sábado, 11 de dezembro de 2010

Porque hoje é sábado

agora não se fala nada
agora não se fala mais
toda palavra guarda uma cilada
e tudo é transparente em cada forma

você não precisa me dizer
o número do mundo desse mundo
nem precisa me mostrar a outra face
face ao fim de tudo

só precisa me dizer
o nome da república dos fundos
o sim do fim
e o tem do tempo vindo

Dia D

desde que eu saí de casa
trouxe a viagem de volta
cravada na minha mão
interrada no meu umbigo
dentro fora assim comigo
minha própria condução

todo dia é dia dela
pode ser pode não ser
abro a porta ou a janela
todo dia é dia D

há urubus nos telhados
a carne seca é servida
um escorpião encravado
na sua própria ferida
não escapa
só escapo pela porta de saída

todo dia mais um dia
de amar-te a morte morrer
todo do mais um dia
menos dia dia D

torquato neto


Quartas Culturais - Cantinho do Poeta
Rua Cardoso de Melo, 42
Campos dos Goytacazes-RJ
Leia mais aqui http://artur-gomes.blogspot.com/


Porrada llírica



Dia 15 dezembro 2010 – 21:00hs
Mas Sarau o Benedito
Uma homenagem a Elis Regina
Direção: Aucilene Freitas

Fulinaimagem


1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais

e essa lua mansa fosse faca
a afiar os versos que inda não fiz
e as brigas dde amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim adimirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos

arturgomes
http://goytacity.blogspot.com/

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

grafia pele grafia



da tua boca quero o beijo
desejo
que não seguro

já te perdi no passado
agora te tenho presente
mas não sei nosso futuro

do teu corpo quero o cio
como nas prais do rio
seja mar onde quiser

na tua língua a voragem
com toda sagaranagem
que entre teus seios couber

que venha o sangue suor o fluxo
no teu pulsar onde pulso
nas ondas do teu impulso
esteja mar onde estiver.

arturgomes
http://musadaminhacannon.blogspot.com/

meta metade






metade
da minha arte
tem tua mão
como meta
como parte
da linha reta
que a meta
da tua parte
pode ser
que esteja em marte
ou sendo terra
o planeta
onde deságua no rio
a água
que bebo
com sede
estando em
física ou quântica
e a tua
mão como parte
metade da minha meta
mesmo relatividade
da minha arte
a metade
junta na tua parte

arturgomes
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Cantinho do Poeta Quartas Culturais

Pontal

Dia 1 dezembro 21 horas
Encenação teatral com poemas de
Aluysio Abreu Barbosa, Adriana Medeiros,
Antônio Roberto(Kapi) e Artur Gomes.
com Artur Gomes, Yvi Carvalho e Sidney Navarro
Direção: Kapi
Local: Cantinho do Poeta
Rua Cardoso de Melo, 42 – Campos dos Goytacazes-RJ

a flor da pele – pontal foto grafia


texto de Dougals da Mata sobe a violência no Rio
leia aqui http://goytacity.blogspot.com/

Pontal Foto.Grafia

Aqui,
redes em pânico
pescam esqueletos no mar
esquadras – descobrimento
espinhas de peixe convento
cabrálias esperas relento
escamas secas no prato
e um cheiro podre no
AR


caranguejos explodem mangues em pólvora
Ovo de Colombo quebrado
areia branca inferno livre
Rimbaud - África virgem –
carne na cruz dos escombros
trapos balançam varais
telhados bóiam nas ondas
tijolos afundando náufragos
último suspiro da bomba
na boca incerta da barra
esgoto fétido do mundo
grafando lentes na marra
imagens daqui saqueadas
Jerusalém pagã visitada
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Jesus Cristo não passou por aqui

Miles Davis fisgou na agulha
Oscar no foco de palha
cobra de vidro sangue na fagulha
carne de peixe maracangalha
que mar eu bebo na telha
que a minha língua não tralha?
penúltima dose de pólvora
palmeira subindo a maralha
punhal trincheira na trilha
cortando o pano a navalha
fatal daqui Pernambuco
Atafona.Pontal.Grussaí
as crianças são testemunhas:
Mallarmè passou por aqui

bebo teu fato em fogo
punhal na ova do bar
palhoças ao sol fevereiro
aluga-se teu brejo no mar
o preço nem Deus nem sabre
sementes de bagre no porto
a porca no sujo quintal
plástico de lixo nos mangues
que mar eu bebo afinal?

arturgomes
leia mais aqui http://artur-gomes.blogspot.com/

cardio.grafia da pele




que esta palavra bendita
não seja dor
quando mal dita

como espinha quando aflora
ou espora
enquanto irrita

minha cardio.grafia
em suma
não é pena nem pluma
apenas palavra que resuma
o silêncio como agora
ou sonora quando grita

arturgomes
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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

com quantas miragens se faz uma metáfora?

