segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Ana de Hollanda - retrocesso e vexame grandioso

Não tivesse o sobrenome que tem, talvez esta senhora sequer arrumasse um
cargo de contínuo no ministério da cultura.

O registro de sua atuação como gestora cultural é pífio.

Trabalhando na diretoria de musica na Funarte, tudo que fez fez foi
anacronicamente reeditar o projeto Pixinguinha imaginando ainda, quem sabe,
estar na década de setenta, sem perceber que a grande questão da música
popular brasileira neste novo milênio não era mais a de “levar” música de
qualidade do sudeste ao resto da população “inculta” ou carente de cultura
musical nos outros estados brasileiros.

Funcionária subalterna do Minc e por isso de certa maneira com ouvidos e
olhos privilegiados, não foi capaz de perceber que um novo processo de
gestão se iniciava, agora sem os eternos privilégios que os produtores do
eixo Rio São Paulo sempre tiveram.

Não sabemos se a família tem preocupações com a cultura ou informações
suficientes pra ficar com vergonha da irmã menos talentosa, mas o PT do Rio
não pode fingir que não é consigo.

O retrocesso já em curso pela ministra, é de envergonhar quem nela pôde
apostar.

Sua presença e atuação beira o absurdo pois funciona como se o governo que
acabou de sair fosse o de adversários e não aquele que produziu um quase
consenso de boa qualidade na gestão cultural.

Talvez seja o PT do Rio, que deva resolver o grave problema de termos esta
vergonha como ministra de estado.

Não sendo ele, teremos que esperar que o nacional ou os de outros estados da
federação perceba a enorme tragédia na área da cultura que neste momento
temos e se movimente.

Não sendo estes ainda os que venham a se mobilizar, tudo será contarmos com
a diligencia da família ou da nossa presidenta que não parece também muito
bem informada ou preocupada com a questão cultural.

Estivesse, não teria cometido este grave erro, que nos proporcionará atrasos
enormes e em números tão grandes que a lista de todos sequer caberiam nesta
mensagem.

Por ora ficaremos com os elencados e postados por da dasilvaorg no link
http://rede.metareciclagem.org/blog/22-01-11/Ana-de-Hollanda-por-lulaPCosta-em-8-tweets

Mais do que o perrengue com o PMDB e sua gula, o retrocesso na política do
MinC indica um prejuízo maior para a gestão Dilma.
A escolha de Ana de Hollanda é até agora o maior erro da presidenta no
processo de construção de uma hegemonia a partir do gov. Lula.
O prejuízo a que me refiro não é evidente nem para oposição direitista nem
para cidadão médio.

Mas
1) despotencializa mov sociais;

2) privilegia setores já abastados entre produtores culturais no Brasil;

3) Consolida um processo milenar de exclusão e anulação da fala de setores
marginalizados da sociedade brasileira;

4) Desrespeita um processo democrático elaborado no MInC durante oito anos;

5) Confirma a tradição de descontinuidade entre uma gestão e outra na gestão
pública;

6) O que é uma forma também de confirmação do caráter personalista da gestão
pública e das formas de fazer política institucional no Brasil.


MARKO ANDRADE
www.myspace.com/tupyafro


e se Sarney resolvesse soltar os marimbondos de fogo e novamente quisesse ser o presidente do senado e se a mocidade independente de padre olivácio invadisse o congresso e se pastor de andrade não fosse o açougueiro das almas e se joão miramar não foose a europa e olhasse o brasil com os olhos livres e se clarice não fosse esfinge e beatriz não fosse dante ana não fosse de hollanda venceria então disparada ou empataria mesmo com a banda


artur gomes sampleando
http://www.advivo.com.br/categoria/autor/artur-gomes




Beijo Chéri

O céu cobria-se de panos quentes
Que se locomoviam na minha boca
Intocável, desprovida e louca
Toda despida na noite noviça
Sem pílulas para matar o vício
Sem anestesias para tirar o gosto
Da bala de pimenta que desmanchou-se
Como um tiro manchando minha pele
Do bendito sabor do Beijo Chéri.

Ele foi fundo na minha língua Sucuri
Ao som de sua saliva grudou-se um imã
Dois lábios de genes trocados, colados
Cruzamento de cobras matando a fome
Desvirginando sensações inversas
Procriando a molhada cobra Coral
Entre as armadilhas dos braços
Que jogavam sem dó o laço
Da maldita saliva do Beijo Chéri.

Beijo este que amortecia a pele
Bebia a última gota da fonte
Pousava como uma praga
Platônica e rastejante de Plutão
Tomando a seiva do meu sexo
O vinho da minha paixão
Na taça ensaboada de cristal
Que carregava nos lábios finos
Assombrações do Beijo Chéri.

Os sutos guardo nos meus apuros
Que levo escondido entre os seios
Presos nas taças de meu sutiã
Sem abrir o bico para o grito
Dos gemidos que espremo
Nas coxas roliças dos meus dias.
Mas quando liberto os seios da taça
Os sonhos caçam a língua Sucuri
Cobra que me cobre e me come
Cobrando o preço do meu pecado
Pago na dor do ferro a brasa
Que marcou em meus lábios
O gosto quente do Beijo Chéri.

