sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Jazz Free Som Balaio

Para Moacy Cirne
gravada no CD fulinaíma sax blues poesia

ouvidos negros Miles trumpete nos tímpanos
era uma criança forte como uma bola de gude
era uma criança mole como uma gosma de grude
tanto faz quem tanto não me fez
era uma ant/Versão de blues
nalguma nigth noite uma só vez

ouvidos black rumo premeditando o breque
sampa midinigth ou aversão de Brooklin
não pense aliterações em doses múltiplas
pense sinfonia em rimas raras
assim quando desperta do massificado
ouvidos vais ficando dançarina cara
ao Ter-te Arte nobre minha musa Odara

ao toque dos tambores ecos sub/urbanos
elétricos negróides urbanóides gente
galáxias relances luzes sumos prato
delícias de iguarias que algum Deus consente
aos gênios dos infernos que ardem gemem Arte

misturas de comboios das tribos mais distantes
de múltiplas metades juntas numa parte

Artur Gomes
http://poeticasfulinaimicas.blogspot.com/


veraCidade

por quê trancar as portas
tentar proibir as entradas
se já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas?

um beija-flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável

eu tenho fome de terra
e esse asfalto sob a sola dos meus pés
agulha nos meus dedos

quando piso na Augusta
o poema dá um tapa na cara da Paulista

flutuar na zona do perigo entre o real e o imaginário
João Guimarães Rosa Caio Prado Martins Fontes
um bacanal de ruas tortas

eu não sou flor que se cheire
nem mofo de língua morta
o correto deixei na Cacomanga
matagal onde nasci

com os seus dentes de concreto
São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada
na carne da rua Aurora


black Billy

ela tinha um jeito gal – fatal vapor barato
toda vez que me trepava as unhas com um gato
cantar era seu dom
chegava a dominar a voz feito cigarra
cigana ébria vomitando doses do seu canto

uma vez só subiu ao palco
estrela no hotel das prateleiras
companheira de ratos na pele de insetos
praticando a luz incerta no auge do apogeu

a morte
não é muito mais que um plug elétrico
um grito de guitarra – uma centelha
logo assim que ela começa
algo se espelha
na carne inicial de quem morreu
?

Arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com/


bela mais que bela
ninguém sabe o nome dela

1

bebo em teus olhos serenos
o líquido que ele olha
minha língua molha
onde a tua bebe
música
que chove lá fora

2

este piercing
em teu nariz
me dói
não ser meus dedos
poemas em tua boca
pronomes em tua fala
por entre cores e nomes
um disco de Cássia Eller
tocando na tua sala

3

dama da noite
bela
onde será teu endereço?

cão vadio que sou
vou latir em tua porta
proteger tua morada

catar estrelas cadentes
brincar de são Jorge na lua
onde mordo o dragão da maldade
e beijo-te vestida de nua

a flor da pele

a pele
do teu nome
a flor da pele
l no início
lavra de tudo
o que palavra
é fonte
lírios são teus olhos
girassóis
teus cílios
vento
em desmantelo
pétalas de luz
teus pêlos
onde o poema
canta
pra alvoroçar
os teus cabelos

artur gomes
http://courocrucarneviva.blogspot.com/



Jura secreta 112

a faca entre
os teus dentes
na gengiva sangra
trafego em angra
pela ilha grande


e
os teus olhos
ainda estão na praia
arraia fêmea
prenhe pelo macho

não vejo olgas

algas me roçando
as coxas
me lambendo acima
do umbigo
embaixo

arturgomes
http://juras-secretas.blogspot.com/


canibália city 2
um poema ácido

os fantasmas
ainda sobrevoam
sobre telhados de vidro

laranjas continuam espalhados
aos quatro ventos

algo de podre fede
em goyta city
e nenhum perfume
é capaz de apagar
o odor da lama bruta

se na esquina
o bandido tem direito
de exercer a profissão

não quer dizer
que político
pode saquear a coisa pública
como se fosse privada

onde nem descarga
consegue descer
a merda
do ralo pro esgoto


e o mais escroto
disso tudo
é saber que não foi
esse tipo de poder
que o povo lhe concedeu

arturgomes
http://goytacity.blogspot.com/



bela mais que bela

sensualidade em tua boca
é mato
eu sei do fato que me prende
ao teu sorriso
o siso que me atrai
quando atiça

larissa tens no nome
miranda o sobrenome

na película do meu filme
quero tua pele no acetato

e
na cardiografia do poema
te foto grafo no cinema
para o meu álbum de retrato


maralto

não entre
neste mar
em tempestade

as gaivotras
sobrevoam
a praia
e só mergulham
quando o mar
está pra peixe

teu corpo
não merece
os dentes
de tubarões famintos

tua carne
é hóstia
para outras missas

o teu sangue
vinho
para outros
dentes


aboio


ainda tarde
mas é tempo

tempo futuro
é agora
tempo presente
já foi

por isso
inda toco meu boi
não boto conversa fora

artur gomes

http://braziliricas.blogspot.com/

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