barra de são joão - foto: artur gomes



moras no meu inconsciente
strela de estradas minhas
como entrou não sei como direis
quem sabre de mim como dirias
nessa nova estética mar de onde quirias
se estátuas jorram vinho pelos dedos
eu me estremeço ao ver teus lábios
soletrar este poema

os astros atuais já nascem tortos
strela de estradas minhas
miragens não tem fome
metáforas morrem de sede
e eu bebo nos céus da tua boca
a língua viva em tua fala
na escrita que não cessa
e leio as linhas do teu corpo
no desejo que ainda não confessa



meta metáfora no poema meta

como alcançá-la plena
no impulso onde universo pulsa
no poema onde estico plumo
onde o nervo da palavra cresce
onde a linha que separa a pele
é o tecido que o teu corpo veste

como alcançá-la pluma
nessa teia que aranha tece
entre um beijo outro no mamilo
onde aquilo que a pele em plumo
rompe a linha do sentido e cresce
onde o nervo da palavra sobe
o tecido do teu corpo desce
onde a teia que o alcançar descobre
no sentitdo que o poema é prece

arturgomes
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sarau Palavras Diversas

barra de são joão - foto: artur gomes

Dia 24 novembro 21 horas
Cantinho do Poeta Rua Cardoso de Melo, 42
Campos dos Goytacazes-RJ

Encontro Regional de Blogueiros Progressistas
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Censura na internet o próximo passo
Aqui http://artur-gomes.blogspot.com/

Nós in Bento Gonçalves


tropicalirismo

girassóis pousando
nu teu corpo
festa
beija-flor seresta
poesia fosse
esse sol que emana
do teu fogo farto
lambuzando a uva
de saliva doce

arturgomes
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

por onde anda raian rúbia





Por onde anda raian rúbia


Alguma poesia




Café Literário – Dia 14 às 18:00h
Bienal do Livro de Campos
Artur Gomes e Fabrício Carpinejar
Mediador: Dedé Muylaert
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Isadora

onde teus pés bailarina dançam
cato os vestígios do tempo
onde teus olhos bailarina olham
um gato passeia no teu colo
e na vidraça o giz derrama poesia
escritas com punhos de ontem
em tua cidade de serras

onde teus braços bailarina
sustentam tuas mãos
que colhem uvas
coloco águas de chuva
para que teus vinhedos não cessem
esteja sempre em meus caminhos
e deles brotem da flor o fruto sagrado
e os teus segredos guardados
entre os teus lábios de vinho

arturgomes

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domingo, 31 de outubro de 2010

o que a grande mídia não diz

pintura: alcinéia marcucci


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As flores do bem-me-quer


gaivotas perseguem peixes
quando estão com fome
a musa da minha janela
depois da prova de física
desfolha Charles Baudelaire

tem um jardim imaginário
no quintal desta metáfora
e um mar de algaravias
dentro dos olhos dela

percebo a flor da infância
bem-me-quer em teu cabelos
peixes que não são nuvens
girassóis fosse miragens
na veia algas marítimas
e uma fração logarítima
ainda por resolver

arturgomes
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Palavras Diversas

a palavra múltipla plural e solta
pelos céus da boca
sarcástica cínica amorosa
de drummond a guimarães rosa
de ferreira gullar a torquato neto
a pala/lavra do leminski
como um arquiteto
que constrói a própria casa
com o furor do fogo em brasa
com cimento tijolo argamassa
e que a massa compreenda
que a massa que transforma o pão
é a mesma que alimenta a massa
que o homem arquiteta
e a praça é o lugar pro seu delírio
a lira que mora dentro do poeta


jura secreta 121

ela me mantém
à distância dos meus braços
que mesmo esticados
não conseguem alcançá-la
no quarto do hotel eu tenho a fala
e digo
desejo o espaço do teu ventre
para proclamar os meus instintos
não minto
eu sinto
muito
que pena
se ainda não conseque
provar dos meus pecados
e se esconde entre hóstia e promessas
eu tenho pressa
quero engravidar-te de saliva
na língua
que escorre pelos anos
abrindo fenda em tuas costas

arturgomes
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terça-feira, 19 de outubro de 2010

XVIII CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA HOMENAGEIA FERREIRA GULLAR



Pela primeira vez nos últimos quinze anos o Congresso Brasileiro de Poesia não é realizado na primeira semana de outubro e sim, no final do mês. A edição deste ano acontece de 25 a 29, na cidade de Bento Gonçalves e homenageará os 80 anos de Ferreira Gullar.

Como já é tradição, mais uma vez a Capital Brasileira da Uva e do Vinho abrirá suas portas para a caravana de poetas que participarão da décima-oitava edição do Congresso Brasileiro de Poesia, um dos maiores encontros de poetas da América.

Tendo como tema “O viajante da Poesia”, em homenagem ao poeta Ferreira Gullar, aproximadamente cento e cinquenta poetas dos mais diversos estados brasileiros e de alguns países já confirmaram presença e participarão de uma programação diversificada com muitos recitais, performances, rodas de poesia, espetáculo teatral, palestras nas escolas e debates sobre as diversas formas do fazer poético.

A abertura do evento acontece no Salão Nobre da Prefeitura Municipal às 17 horas do dia 25, com performance do grupo carioca “Simplesmente Poesia” e um recital em homenagem ao poeta Oscar Bertholdo, por parte de alunos da Escola Estadual Dona Isabel, além do poeta Artur Gomes interpretando o poema Não Há Vagas, do homenageado Ferreira Gullar.