Alcinéia Marcucci
in http://artedafemea.blogspot.com/

Pobres mortais que descem a terra sem ao menos uma vez terem subido aos céus com os calores e sabores de um Beijo Chéri derretido na saliva.
Que Chéri os perdoe!




BICHO DE PORCO SE APRESENTA EM FESTIVAL DE SÃO JOÃO DA BARRA

Quem está sorrindo de orelha a orelha nesse fim de semana é o nosso diretor Jiddu Saldanha. Dois de seus trabalhos como diretor estarão sendo apresentados no Festival de Esquetes de São João da Barra; o premiado O Cão Sem Plumas do Grupo Bicho de Porco e Residência no Redemoinho, parceria de Jiddu Saldanha com a talentosa (e premiada) atriz Karol Schittinni do Teatro Trupiniquim.

As esquetes têm mais do que o diretor em comum. Ambas são monólogos realizados a partir de um intenso trabalho corporal e ambos são inspirados nas obras de grandes autorai s nacionais(João Cabral de Melo Neto e Guimarães Rosa). Também não é a primeira vez que esses trabalhos se apresentam juntos. No ano passado eles se apresentaram no evento Grandes Nomes da Literatura no Centro Cultural Laurinda Santos Lobo.

O Festival de Esquetes de São João da Barra acontecerá entre os dias 07 e 11 de fevereiro no teatro municipal da cidade. Sempre às 20h.

maiores informações: http://festivaldeesquetessjb.blogspot.com/



O Egito como estado “dos outros”: EUA, Israel e um punhado de novos ricos


por Juan Cole, em seu blog fonte: www.viomundo.com.br

Na manhã de domingo havia sinais de que os militares egípcios estavam assumindo algumas funções de segurança. Soldados começaram a prender suspeitos de vandalismo, cerca de 450 deles.

O desaparecimento da polícia das ruas havia levado à ameaça de saques generalizados, o que agora está sendo enfrentado pelas forças militares regulares. Outros métodos de controle ficaram claros. O governo fechou o escritório da Al Jazeera no Cairo e tirou a licença para que os jornalistas da emissora trabalhassem lá, de acordo com mensagens no twitter. (A Al Jazeera não tinha sido capaz de transmitir diretamente do Cairo mesmo antes da decisão). O canal, baseado no Catar, é visto pelo presidente Hosni Mubarak como agente a serviço de enfraquecê-lo.

Por que o estado egípcio perdeu sua legitimidade? Max Weber distinguia entre poder e autoridade. O poder flui das armas e o estado egípcio tem uma grande quantidade delas. Mas Weber definia autoridade como a probabilidade de uma ordem ser obedecida. Líderes que tem autoridade não precisam atirar nas pessoas. O regime de Mubarak já atirou em mais de 100 pessoas nos últimos dias e feriu muitas outras.

Literalmente, centenas de milhares de pessoas ignoraram as ordens de Mubarak para observar o toque de recolher noturno. Ele perdeu sua autoridade.

A autoridade é baseda em legitimidade. Líderes são seguidos quando as pessoas concordam que eles tem alguma base legítima para sua autoridade e poder. Em países democráticos, a legitimidade vem das urnas.

No Egito, entre 1957-1970, a autoridade derivou do papel de liderança que os militares e as forças de segurança tiveram ao livrar o país da hegemonia ocidental. Aquele conflito incluiu enfrentar o Reino Unico para ganhar controle do canal de Suez (originalmente contruído pelo governo egípcio e aberto em 1869, mas comprado por quase nada pelos britânicos em 1875, quando as práticas bancárias ocidentais levaram o governo egípcio endividado à beira da bancarrota).

Também envolveu enfrentar as tentativas agressivas de Israel de ocupar a península do Sinai para representar interesses israelenses no canal de Suez. O líder revolucionário árabe Gamal Abdel Nasser (que morreu em 1970) conduziu uma grande reforma agrária, dividindo as gigantescas fazendas de estilo centro-americano e criando uma classe média rural. Leonard Binder argumentou que no fim dos anos 60 aquela classe média era a coluna do regime. O estado sob Abdel Nasser promoveu a industrialização e também criou uma classe urbana de empresários que se beneficiaram das construções encomendadas pelo governo.

A partir de 1970, Anwar El Sadat levou o Egito por uma nova direção, abrindo a economia e abertamente se aliando à classe empresarial multimilionária do ramo da construção. Esta estava em busca de investimentos europeus e americanos. Cansado das guerras sem resultado entre árabes e israelenses, o público egípcio deu apoio ao plano de paz de 1978 com Israel, que acabou com o ciclo de guerras com aquele país e abriu espaço para construir a indústria de turismo egípcia e o investimento ocidental nela, assim como ajuda financeira americana e europeia. O Egito se moveu para a direita.

