que ocorre de 23 de junho a 10 de julho na capital catarinense.

Serão aceitas para participar da Mostra Competitiva do evento, produções nacionais de todos os gêneros e formatos, direcionadas ao público infanto-juvenil e inéditas em Santa Catarina.

Diretores e produtores podem acessar o regulamento e a ficha de inscrição no site www.mostradecinemainfantil.com.br a partir da data de abertura do processo. Os filmes selecionados serão divulgados no final do mês de maio. Curtas e longas-metragens internacionais, médias e longas brasileiros integram mostras especiais e não-competitivas.

O evento premia, em parceria com a TV Brasil, quatro curtas-metragens nas categorias de melhor ficção, melhor animação, júri popular e prêmio especial das crianças. A escolha dos vencedores é realizada por um júri oficial e também um júri especial formado por crianças. Além do troféu, os vencedores recebem um prêmio aquisição da TV Brasil no valor de R$ 5.000,00.

A décima edição da Mostra é a celebração de um projeto iniciado em 2002 e que chamou a atenção de todo o país para a importância de se desenvolver e fortalecer o cinema nacional para as crianças. A cada ano os números de filmes e de público são ampliados.

Na primeira edição, atingiu 2,5 mil pessoas, e em 2010, 26 mil. Neste ano a expectativa é de atingir 30 mil crianças. Somente no ano passado foram exibidos um total de 92 filmes: 73 curtas brasileiros na Mostra Competitiva, longas-metragens internacionais e nacionais em pré-estreia, além das sessões especiais com curtas do Irã, Índia, Alemanha, Espanha, Inglaterra, Rússia, França, Bélgica, Holanda e Estados Unidos.

Durante o evento, a exibição dos filmes é realizada também como uma ação voltada à inclusão social e construção da cidadania através do cinema. Alunos das escolas da rede pública ganham transporte para assistir as sessões gratuitas durante a semana, e a preços populares nos fins de semana. Paralelamente, ocorrem oficinas para estudantes e para professores, debates com especialistas em educação e cinema, produtores e realizadores.

Nesta edição do evento, a programação inclui o 7º Encontro Nacional do Cinema Infantil, que tratará a produção cinematográfica para crianças e adolescentes. Também será realizado o 4º Pitching, que escolhe um projeto de longa-metragem para participar de um Fórum de Financiamento na Suécia, além do 4º Fórum de Cinema e Educação.

A Mostra realiza uma parceria com a Programadora Brasil, do Ministério da Cultura e com a Distribuidora Curta o Curta. Os filmes encaminhados para o evento serão sugeridos para inclusão nos catálogos de títulos infantis destes dois projetos, cabendo aos próprios a seleção final. Estas parcerias permitem que as crianças de todo o país tenham acesso a atual produção brasileira de cinema infantil.

A Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis é uma realização da Lume Produções Culturais com o apoio de patrocinadores.

Contatos:
Luiza Lins

Diretora da Mostra
luizalins@mostradecinemainfantil.com.br

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

marimbondos de fogo

césar castro - wermer além da alma

que mistérios tem clarice
o rio o mar o corcovado
a rocinha o méier engenho de dentro
que mistério tem o centro
a direita a esquerda
a massa o burguês o proletariado
são paulo goiás pernambuco
ceará tocantins maranhão
que mistério tem eunuco
pra não ser mais garanhão
que mistério tem a lapa
o tapa na cara do povo
que mistério tem o velho
que mistério tem o novo
acari madureira inhaúma
que mistério tem pavuna
pão de açúcar corcovado
que mistério tem a ilha
o planalto de brasilha
pra sarney mais uma vez
ser presidente do senado

estava em saquarema gritando para o mar que o amor é tempero de fogo pré sal cebola pimenta flora pensando as arte/manhas do padre filho espírito santo lembrou-me thiago de mello faz escuro mas eu canto uilcon pereira em entrevista me disse que a única coisa que não pode ser vista em assombradado são as tramóias do congresso a meia noite o expresso no cinema do absurdo e se esse texto que rola na internet sobre o tal do BBB se for mesmo do veríssimo a palavra ferina concreta eu juro que nenhuma das juras pode ser jura secreta


de roberto lopes agência brasil recebo a notícia que Centrais pedem a parlamentares agilidade sobre redução da jornada e fim do fator previdenciário as centrais sindicais entregaram hoje (1°) uma pauta de reivindicação aos parlamentares que tomaram posse hoje (1º) no Congresso. Entre os itens estão o projeto que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais e o que acaba com o fator previdenciário.

As centrais querem sensibilizar os parlamentares em relação a essas questões. “Vamos buscar os parlamentares, os debates que se fazem nas comissões de trabalho no Senado e na Câmara dos Deputados para que possamos ganhar mais parlamentares a favor dessas propostas”, disse o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna.

Ele explicou ainda que a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais é importante para que os trabalhadores possam ter mais tempo livre para se qualificar. “O trabalhador poderia ter mais tempo para se qualificar e com isso daria um retorno ao nosso país e às empresas, melhorando a produtividade e a competitividade do Brasil em relação aos demais”. Hoje, a jornada de trabalho é de no máximo 44 horas semanais.

Sobre o fator previdenciário (fórmula para calcular o tempo de aposentadoria, que acaba prejudicando o trabalhador na hora de se aposentar) ele observou que as pessoas que começam a trabalhar mais cedo são as principais afetadas. “Porque com a contagem de tempo da aposentadoria, ele [trabalhador] acaba tendo uma idade menor na hora da aposentadoria. Mesmo trabalhando o tempo que a lei exige”, explicou.

O fator previdenciário leva em conta o tempo de contribuição do trabalhador, sua idade e a expectativa de vida dos brasileiros.

Ano passado, foi aprovada pelo Congresso Nacional uma emenda que acabava com o fator previdenciário, mas foi vetada pelo então Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Além desses dois temas está na pauta das centrais salário mínimo de R$ 580, a correção da tabela do Imposto de Renda e o reajuste dos benefícios para os aposentados que ganham acima do salário mínimo.


como isso aqui não é planalto central de brazilírica não temos que fazer concessões para escrever o que queremos não somos associados de nenhuma união brasileira de escritores compositores escolas de samba muito menos crio marimbondos de fogo me chamo federico baudelaire mestre sala da mocidade independente de padre olivácio a única instituição pública deste país que não tem negócios com a coisa privada no país do carnaval falo em verso mas é prosa no quintal da minha casa tem um pé de manga espada até a fruta está armada contra os encravos da rosa
federico baudelaire. - viagens insanas