À noite, no anfiteatro Ivo Da Rold, na Fundação Casa das Artes, acontece mesa redonda sobre a obra do poeta Ferreira Gullar, coordenada por Eduardo Tornaghi, seguida de performance e recital poétco.

A partir da manhã de terça-feira, as atividades acontecerão no auditório do SESC, Biblioteca Municipal, Vai Del Vino e nas escolas do município.

Escolas continuam sendo prioridade do evento

Trinta e duas escolas do município participarão do evento deste ano, recebendo os poetas em suas dependências e doze delas deslocarão alunos para participar de atividades que acontecerão nas dependências do SESC. Os poetas também irão ao Presídio Municipal, APAE, Lar do Ancião, Centro de Atenção Psico-Social e ao Hospital Tacchini.

Entre os principais projetos que tradicionalmente compõem a programação oficial do evento destacam-se: “Poesia na vidraça” (que começa a ser executado já na terça-feira, dia 19, e consiste na utilização das vitrines das lojas do centro da cidade para exposição de poemas de autores brasileiros), “Poesia numa hora dessas?” (quando poetas apresentam recitais em repartições públicas e privadas), “Uma idéia tece a outra” (realizado na Biblioteca Municipal e que consiste no ‘empréstimo’ de um poeta a uma turma de alunos), além das tradicionais rodas de poesia na Via del Vino.

Recitais deverão fazer a diferença

Os organizadores mais uma vez apostam na realização de recitais de diversas correntes poéticas para garantir o sucesso dos eventos. Neste ano, dividirão o palco do SESC e de algumas escolas performances poéticos dos estados do Amapá, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul além de México, Chile e Uruguai.

No palco do SESC, além do grupo “Poesia Simplesmente” E “Tatamirô”, também apresentarão recitais e performances os seguintes poetas: Renato Gusmão, Marcos Bahrone, Artur Gomes e May Pasquetti,veja o vídeo: Se for poema fogo do desejo – Artur Gomes e May Pasquetti, filmados por Jiddu Saldanha no parque das Ruínas – Santa Teresa – Rio de Janeiro



E mais Dalmo Saraiva, Jiddu Saldanha, Telma da Costa, Edmilson Santini, Tanussi Cardoso e Delayne Brasil, Casa do Poeta de Camaquã, Casa do Poeta Latino-Americano, Confraria Cappaz e Comunidade Poemas à Flor da Pele.

Junto com o XVIII Congresso Brasileiro também serão realizados o XVIII Encontro Latino-Americano de Casas de Poetas, a XV Mostra Internacional de Poesia Visual, neste ano coordenada pelo poeta português Fernando Aguiar, e o XXI Salão Internacional de Artes Plásticas do Proyecto Cultural Sur/Brasil, organizado pela AAPLASG.

O evento é promovido pela Prefeitura Municipal de Bento Gonçalves, através da Secretaria Municipal de Educação, SESC e é realizado pelo Proyecto Cultural Sur/Brasil. O apoio é da Câmara de Vereadores e Sindilojas.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Com quantas metáforas se faz uma miragem



ainda que fosse viagem
de metrô ou fantasia
e o assunto que eu mais queria
fosse o que não dissesse
e o mar apenas trouxesse
gaivotas sobre os cabelos
vento sol maresia
e o líquido que não bebemos
fosse conhac ou cerveja
mesmo assim a vida seja
entre o que os pêlos lateja
o que a tua boca não fala
o que a tua língua não prova
e a prova das dezessete
te levasse mais cedo
inda assim não tenha medo
a palavra entre meus dedos
é o que ainda não disse
miragem essa coisa nova
agora reivsitada
naquela hora marcada
do encontro que não tivemos

mesmo que não permitas
que eu toque os lençóis da tua cama
ou desfaça este nó dos teus desvelos
mesmo que a astronomia
te leve a romper os astros
na miragem dos teus olhos
e eu nunca saiba exatamente
a cor dos teus cabelos
mesmo que a meta-física
salte da tela do cinema
e as algebras da tua física
te leve de mim embora
quero que este poema
no centro dos teus sentidos
fale nos teus ouvidos
do ser que me encontro agora

arturgomes
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

jura secreta in saquarema

arturgomes - http://collagensfulinaimicas.blogspot.com




meus lábios em teus ouvidos
flechas netuno cupido
a faca na língua a língua na faca
a febre em patas de vaca
as unhas sujas de Lorca
cebola pré sal com pimenta
tempero sabre de fogo
na tua língua com coentro
qualquer paixão re/invento

o corpo/mar quando agita
na preamar arrebenta
espuma esperma semeia
sementes letra por letra
na bruma branca da areia
sem pensar qualquer sentido
grafito em teu corpo despido
poemas na lua cheia

arturgomes
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

tecidos sobre a terra

vestígios do homem no planeta



a chama da vela acesa
teu corpo me arde
em chamas

arturgomes
http://musadaminhacannon.blogspot.com/



antes
que alguém morra
escrevo
prevendo a morte
arriscando a vida
antes
que seja tarde
e
que a língua da minha boca
não cubra mais
tua ferida

amada
de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca
no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios
como um rio

o que me dói
é ter-te
devorada
por estranhos olhos
e
deter impulsos
por fidelidade

ó terra
incestuosa
de prazer e gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro
a fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal
de amante


artur gomes
in Suor & Cio – 1985
http://artur-gomes.blogspot.com/

sábado, 21 de agosto de 2010

Viagem InterPoética



poundiana


1
quem és tu
uilcon pereira
?
que foste fazer na sorbone
ter aulas com Sartre
ou cantar a simnone?


