segunda-feira, 28 de junho de 2010

cine vídeo urbanidades














para heloísa curzio

entre as cores de frida
me kalo
heloísa na curva
do abstrato
muito mais que conreto
pincel em transe
tintura em convulsão
eu que não tenho dedos de aço
muito menos nervos
de chumbo
me deito sobre a relva
deixo percorrer a neblina
do nariz ao dedo grande
do pé
todo o corpo
fios de cobre
e os olhos na tela
grudados nos dela
nas belas
curvas da mulher

artur gomes
http://artur-gomes.blogspot.com/


terça-feira, 22 de junho de 2010

experimentações/interlinguagens

beira rio: - foto: artur gomes



1

hoje em ti
amanheci
ana/brasília
mesmo
não sendo
mulher
ou filha
bem-te-quis
meu
bem-te-vi
ao levitar
em tuas asas
mergulhei mares
que em teus olhos
conheci

2

Xangô
é parte da pedra
Exu fagulha de ferro
Ogum espada de aço

faz do meu colo
teus braços

Oxossi carne da mata
Yemanjá água do mar
Yansã é fogo vento tempestade

Oxum é água doce
Oxalá em ti me trouxe
te canto como se fosse
um novo deus em liberdade

3

sou teu leão de fogo
todo jogo
que me propor eu topo

beber teu copo
comer da tua comida

encarnar de frente
a janela de entrada
e se for preciso
:
a porta de saída

4

moro no teu mato dentro
não gosto de estar por fora
tudo que me pintar eu invento
como o beijo no teu corpo agora
desejo-te pelo menos enquanto resta
partícula mínima micro solar floresta
sendo animal da mata atlântica
quântico amor ou meta física
tudo que em mim não há respostas

metáfora d´alquimim fugaz brazílica
beijo-te a carne que te cobre os ossos
pele por pele pelas tuas costas
os bichos amam em comunhão na mata
como se fosse aquela hora exata
em que despes de mim o ser humano
e no corpo rasgamos todo pano
e como um deus pagão pensamos sexo.

arturgomes
http://musadaminhacannon.blogspot.com

domingo, 20 de junho de 2010

mataram o festcampos de poesia falada

avelino jura que não foi ele

Blogueiros Desocupados apresentam:
Noite do Encravo e a Rosa
Paródias noturnas em canibália city
Breve no MPBar – mais informações:
e-mail fulinaima@gmail.com

Paulo Ciranda – Marçal Tupã




canibália city

não sei se febre água fogo fala
bala apontada
na boca do gatilho
o olhar explode dinamite
no embrião do caos

de que feito esta cidade?
ela atravessa a grana pro marido

eu me deserto
me entorto
trago a língua
endiabrada dentro a boca
não me travo

a polícia implode
mais um bunker na favela
o senado vota
a decisão pro ficha limpa

agora me pergunto:

o que é que o marido
vai fazer com ela?

Arturgomes
canibália city
http://goytacity.blogspot.com/
SampleAndo
http://artur-gomes.blogspot.com/

sábado, 12 de junho de 2010

canibália city 2


uma câmera indiscreta pelas areias de saquarema: - fotos: artur gomes








um poema ácido

os fantasmas
ainda sobrevoam
sobre telhados de vidro

laranjas continuam espalhados
aos quatro ventos

algo de podre fede
em goyta city
e nenhum perfume
é capaz de apagar
o odor da lama bruta

se na esquina
o bandido tem direito
de exercer a profissão

não quer dizer
que político
pode saquear a coisa pública
como se fosse privada

onde nem descarga
consegue descer
a merda
do ralo pro esgoto


e o mais escroto
disso tudo
é saber que não foi
esse tipo de poder
que o povo lhe concedeu

arturgomes

http://goytacity.blogspot.com/







bela mais que bela

sensualidade em tua boca
é mato
eu sei do fato que me prende
ao teu sorriso
o siso que me atrai
quando atiça

larissa tens no nome
miranda o sobrenome

na película do meu filme
quero tua pele no acetato

e
na cardiografia do poema
te foto grafo no cinema
para o meu álbum de retrato





maralto

não entre
neste mar
em tempestade

as gaivotras
sobrevoam
a praia
e só mergulham
quando o mar
está pra peixe

teu corpo
não merece
os dentes
de tubarões famintos

tua carne
é hóstia
para outras missas

o teu sangue
vinho
para outros
dentes





aboio

ainda tarde
mas é tempo

tempo futuro
é agora
tempo presente
já foi

por isso
inda toco meu boi
não boto conversa fora









marca registrada – poema de Artur Gomes
musicado e cantado por Luiz Ribeiro