sábado, 11 de dezembro de 2010

Porque hoje é sábado

agora não se fala nada
agora não se fala mais
toda palavra guarda uma cilada
e tudo é transparente em cada forma

você não precisa me dizer
o número do mundo desse mundo
nem precisa me mostrar a outra face
face ao fim de tudo

só precisa me dizer
o nome da república dos fundos
o sim do fim
e o tem do tempo vindo

Dia D

desde que eu saí de casa
trouxe a viagem de volta
cravada na minha mão
interrada no meu umbigo
dentro fora assim comigo
minha própria condução

todo dia é dia dela
pode ser pode não ser
abro a porta ou a janela
todo dia é dia D

há urubus nos telhados
a carne seca é servida
um escorpião encravado
na sua própria ferida
não escapa
só escapo pela porta de saída

todo dia mais um dia
de amar-te a morte morrer
todo do mais um dia
menos dia dia D

torquato neto


Quartas Culturais - Cantinho do Poeta
Rua Cardoso de Melo, 42
Campos dos Goytacazes-RJ
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Porrada llírica



Dia 15 dezembro 2010 – 21:00hs
Mas Sarau o Benedito
Uma homenagem a Elis Regina
Direção: Aucilene Freitas

Fulinaimagem


1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais

e essa lua mansa fosse faca
a afiar os versos que inda não fiz
e as brigas dde amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim adimirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos

arturgomes
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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

grafia pele grafia



da tua boca quero o beijo
desejo
que não seguro

já te perdi no passado
agora te tenho presente
mas não sei nosso futuro

do teu corpo quero o cio
como nas prais do rio
seja mar onde quiser

na tua língua a voragem
com toda sagaranagem
que entre teus seios couber

que venha o sangue suor o fluxo
no teu pulsar onde pulso
nas ondas do teu impulso
esteja mar onde estiver.

arturgomes
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meta metade






metade
da minha arte
tem tua mão
como meta
como parte
da linha reta
que a meta
da tua parte
pode ser
que esteja em marte
ou sendo terra
o planeta
onde deságua no rio
a água
que bebo
com sede
estando em
física ou quântica
e a tua
mão como parte
metade da minha meta
mesmo relatividade
da minha arte
a metade
junta na tua parte

arturgomes
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