2

torquato era um poeta
que amou a ana
leminski profeta
que amou Alice
um dia pós
veio uilcon torto
pegou a jóia Diana
juntou na pereiralice
com o corpo e alma das duas
foi beuvoir assombradado
pra lá de frança ou bahia
roendo o osso do mito
pois tudo que Sartre dizia
o anjo jurou já ter dito
nonada:
biúti ria!

Artur Gomes
In a traição das metáforas
http://braziliricas.blogspot.com/

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Riverdies

21 de agosto – Garage – Praça da Bandeira - Rio

Festival de Curtas – são Paulo
Leia no blog http://goytacity.blogspot.com

prêmio internacional vídeo.poesia
Leia no blog: http://mania-de-saude.blogspot.com

Fulinaimagem




Fulinaimagem


1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais

e essa lua mansa fosse faca
a afiar os versos que inda não fiz
e as brigas dde amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim adirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos



onde teus pés bailarina dançam cato os vestígios do tempo onde teus olhos bailarina olham um gato passeia no teu colo e na vidraça o giz derrama poesia escritas com punhos de ontem em tua cidade de serras onde teus braços bailarina sustentam tuas mãos que colhem uvas coloco águas de chuva para que teus vinhedos não cessem estejam sempre em meus caminhos e deles brotem da flor o fruto sagrado e os teus segredos guardados entre os teus lábios de vinho


2

o que trago embaixo as solas dos sapatos
é fato. bagana acesa sobra do cigarro
é sarro. dentro do carro
ainda ouço Jimmi Hendrix quando quero
dancei bolero sampleando rock and roll

pra colher lírios
há que se por o pé na lama
a seda pura foto-síntese do papel
tem flor de lótus
nos bordéis Copacabana
procuro um mix da guitarra de Santanna
com os espinhos da Rosa de Noel.

arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Jazz Free Som Balaio

Para Moacy Cirne
gravada no CD fulinaíma sax blues poesia

ouvidos negros Miles trumpete nos tímpanos
era uma criança forte como uma bola de gude
era uma criança mole como uma gosma de grude
tanto faz quem tanto não me fez
era uma ant/Versão de blues
nalguma nigth noite uma só vez

ouvidos black rumo premeditando o breque
sampa midinigth ou aversão de Brooklin
não pense aliterações em doses múltiplas
pense sinfonia em rimas raras
assim quando desperta do massificado
ouvidos vais ficando dançarina cara
ao Ter-te Arte nobre minha musa Odara

ao toque dos tambores ecos sub/urbanos
elétricos negróides urbanóides gente
galáxias relances luzes sumos prato
delícias de iguarias que algum Deus consente
aos gênios dos infernos que ardem gemem Arte

misturas de comboios das tribos mais distantes
de múltiplas metades juntas numa parte

Artur Gomes
http://poeticasfulinaimicas.blogspot.com/


veraCidade

por quê trancar as portas
tentar proibir as entradas
se já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas?

um beija-flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável

eu tenho fome de terra
e esse asfalto sob a sola dos meus pés
agulha nos meus dedos

quando piso na Augusta
o poema dá um tapa na cara da Paulista

flutuar na zona do perigo entre o real e o imaginário
João Guimarães Rosa Caio Prado Martins Fontes
um bacanal de ruas tortas

eu não sou flor que se cheire
nem mofo de língua morta
o correto deixei na Cacomanga
matagal onde nasci

com os seus dentes de concreto
São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada
na carne da rua Aurora


black Billy

ela tinha um jeito gal – fatal vapor barato
toda vez que me trepava as unhas com um gato
cantar era seu dom
chegava a dominar a voz feito cigarra
cigana ébria vomitando doses do seu canto

uma vez só subiu ao palco
estrela no hotel das prateleiras
companheira de ratos na pele de insetos
praticando a luz incerta no auge do apogeu

a morte
não é muito mais que um plug elétrico
um grito de guitarra – uma centelha
logo assim que ela começa
algo se espelha
na carne inicial de quem morreu
?

