segunda-feira, 31 de maio de 2010

lavra/poema



todos os poetas
já cantaram suas musas:

mayara bethânia clarice
alice bárbara isadora

qual o nome
que ainda
não disse
na lavra
do poema
agora

artur gomes
http://artur-gomes.blogspot.com/



Estive mais uma vez este final de semana, compondo a Comissãso Julgadora do Festivcal da Canção de Cardoso Moreira, realizado pela vigésima segunda vez. A canção Semeia, do gaúcho radicado em Campos Cris Dalana, foi a grande vencedora. Cris Dalana, sagrou-se ainda mais uma vez, o melhor intérprete, mostrando que não só é um grande músico e compositor como também um senhor intérprete das suas canções, bem como de tantos outros autores de MPB como tem feito pelos bares da cidade.

cris dalana - semeia




trabalhos do corpo

este corpo se conquista com a arte e o engenho dos bárbaros
seu movimento risca o espaço
preenchendo-o com delicadas linhas de força
dilata o olhar na jornada incerta
este corpo dança
destrói leis da física
perfura o ar-livre
às vezes carne desgovernada
às vezes traço matemático
este corpo não mais se sente
fratura-se, rompe-se, perde-se
é deixado para trás
terra-de-ninguém
caído no rastro de outro corpo
palco incompartilhável
este corpo sua
multiplica-se atroz
depois de desposar, desafiar, seduzir
renasce – múltiplo & contraditório –
supernovo explodindo em luzes
sempre longe do universo
ao rés-do-chão
bem mais próximo
mais tóxico
agora não há mais espaço
nem ar-livre
nem dança
só corpo
e tudo nele navega – elétrico
tudo nele anela – novelo
espelho de fora
diferente de si e diferente
múltiplo & contraditório
fora de tudo
como um breve sonho da matéria
involuntariamente móvel
posto pertencer sempre ao azul-metálico
& atravessar desertos a seco

sandro ornellas
in Trabalhos do Corpo & Outros Poemas Físicos
Letra Capital – 2007
contato: ssornellas@gmail.com
http://simuladordevoo.blogspot.com/

trilhos urbanos





domingo, 23 de maio de 2010

brazilíricas

em qualquer esquina
as 4 da madrugada
tem um poeta bêbado
de uísque traição e metáforas
com os seus olhos de vidro
olhando folhas secas na calçada
quando se soltam do ar
e voam por entre os arcos da lapa

bela mais que bela qual será o nome dela?

larissa: musa da minha cannon





coloco em tuas mãos
quatro rosas de vento
skol vodka ice
e um desejo abstrato
nesse poema concreto

deixo em tuas mãos
a flor e o objeto
além meus olhos sedentos
nestes teus dedos de louça


quinta-feira, 20 de maio de 2010

brazilíricas

eu e hilda em santa teresa no parque das ruínas





inda me lembro inda
o tempo não mais criança
inda a filha
do rubervan
du nascimento
inda flor do bem-me-quer
inda por onde quer que esteja deve estar inda mulher

um tapa no branco
tragado no preto
como instante opus
ópio de pessoa
como fiapo de manga
entrelaçado nos dentes


black Billy

ela tinha um jeito gal – fatal vapor barato
toda vez que me trepava as unhas com um gato
cantar era seu dom
chegava a dominar a voz feito cigarra
cigana ébria vomitando doses do seu canto

uma vez só subiu ao palco
estrela no hotel das prateleiras
companheira de ratos na pele de incetos
praticando a luz incerta no auge do apogeu

a morte
não é muito mais que um plug elétrico
um grito de guitarra – uma centelha
logo assim que ela começa
algo se espelha
na carne inicial de quem morreu
?

Arturgomes
http://artur-gomes.blopgspot.com/

brazilíricas

me espanta o espanto do gullar
com o poema que não vem

não estou nem aqui
não quero star
me vejo nos arcos
grafitando luas
em tuas mãos de chuva

como um domingo no parque

o rei da brincadeira é josé o rei da confusão é joão, um trabalhava na feira ê josé e outro na construção ê joão:
a primeira vez que ouvi(vi) gil na TV era 68, estava eu trancafiado entre as enormes paredes dos dragões da independência em brasília das quadrilhas, e não sabia nada de mim.

cda me disse que o poema
vem das tripas do intestino grosso
e faustino da vida toda linguagem

todos os dias quando acordo cedo
não tenho mais o tempo que passou:
renato russo ainda vivo como dantes

domingo no parque

todas manhãs quando acendo a tela me vem o filme suas mãos passeando pelas minhas costas tipo uísque riverdies noise craft pop rock poesia tarde inteira no parque da ruínas muito depois já madrugada na porta de entrada do edifício escuto o grito ela me chama fomos à cerveja no boteco ao lado na subida da Alice até a última porta se fechar minutos depois sentados na pracinha em frente ela devora um hambúrguer com seus lindos dentes eu devorava os dentes dela

canibália city

não sei se febre água fogo fala
bala na boca do gatilho
o olhar expolode dinamite
no embrião do caos

de que feito esta cidade?
ela atravessa a grana pro marido

eu me deserto
me entorto
trago a língua endiabrada
dentro a boca
não me travo

a polícia implode
mais um bunker na favela
o senado vota a decisão
pro ficha limpa

agora me pergunto:

o que é que o marido
vai fazer com ela?


O POETA PEDE AO SEU
AMOR QUE LHE ESCREVA

Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.

O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.


Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de kordiscos e açucenas.

Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

MAIAKOVSKI



beijo o céu da tua boca agora já é outro instante depois de fechar e abrir esta janela para o nada ou para tudo que já veio ou inda virá na vera cruz destes escombros que não mais cidade ainda mordo com os dentes que me resta carnes e frutas bagaços de um sentido solto quando a toalha sobre a mesa não cabe nas metáforas

sexta-feira, 7 de maio de 2010

urbanicidades






asfalto
uma palavra quente
mesmo quando chove
ex-fria piche nos ossos

janelas
:
de concreto/carne
neste corpo/casa
que não mais me habita

arturgomes
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uma caneta pelo amor de deus



Poema de Artur Gomes musicado e cantado por Luizz Ribeiro
Com participações de Sérgio Máximo(violão), Henrique(guitarra) e
Clara Brito (vocais)

Ind/gesta

uma caneta pelo amor de deus
uma máquina de escrever
uma câmera por favor
quero um computador
nem que seja pós moderno

vamos fazer um filme
vamos criar um filho
deixa eu amar a lídia
que a mediocridade
desta idade mídia
não coca cola mais
nem aqui nem no inferno

arturgomes
http://carnavalhagumes.blogspot.com/









foto pele grafia


meus lábios em teus ouvidos
flechas netuno cupido
faca na língua língua na faca
a febre em patas de vaca
unhas sujas de Lorca
cebola pré sal com pimenta
na tua língua com coentro
tempero sabre de fogo
qualquer paixão reinvento
o corpo/mar quando agita
na preamar arrebenta
espuma/esperma semeia
sementes letra por letra
na bruma branca da areia
sem pensar qualquer sentido
grafito em teu corpo despido
poemas na lua cheia

arturgomes
http://goytacity.blogspot.com/

Artur Gomes e Fil Buc – Overdose Polifônica




Amante II

Internamente
Cá dentro
O outro que não eu
envolve-se volta e revive
palavras de um léxico
disléxico
caduco
apagado
Recobra dores e amores
Inacabadas paixões
Reviravoltam-se os sentimentos
re-significa ilusões.

Karol Penido