Mas enquanto as políticas socialistas de Nasser levaram à duplicação dos salários reais no Egito entre 1960-1970, de 1970 a 2000 não houve desenvolvimento no país. Parte do problema foi demográfico. Se a população cresce 3% ao ano e a economia cresce 3% ao ano, o aumento per capita é zero. Desde cerca de 1850, o Egito e outros países do Oriente Médio tem tido um (misterioso) boom populacional.

As crescentes populações tornaram as cidades inchadas, já que tipicamente elas oferecem salários maiores que na zona rural, mesmo na economia informal (por exemplo, vendendo caixas de fósforo). Quase metade da população agora vive nas cidades e muitas vilas hoje se tornaram subúrbios das vastas metrópoles.

E assim a classe média rural, embora ainda importante, não serve mais como principal base de apoio ao regime. Um governo bem sucedido teria de ter um grande número de pessoas nas cidades ao seu lado. Mas lá, as políticas neoliberais exigidas pelos Estados Unidos de Hosni Mubarak desde 1981 não ajudaram. As cidades egípcias sofrem de alto índice de desemprego e de inflação relativamente alta. O setor urbano viu nascerem alguns multibilionários, mas muitos trabalhadores ficaram para trás. O enorme número de formados em escolas secundárias e universidades produzidos pelo sistema não encontra empregos à altura de sua educação e muitos nem conseguem emprego. O Egito urbano tem ricos e pobres, mas uma pequena classe média. O estado tenta cuidadosamente controlar os sindicatos, que quase nunca agem de forma independente.

O estado, assim, é visto como um estado para poucos. Sua velha base de classe média rural estava em declínio com a mudança dos jovens para as cidades. O estado está fazendo pouco para as classes trabalhadora e média urbanas. Uma classe de negócios ostentadora emergiu, altamente dependente de contratos e da boa vontade do governo — e se encontra nos hotéis de luxo de turismo. Mas as massas de formados na escola secundária e na universidade foram reduzidas a dirigir táxis e vender tapetes (quando conseguem esses bicos) e não se beneficiaram das taxas de crescimento no papel da última década.

O regime militar do Egito inicialmente ganhou legitimidade popular em parte por enfrentar a França, o Reino Unido e Israel entre 1956-57 (com a ajuda de Ike Eisenhower). Depois dos acordos de Camp David o Egito ficou de fora das grandes disputas do Oriente Médio e fez o que é visto como uma paz em separado. A cooperação do Egito com o bloqueio israelense de Gaza e sua aliança tácita com os Estados Unidos e Israel enfureceram politicamente os mais jovens, que já estavam economicamente frustrados.

A ajuda do Cairo aos Estados Unidos, por baixo do pano, com [a invasão do] Iraque e com a tortura de suspeitos de pertencer à Al Qaeda, é bem conhecida. Muito pouco desgosta tanto os egípcios quanto a guerra do Iraque e a tortura. O estado egípcio foi de ter uma ampla base nos anos 50 e 60 para ser capturado por uma pequena elite. Foi de um símbolo de luta por dignidade e independência diante do domínio britânico para ser visto como um cãozinho de estimação do Ocidente.

O fracasso do regime em se conectar com as crescentes classes urbanas (média e de trabalhadores) e sua incapacidade em dar emprego aos formados em universidades criaram as condições para os eventos da semana passada. Trabalhadores educados precisam de um estado legal para regular suas atividades econômicas e o governo arbitrário de Mubarak é visto como um atraso por eles. Embora a economia tenha crescido entre 5 e 6% na última década, o ímpeto governamental que houve para esse desenvolvimento permaneceu escondido — ao contrário da reforma agrária dos anos 50 e 60. Além disso, a renda ganha com o aumento do comércio foi para uma pequena classe de investidores. Por exemplo, desde 1991 o governo vendeu 150 das 314 empresas estatais, mas o benefício das vendas foi para um pequeno punhado de pessoas.

A crise econômica mundial de 2008-2009 teve um efeito devastador para os egípcios que já viviam precariamente. Muitos dos mais pobres enfrentaram a fome. Depois, a queda nos preços e nas receitas do petróleo fizeram com que muitos dos trabalhadores egípcios em outros países perdessem sua reserva econômica. Eles não puderam mais fazer as remessas de dinheiro para casa e muitos tiveram de voltar de forma humilhante.

O estado nasserista, com todos os seus problemas, teve legitimidade porque era visto como um estado para a massa dos egípcios, tanto fora quanto dentro do país. O atual regime é visto no Egito como um estado para os outros — para os Estados Unidos, Israel, França e Reino Unido — e é um estado para poucos — os novos ricos neoliberais.

O islã não é levado em conta nesta análise por não ser uma variável independente. Os movimentos islâmicos tem servido para protestar contra a ausência do estado diante de suas responsabilidades e para oferecer serviços. Mas eles são um sintoma, não uma causa. É por isso que a nomeação por Mubarak de militares para ocupar os cargos de vice-presidente e de primeiro-ministro não são suficientes em si para enfrentar a crise. Eles, como homens do Sistema, não tem mais legitimidade que o presidente — talvez até menos.

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