Arturgomes
http://artur-gomes.blogspot.com/


bela mais que bela
ninguém sabe o nome dela

1

bebo em teus olhos serenos
o líquido que ele olha
minha língua molha
onde a tua bebe
música
que chove lá fora

2

este piercing
em teu nariz
me dói
não ser meus dedos
poemas em tua boca
pronomes em tua fala
por entre cores e nomes
um disco de Cássia Eller
tocando na tua sala

3

dama da noite
bela
onde será teu endereço?

cão vadio que sou
vou latir em tua porta
proteger tua morada

catar estrelas cadentes
brincar de são Jorge na lua
onde mordo o dragão da maldade
e beijo-te vestida de nua

a flor da pele

a pele
do teu nome
a flor da pele
l no início
lavra de tudo
o que palavra
é fonte
lírios são teus olhos
girassóis
teus cílios
vento
em desmantelo
pétalas de luz
teus pêlos
onde o poema
canta
pra alvoroçar
os teus cabelos

artur gomes
http://courocrucarneviva.blogspot.com/



Jura secreta 112

a faca entre
os teus dentes
na gengiva sangra
trafego em angra
pela ilha grande


e
os teus olhos
ainda estão na praia
arraia fêmea
prenhe pelo macho

não vejo olgas

algas me roçando
as coxas
me lambendo acima
do umbigo
embaixo

arturgomes
http://juras-secretas.blogspot.com/


canibália city 2
um poema ácido

os fantasmas
ainda sobrevoam
sobre telhados de vidro

laranjas continuam espalhados
aos quatro ventos

algo de podre fede
em goyta city
e nenhum perfume
é capaz de apagar
o odor da lama bruta

se na esquina
o bandido tem direito
de exercer a profissão

não quer dizer
que político
pode saquear a coisa pública
como se fosse privada

onde nem descarga
consegue descer
a merda
do ralo pro esgoto


e o mais escroto
disso tudo
é saber que não foi
esse tipo de poder
que o povo lhe concedeu

arturgomes
http://goytacity.blogspot.com/



bela mais que bela

sensualidade em tua boca
é mato
eu sei do fato que me prende
ao teu sorriso
o siso que me atrai
quando atiça

larissa tens no nome
miranda o sobrenome

na película do meu filme
quero tua pele no acetato

e
na cardiografia do poema
te foto grafo no cinema
para o meu álbum de retrato


maralto

não entre
neste mar
em tempestade

as gaivotras
sobrevoam
a praia
e só mergulham
quando o mar
está pra peixe

teu corpo
não merece
os dentes
de tubarões famintos

tua carne
é hóstia
para outras missas

o teu sangue
vinho
para outros
dentes


aboio


ainda tarde
mas é tempo

tempo futuro
é agora
tempo presente
já foi

por isso
inda toco meu boi
não boto conversa fora

artur gomes

http://braziliricas.blogspot.com/

sexta-feira, 16 de julho de 2010

jura secreta 115
























papel de prata
sobre a terra
berra
mata que se foi
agora seca estrada
poeira
água pouca
sede farta
tudo plástico
lâmina
papel mordaça
arame farpado
restos de casa
pedra
pele grafia
e pó

segunda-feira, 28 de junho de 2010

cine vídeo urbanidades














para heloísa curzio

entre as cores de frida
me kalo
heloísa na curva
do abstrato
muito mais que conreto
pincel em transe
tintura em convulsão
eu que não tenho dedos de aço
muito menos nervos
de chumbo
me deito sobre a relva
deixo percorrer a neblina
do nariz ao dedo grande
do pé
todo o corpo
fios de cobre
e os olhos na tela
grudados nos dela
nas belas
curvas da mulher

artur gomes
http://artur-gomes.blogspot.com/


terça-feira, 22 de junho de 2010

experimentações/interlinguagens

beira rio: - foto: artur gomes



1

hoje em ti
amanheci
ana/brasília
mesmo
não sendo
mulher
ou filha
bem-te-quis
meu
bem-te-vi
ao levitar
em tuas asas
mergulhei mares
que em teus olhos
conheci

2

Xangô
é parte da pedra
Exu fagulha de ferro
Ogum espada de aço

faz do meu colo
teus braços

Oxossi carne da mata
Yemanjá água do mar
Yansã é fogo vento tempestade

Oxum é água doce
Oxalá em ti me trouxe
te canto como se fosse
um novo deus em liberdade

3

sou teu leão de fogo
todo jogo
que me propor eu topo

beber teu copo
comer da tua comida

encarnar de frente
a janela de entrada
e se for preciso
:
a porta de saída

4

moro no teu mato dentro
não gosto de estar por fora
tudo que me pintar eu invento
como o beijo no teu corpo agora
desejo-te pelo menos enquanto resta
partícula mínima micro solar floresta
sendo animal da mata atlântica
quântico amor ou meta física
tudo que em mim não há respostas

metáfora d´alquimim fugaz brazílica
beijo-te a carne que te cobre os ossos
pele por pele pelas tuas costas
os bichos amam em comunhão na mata
como se fosse aquela hora exata
em que despes de mim o ser humano
e no corpo rasgamos todo pano
e como um deus pagão pensamos sexo.

arturgomes
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domingo, 20 de junho de 2010

mataram o festcampos de poesia falada

avelino jura que não foi ele

Blogueiros Desocupados apresentam:
Noite do Encravo e a Rosa
Paródias noturnas em canibália city
Breve no MPBar – mais informações:
e-mail fulinaima@gmail.com

Paulo Ciranda – Marçal Tupã




canibália city

não sei se febre água fogo fala
bala apontada
na boca do gatilho
o olhar explode dinamite
no embrião do caos

de que feito esta cidade?
ela atravessa a grana pro marido

eu me deserto
me entorto
trago a língua
endiabrada dentro a boca
não me travo

a polícia implode
mais um bunker na favela
o senado vota
a decisão pro ficha limpa

agora me pergunto:

o que é que o marido
vai fazer com ela?

Arturgomes
canibália city
http://goytacity.blogspot.com/
SampleAndo
http://artur-gomes.blogspot.com/

sábado, 12 de junho de 2010

canibália city 2


uma câmera indiscreta pelas areias de saquarema: - fotos: artur gomes








um poema ácido

os fantasmas
ainda sobrevoam
sobre telhados de vidro

laranjas continuam espalhados
aos quatro ventos

algo de podre fede
em goyta city
e nenhum perfume
é capaz de apagar
o odor da lama bruta

se na esquina
o bandido tem direito
de exercer a profissão

não quer dizer
que político
pode saquear a coisa pública
como se fosse privada

onde nem descarga
consegue descer
a merda
do ralo pro esgoto


e o mais escroto
disso tudo
é saber que não foi
esse tipo de poder
que o povo lhe concedeu

arturgomes

http://goytacity.blogspot.com/







bela mais que bela

sensualidade em tua boca
é mato
eu sei do fato que me prende
ao teu sorriso
o siso que me atrai
quando atiça

larissa tens no nome
miranda o sobrenome

na película do meu filme
quero tua pele no acetato

e
na cardiografia do poema
te foto grafo no cinema
para o meu álbum de retrato





maralto

não entre
neste mar
em tempestade

as gaivotras
sobrevoam
a praia
e só mergulham
quando o mar
está pra peixe

teu corpo
não merece
os dentes
de tubarões famintos

tua carne
é hóstia
para outras missas

o teu sangue
vinho
para outros
dentes





aboio

ainda tarde
mas é tempo

tempo futuro
é agora
tempo presente
já foi

por isso
inda toco meu boi
não boto conversa fora









marca registrada – poema de Artur Gomes
musicado e cantado por Luiz Ribeiro




segunda-feira, 31 de maio de 2010

lavra/poema



todos os poetas
já cantaram suas musas:

mayara bethânia clarice
alice bárbara isadora

qual o nome
que ainda
não disse
na lavra
do poema
agora

artur gomes
http://artur-gomes.blogspot.com/



Estive mais uma vez este final de semana, compondo a Comissãso Julgadora do Festivcal da Canção de Cardoso Moreira, realizado pela vigésima segunda vez. A canção Semeia, do gaúcho radicado em Campos Cris Dalana, foi a grande vencedora. Cris Dalana, sagrou-se ainda mais uma vez, o melhor intérprete, mostrando que não só é um grande músico e compositor como também um senhor intérprete das suas canções, bem como de tantos outros autores de MPB como tem feito pelos bares da cidade.

cris dalana - semeia




trabalhos do corpo

este corpo se conquista com a arte e o engenho dos bárbaros
seu movimento risca o espaço
preenchendo-o com delicadas linhas de força
dilata o olhar na jornada incerta
este corpo dança
destrói leis da física
perfura o ar-livre
às vezes carne desgovernada
às vezes traço matemático
este corpo não mais se sente
fratura-se, rompe-se, perde-se
é deixado para trás
terra-de-ninguém
caído no rastro de outro corpo
palco incompartilhável
este corpo sua
multiplica-se atroz
depois de desposar, desafiar, seduzir
renasce – múltiplo & contraditório –
supernovo explodindo em luzes
sempre longe do universo
ao rés-do-chão
bem mais próximo
mais tóxico
agora não há mais espaço
nem ar-livre
nem dança
só corpo
e tudo nele navega – elétrico
tudo nele anela – novelo
espelho de fora
diferente de si e diferente
múltiplo & contraditório
fora de tudo
como um breve sonho da matéria
involuntariamente móvel
posto pertencer sempre ao azul-metálico
& atravessar desertos a seco

sandro ornellas
in Trabalhos do Corpo & Outros Poemas Físicos
Letra Capital – 2007
contato: ssornellas@gmail.com
http://simuladordevoo.blogspot.com/

trilhos urbanos





domingo, 23 de maio de 2010

brazilíricas

em qualquer esquina
as 4 da madrugada
tem um poeta bêbado
de uísque traição e metáforas
com os seus olhos de vidro
olhando folhas secas na calçada
quando se soltam do ar
e voam por entre os arcos da lapa

bela mais que bela qual será o nome dela?

larissa: musa da minha cannon





coloco em tuas mãos
quatro rosas de vento
skol vodka ice
e um desejo abstrato
nesse poema concreto

deixo em tuas mãos
a flor e o objeto
além meus olhos sedentos
nestes teus dedos de louça


quinta-feira, 20 de maio de 2010

brazilíricas

eu e hilda em santa teresa no parque das ruínas





inda me lembro inda
o tempo não mais criança
inda a filha
do rubervan
du nascimento
inda flor do bem-me-quer
inda por onde quer que esteja deve estar inda mulher

um tapa no branco
tragado no preto
como instante opus
ópio de pessoa
como fiapo de manga
entrelaçado nos dentes


black Billy

ela tinha um jeito gal – fatal vapor barato
toda vez que me trepava as unhas com um gato
cantar era seu dom
chegava a dominar a voz feito cigarra
cigana ébria vomitando doses do seu canto

uma vez só subiu ao palco
estrela no hotel das prateleiras
companheira de ratos na pele de incetos
praticando a luz incerta no auge do apogeu

a morte
não é muito mais que um plug elétrico
um grito de guitarra – uma centelha
logo assim que ela começa
algo se espelha
na carne inicial de quem morreu
?

Arturgomes
http://artur-gomes.blopgspot.com/

brazilíricas

me espanta o espanto do gullar
com o poema que não vem

não estou nem aqui
não quero star
me vejo nos arcos
grafitando luas
em tuas mãos de chuva

como um domingo no parque

o rei da brincadeira é josé o rei da confusão é joão, um trabalhava na feira ê josé e outro na construção ê joão:
a primeira vez que ouvi(vi) gil na TV era 68, estava eu trancafiado entre as enormes paredes dos dragões da independência em brasília das quadrilhas, e não sabia nada de mim.

cda me disse que o poema
vem das tripas do intestino grosso
e faustino da vida toda linguagem

todos os dias quando acordo cedo
não tenho mais o tempo que passou:
renato russo ainda vivo como dantes

domingo no parque

todas manhãs quando acendo a tela me vem o filme suas mãos passeando pelas minhas costas tipo uísque riverdies noise craft pop rock poesia tarde inteira no parque da ruínas muito depois já madrugada na porta de entrada do edifício escuto o grito ela me chama fomos à cerveja no boteco ao lado na subida da Alice até a última porta se fechar minutos depois sentados na pracinha em frente ela devora um hambúrguer com seus lindos dentes eu devorava os dentes dela

canibália city

não sei se febre água fogo fala
bala na boca do gatilho
o olhar expolode dinamite
no embrião do caos

de que feito esta cidade?
ela atravessa a grana pro marido

eu me deserto
me entorto
trago a língua endiabrada
dentro a boca
não me travo

a polícia implode
mais um bunker na favela
o senado vota a decisão
pro ficha limpa

agora me pergunto:

o que é que o marido
vai fazer com ela?


O POETA PEDE AO SEU
AMOR QUE LHE ESCREVA

Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.

O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.


Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de kordiscos e açucenas.

Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

MAIAKOVSKI



beijo o céu da tua boca agora já é outro instante depois de fechar e abrir esta janela para o nada ou para tudo que já veio ou inda virá na vera cruz destes escombros que não mais cidade ainda mordo com os dentes que me resta carnes e frutas bagaços de um sentido solto quando a toalha sobre a mesa não cabe nas metáforas

sexta-feira, 7 de maio de 2010

urbanicidades






asfalto
uma palavra quente
mesmo quando chove
ex-fria piche nos ossos

janelas
:
de concreto/carne
neste corpo/casa
que não mais me habita

arturgomes
http://artur-gomes.blogpspot.com/
uma caneta pelo amor de deus



Poema de Artur Gomes musicado e cantado por Luizz Ribeiro
Com participações de Sérgio Máximo(violão), Henrique(guitarra) e
Clara Brito (vocais)

Ind/gesta

uma caneta pelo amor de deus
uma máquina de escrever
uma câmera por favor
quero um computador
nem que seja pós moderno

vamos fazer um filme
vamos criar um filho
deixa eu amar a lídia
que a mediocridade
desta idade mídia
não coca cola mais
nem aqui nem no inferno

arturgomes
http://carnavalhagumes.blogspot.com/









foto pele grafia


meus lábios em teus ouvidos
flechas netuno cupido
faca na língua língua na faca
a febre em patas de vaca
unhas sujas de Lorca
cebola pré sal com pimenta
na tua língua com coentro
tempero sabre de fogo
qualquer paixão reinvento
o corpo/mar quando agita
na preamar arrebenta
espuma/esperma semeia
sementes letra por letra
na bruma branca da areia
sem pensar qualquer sentido
grafito em teu corpo despido
poemas na lua cheia

arturgomes
http://goytacity.blogspot.com/

Artur Gomes e Fil Buc – Overdose Polifônica




Amante II

Internamente
Cá dentro
O outro que não eu
envolve-se volta e revive
palavras de um léxico
disléxico
caduco
apagado
Recobra dores e amores
Inacabadas paixões
Reviravoltam-se os sentimentos
re-significa ilusões.

Karol Penido

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Lunática






millena andrade: fotografada por artur gomes




















em outro mar onde millena mora na pele d´água do pré sal profundo sereias cantam em corais de carne algas marinha pela pele aflora



um gato noturno atira pedras nas estrelas palavras e mais palavras na carne da princesa onde o papel não bate onde o pincel não toca o gato noturno lamebe a barriga bem perto da virilha e trepa no muro mais próximo tentando alcançar o outro lado da lua em teus instante letal de desespero e solidão




terça-feira, 20 de abril de 2010

olhar Dalí























dentro deste ovo quebrado este poema deve ter entrado para nunca mais sair





cometa







a noite
consome
o tempo
em estrelas
e pedaços
imensos
dum
desabitado
infinito

a noite
solfeja as
paredes
de um
silêncio
impreciso
e pálido

como
o hálito
fálico
dum
risco
quebradiço
cortando
o céu

(lau siqueira – poema vermelho)
http://poesia-sim-poesia.blogspot.com/
may interpreta artur gomes – um filme de jiddu saldanha



girassóis pousando Nu teu corpo festa beija flor seresta poesia fosse esse sol que emana do teu fogo farto lambuzando a uva de saliva doce

segunda-feira, 19 de abril de 2010

PoÉticas Visuais






























rente a pele contra o muro eu te grafito no escuro

A lavra da palavra quero


Poesia no cone manifesto

Poeta é a pimenta do planeta

sábado, 17 de abril de 2010

PalavrArte até a morte

enquanto a vida nos procura


EntriDentes


Poesia In Concert


Malditos Bem Ditos


Especial 5 Minutos


Porrada Lírica




Overdose Sobora em Satnta Teresa


Artur Gomes interpreta Mário Faustino – filmado por Jiddu Saldanha


Artur Gomes e May Pasquetti – filmados por Jiddu Saldanha no Parque das Ruínas – Santa Terea – Rio de Janeiro


intervenções
incorporações
interferências

" a memória é uma ilha de edição" wally salomão

retalhos imortais do serAfim retalhos imortais do serAfim retalhos imortais do serAfim retalhos imortais do serAfim

Artur Gomes

inCORPOrações



ouvidos negros Miles trumpete nos tímpanos era uma criança forte como uma bola de gude era uma criança mole como uma gosma de grude tanto faz quem tanto não me fez era uma ant/Versão de blues nalguma nigth noite uma só vez ouvidos black rumo premeditando o breque sampa midinigth ou aversão de Brooklin não pense aliterações em doses múltiplas pense sinfonia em rimas raras assim quando desperta do massificado ouvidos vais ficando dançarina cara ao Ter-te Arte nobre minha musa Odara ao toque dos tambores ecos sub/urbanos elétricos negróides urbanóides gente galáxias relances luzes sumos prato delícias de iguarias que algum Deus consente aos gênios dos infernos que ardem gemem Arte misturas de comboios das tribos mais distantes de múltiplas metades juntas numa parte

diOli



http://barkaca.blogspot.com/

e pelas mãos do tempo levarei as tuas como cara/velas de um mar sem tempo ou eras quando a primavera ainda flor de lótus ou a flor do lácio quando abrir teus cios esta flor em pétala quando em teus cabelos pele flor e pêlos eu navegar teus rios te levarei por mares nunca dantes navegados lá onde descobrirei o mistério do azul nestes teus olhos planeta que ainda hei de habitar por dentro lá onde o centro do universo mora e meu verso ficará plantado em todos os segundos que viver na tua hora

Karol Penido


... depois de Dias, antes

Gonçalves para dizer o que

eu não diria...


a tarde se esvai
nas asas da garça
que se recolhe sobre o
rio Itapecerica

e eu sentada neste quarto

sinto a noite que adentra

http://aquarelaemvesos.blogspot.com/

Paulo Bruscky







mais que sal que sol que sangue que todos os s os f e as palavras todas bebo esta mulher com todo líquido que houver na língua como esta mulher com todo músculo que houver no corpo amo esta mulher com todo sexo que se fizer ao vento com toda lua que se tiver em Vênus com todo marte que não houver netuno com todo fumo que não for erva santa com toda arte que da sementegermina flor ou planta

o que trago embaixo as solas dos sapatos
é fato
bagana acesa sobra do cigarro
é sarro
dentro do carro ainda ouço Jimmi Hendrix
quando quero
dancei bolero
sampleAndo rock and roll
pra colher lírios há que se por o pé na lama
a seda pura é foto síntese do papel
tem flor de lótus nos bordéis Copacabana
procuro um mix da guitarra de Santanna
com os espinhos da Rosa de Noel

a noite inteira invento joplin na fagulha
jorrando cocker na fornalha
funkrEreção fel fala
fábio parada de Lucas é logo ali
trilhando os trilhos centrais do braZil.

rajadas de sons cortando os ínfimos
poemas sonoros foram feitos para os íntimos
conkretude versus conkrEreção
relâmpagos no coice do coração.

quando ela canta eleonora de lennon
lilibay sequestra a banda no castelo de areia
quando ela toca o esqueleto de Lorca
salta do som em movimento enquanto houver
e federika ensaia o passo que aprendeu com mallarmé

punkrEreção pancada onde estão nossos negrumes?
nunkrEreção negróide nada.
descubro o irado Tião Nunes
para o banquete desta zorra
e vou buscar em Madureira
a Fina Flor do Pau Pereira.

antes que barro vire borra
antes que festa vire forra
antes que marte vire morra
antes que esperma vire porra,
ó baby a vida é gume
ó mather a vida é lume
ó lady a vida é life!